Pular para o conteúdo
<- Voltar para Café com Mercado
Colagem foto-real do dia: índice de preços em queda sobre o Congresso, um petroleiro no Estreito de Ormuz e o pregão de Nova York na estreia da SK Hynix.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Café com Mercado — sexta, 10/07/2026

12:47 BRT

IPCA de junho surpreende para baixo, reacende a aposta de corte da Selic em agosto e destrava a bolsa, enquanto o alívio entre EUA e Irã derruba o petróleo e a estreia recorde da SK Hynix drena as memórias em Nova York.

Overview

O humor externo amanheceu comprado. A leitura de que a reescalada entre Estados Unidos e Irã será limitada — com Teerã buscando acordo sob mediação de Catar e Paquistão — derrubou o petróleo pela segunda sessão, com o Brent perto de US$76 e o WTI na casa dos US$72. O recuo do óleo aliviou os Treasuries, cuja taxa de 10 anos cedeu a 4,54%, e sustentou o apetite por risco mesmo com a ata contracionista do Fed ainda no radar. O mercado precifica 79% de manutenção na reunião de 29 de julho, mas um campo mais brando começa a se formar antes do CPI americano de 14/7. Em Nova York, a estreia da SK Hynix na Nasdaq (a maior de uma empresa estrangeira na história, com US$26,5 bilhões captados) drenou fluxo das memórias já listadas e deixou os futuros mistos, com o Nasdaq-100 no vermelho e o Dow no azul.

O Brasil vai na direção oposta. O IPCA de junho subiu 0,16%, bem abaixo dos 0,31% do consenso, e a inflação em doze meses recuou para 4,64%. O dado benigno derrubou os DIs em toda a curva e reacendeu a aposta de um corte da Selic de 14,25% para 14,00% no Copom de 4 e 5 de agosto. A bolsa destravou: depois de subir 1,22% na quinta, o Ibovespa avançava mais de 2% perto das 176 mil unidades, com o real firme. Duas decisões seguem pendentes e organizam a semana. A primeira é o próprio Copom, sobre o qual há divergência clara entre as casas: parte lê o número como desinflação em curso, parte como um alívio pontual que não muda uma trajetória ainda pressionada. A segunda é o tarifaço americano da Seção 301, cuja decisão sai até 15 de julho.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IPCA de junho foi o evento do dia. A alta de 0,16% ante maio (0,58%) marcou o menor resultado mensal em oito meses e ficou abaixo dos 0,31% projetados pelo mercado. Em doze meses, o índice caiu de 4,72% para 4,64%; no ano, acumula 3,36%. A maior pressão veio de Habitação (+0,63%), puxada pela energia elétrica residencial (+1,53%, sob bandeira amarela). O alívio veio dos alimentos: Alimentação e bebidas recuou 0,24%, com café moído em queda de 3,72% e carnes de 0,64%. Combustíveis cederam 0,48%, com o etanol em -3,09%. A passagem aérea, na contramão, subiu 7,12%. A qualidade agradou: núcleos e médias aparadas desaceleraram e a difusão caiu de 65% para 53%, sinal de pressão menos disseminada. O quadro conversa com uma atividade que perde tração. As vendas da Cielo tiveram o pior junho desde 2020 e o CAGED gerou 72 mil vagas, ante 130 mil esperadas.

Política

O tarifaço concentra o risco político. O USTR decide até 15 de julho sobre a tarifa de 25% da Seção 301, à qual pode somar uma sobretaxa de 12,5% por alegação de trabalho forçado, elevando o total a até 37,5%. Equipes técnicas de Brasil e Estados Unidos ainda tentam um último encontro, e 335 empresas e entidades se manifestaram no processo. Em paralelo, o Tesouro americano pressiona o Brasil contra a tributação de serviços digitais. Internamente, o Tesouro Nacional reduziu a oferta de prefixados de R$20 bilhões para R$9 bilhões, o que tirou pressão da curva longa. Segue no pano de fundo a preocupação fiscal, com projeções de casas privadas apontando dívida bruta acima de 80% do PIB. Sobre a Ferrogrão, o governo diz ter dado "tranquilidade" ao STF para destravar o projeto.

Mercado

O pregão foi de destravamento. Na quinta, o Ibovespa fechou a 172.742 pontos (+1,22%), liderado pelos bancos, com BTG, Banco do Brasil e Itaú entre os destaques. Nesta sexta, após o IPCA, o índice avançava mais de 2% rumo às 176 mil unidades, com os cíclicos à frente: Magazine Luiza subia mais de 8%, Cogna mais de 5% e os bancos de novo no azul. Os juros futuros caíram em bloco, com o DI de janeiro de 2027 abaixo de 14% e o real firme, na casa de R$5,11.

