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Colagem cinematográfica com petroleiro no Estreito de Ormuz ao amanhecer, chips iluminados, prédio de banco central com silhueta de gavião, painéis de bolsa e bandeira do Brasil.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Café com Mercado — quinta, 09/07/2026

10:15 BRT

Chips puxam um repique global e o petróleo alivia das máximas, mas a ata dura do Fed leva o juro americano à máxima em dois meses; no Brasil, a Vale pesa por governança e o IPCA cheio de amanhã manda no Copom.

Overview

O mundo tenta se recompor do tombo de ontem. Depois de os índices americanos e europeus caírem em bloco na esteira da re-escalada entre Estados Unidos e Irã e de uma ata dura do Fed, a manhã traz repique modesto, com os semicondutores à frente. O Nasdaq-100 futuro sobe cerca de 0,6% e a Coreia devolve parte do prejuízo: o Kospi fechou em alta de 0,6% após o desabamento de 5,3% da véspera, embalado por SK Hynix (+5,3%). O que acalma o humor é o petróleo. O Brent recuou das máximas e opera perto de US$78, depois de Trump minimizar o risco de uma guerra em escala plena, ainda que os Estados Unidos tenham atingido cerca de 90 alvos no Irã e revogado a licença que permitia a Teerã vender petróleo. No pano de fundo, a ata do FOMC de junho, a primeira sob Kevin Warsh, expôs um comitê rachado, com alguns diretores defendendo abertamente uma alta de juro. O Treasury de 10 anos tocou 4,60%, máxima desde maio, e a aposta em aperto em setembro subiu.

O Brasil abre na defensiva, mas o real resiste. O Ibovespa fechou ontem aos 170.653 pontos (-0,79%), terceira queda seguida, e testa o suporte dos 170 mil, pressionado pela Vale e pelas construtoras. O dólar à vista ficou em R$5,15, ancorado pelo carrego da Selic a 14,25%. O calendário manda: o IPCA cheio de junho sai amanhã e definirá o tom do Copom de 4 e 5 de agosto, hoje dividido entre um último corte para 14% e a pausa. No campo político, corre o relógio do tarifaço americano, cuja decisão vence em 15 de julho.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

A prévia da inflação do mês corrente veio contida. O IPC-S da primeira quadrissemana de julho marcou +0,31%, com o acumulado em doze meses em 4,26%. É um alívio de margem. O dado que importa, porém, vem amanhã: o IPCA cheio de junho, cuja mediana das projeções aponta para algo em torno de +0,3% no mês. O número balizará a leitura do Copom sobre o espaço para novos cortes.

Política

O relógio do tarifaço domina Brasília. A Seção 301 americana prevê tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com decisão até 15 de julho. O governo protocolou um pacote de seis temas, de comércio digital a etanol e propriedade intelectual, na tentativa de evitar a medida. Flávio Bolsonaro inscreveu-se na audiência do USTR para pedir o adiamento da discussão para depois da eleição. Congresso e STF estão em recesso, o que esvazia a pauta até agosto. No fiscal, o Tesouro admite que, mesmo com a arrecadação do IOF, faltam receitas para cumprir a meta de 2026; a constitucionalidade do imposto segue no Supremo com Moraes.

Mercado

No pregão, a Vale puxou a queda. As ações caíram 4,6% ontem, atingidas pela renúncia do presidente do conselho e pelo embate com a Previ, além de um minério mais fraco. A Petrobras foi para o outro lado, com alta de 3,1% no embalo do petróleo. As construtoras apanharam com o juro longo: Cury, Tenda e MRV recuaram entre 5% e 8%. Entre as casas, o tom de hoje é de convergência na estratégia e divergência na postura. XP e BTG apontam na mesma direção quando o assunto é onde se proteger. Ambas recomendam crédito de juro real isento, com retornos na casa de IPCA+9,5% a 10%, seja em fundos cetipados e no Renda+ (XP), seja em fundos imobiliários de papel e crédito de infraestrutura (BTG). A diferença está no humor. A XP mantém viés construtivo, sustenta a projeção de dólar a R$5,00 no fim do ano e prega diversificação em vez de concentrar na temática da vez. O BTG está mais defensivo. Leu a ata do Fed como um alerta, com Warsh "extremamente vigilante" e riscos de inflação inclinados para cima, e admite que o posicionamento a favor da queda de juros "mudou bastante" desde março. Sobre o Copom, sumiu a convicção de semanas atrás: a dúvida entre o último corte para 14% e a pausa em 14,25% fica para o IPCA de amanhã resolver.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Vale (VALE3) — Daniel Stieler renunciou à presidência do conselho em meio a embate com a Previ, maior acionista individual; o fundo indicou nomes para as vagas. A ação foi o maior peso do Ibovespa ontem.
  • Braskem (BRKM5) — em default (S&P "D", Fitch "C"), enfrenta mediação e tutela de urgência na Vara de Falências de São Paulo depois de os credores rejeitarem a proposta inicial de reperfilamento da dívida.
  • Engie (EGIE3) — oferta primária de até R$10,5 bi para bancar a fatia em Jirau, com precificação marcada para 14/7; a ação opera sob pressão pelo risco de diluição.
  • Brava (BRAV3) — a CVM manteve suspensa a OPA da Ecopetrol; a colombiana recorreu ao colegiado.
  • Azzas (AZZA3) — contratou o Morgan Stanley para avaliar a venda da Farm Rio, negócio estimado em cerca de US$1 bi.
  • JBS (JBS3) — anunciou o fechamento de plantas de carne bovina nos Estados Unidos, com o rebanho americano na mínima em 74 anos.

🌎 Global

Dados econômicos

A China voltou a mostrar demanda fraca. O CPI de junho subiu apenas 1,0% na comparação anual e caiu 0,3% no mês, sinal de consumo morno. Do lado do produtor, o PPI avançou 4,1% em doze meses, puxado pela energia, o mesmo choque de petróleo que preocupa o resto do mundo. Nos Estados Unidos, o dia traz leilão de Treasuries de 30 anos, com a taxa rondando os 5%; o CPI americano só sai na próxima semana, em 14 de julho.

Política

A ata do FOMC de junho, a primeira sob Kevin Warsh, mostrou um Fed dividido. Vários diretores veem o juro terminando 2026 dentro ou abaixo da faixa atual de 3,50% a 3,75%; outros tantos o enxergam acima, e alguns defenderam explicitamente uma alta. O comitê classificou os riscos de inflação como inclinados para cima, citando tarifas, energia e o Estreito de Ormuz. Warsh não submeteu projeção ao gráfico de pontos, algo inédito para um presidente desde 2012, e tratou o racha como "briga de família". O mercado ouviu o recado: a probabilidade de uma alta em setembro subiu para cerca de 70%, enquanto para a reunião de 29 de julho o cenário-base segue de manutenção.

Geopolítica e commodities

O petróleo continua no comando do humor global, mas hoje joga a favor. O Brent alivia para perto de US$78 e o WTI para