É no Copom que há divergência clara entre as casas. A Genial foi a mais construtiva: leu o IPCA como desinflação já em curso, ancorada na atividade fraca, e trata um corte de 0,25 ponto em agosto como cristalizado, com espaço para o mercado voltar a discutir juro abaixo de 14% e uma Selic terminal perto de 13,5%. A XP ficou mais agnóstica. Sua projeção precedeu o dado, apontava 0,32%, e a casa mantém preferência por crédito indexado ao IPCA, sob o argumento de que a inflação tem mais dificuldade de convergir. O BTG segue cauteloso: vê a curva de juros próxima do insustentável, cobra ajuste fiscal e aponta o petróleo como o principal obstáculo ao corte. Fora do consenso, Bruno Serra, da Itaú Asset, aposta em dois cortes seguidos, em agosto e setembro. Vale o registro: todas as casas projetavam inflação acima do que o IBGE publicou. Na renda variável, a leitura também diverge. A XP vê espaço para comprar Petrobras e PRIO apostando na estabilização do petróleo, enquanto mantém tom defensivo no restante da carteira.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Engie (EGIE3) — follow-on primário com precificação em 14/7 e captação de até R$10,5 bilhões, boa parte destinada à fatia na usina de Jirau.
  • Braskem (BRKM5) — disse à Justiça que uma dívida de R$2,7 bilhões vencendo em julho poderia disparar cláusulas de aceleração de cerca de R$54 bilhões; obteve a suspensão de execuções por 60 dias.
  • Brava (BRAV3) — a OPA da Ecopetrol, a R$23 por ação para chegar a 51% do capital, foi aprovada pelo Cade mas segue suspensa; a colombiana levou recurso ao Colegiado da CVM em 7/7.
  • Vale (VALE3) — a Previ estuda como contestar reunião do conselho, alegando conflito de interesse do presidente do colegiado.
  • Petrobras (PETR4) — a XP elevou o preço-alvo para R$63, citando ganho de fluxo de caixa com subsídios.
  • Magazine Luiza (MGLU3) — disparou no intradia com a especulação, levantada pelo JPMorgan, de uma parceria com a Amazon.

🌎 Global

Dados econômicos

A semana que vem concentra os gatilhos. O CPI americano de junho sai em 14/7, com expectativa de leve queda mensal, seguido pelo PPI em 15/7. Na China, o PPI veio mais forte e aliviou o temor de deflação, sustentando o yuan. A temporada de balanços do segundo trimestre engatou: a Delta superou as estimativas, com lucro por ação de US$1,56 e receita de US$17,67 bilhões, e reafirmou as projeções; a WD-40 saltou quase 15% após um trimestre forte. Os grandes bancos americanos reportam a partir de 14/7.

Política

A ata contracionista do Fed ainda ancora a manutenção de juros em 29 de julho, com 79% de probabilidade, mas cresce um contraponto mais brando. Ganharam corpo o tom mais brando de John Williams, o debate sobre a metodologia do CPI e a revisão do payroll prevista para agosto; parte do mercado já aposta em um CPI fraco na terça. Os Treasuries recuaram pela segunda sessão, com a taxa de 2 anos a 4,17% e a de 30 anos a 5,06%. No Japão, a primeira-ministra Katayama incentivou o fundo público de pensão, de US$1,5 trilhão, a repatriar recursos. O iene se fortaleceu para perto de 161,70 por dólar, e o risco no radar é o de o DXY furar os 100 caso o movimento se aprofunde.

Geopolítica e commodities

O eixo do dia é o desarme. Depois de Trump declarar encerrado o cessar-fogo e de uma troca de ataques entre Estados Unidos e Irã, surgiram relatos de que Teerã busca acordo, com Catar e Paquistão na mediação e conversas técnicas em andamento. O petróleo cedeu, com o Brent perto de US$76 (-0,8%) e o WTI na casa dos US$72, ainda que o Estreito de Ormuz opere com tráfego de navios limitado. O ouro recuou a cerca de US$4.100 e o cobre ficou perto da estabilidade, com ganho na semana. O Bitcoin subiu a cerca de US$64 mil. Na tecnologia, a estreia recorde da SK Hynix na Nasdaq drenou fluxo de Micron e Western Digital, enquanto o secretário Lutnick pedia a Samsung e à própria SK Hynix mais produção de memória em solo americano.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 09:00 — IPCA de junho (IBGE), o catalisador-mãe da semana, já divulgado a 0,16%.
  • Fluxo cambial semanal (Banco Central) ao longo do dia.

Global:

  • Manhã (EUA) — resultados de Delta e WD-40 abrem, na prática, a temporada do segundo trimestre.
  • Estreia da SK Hynix na Nasdaq.

Próximas datas-chave: CPI americano e bancões nos EUA (14/7), PPI americano e decisão do tarifaço da Seção 301 (15/7), precificação do follow-on da Engie (14/7), Copom (4-5/8) e Fed (29/7).

Fontes: morning calls transcritos de XP (Rodrigo Gavioli e Gilberto Coelho), BTG (Thiago Salomão e Mateus Parisoto) e Genial (Felipe Villegas e Roberto Mota); IBGE, InfoMoney, Money Times, Seu Dinheiro, NeoFeed, CNN Brasil, Reuters, AP e Benzinga.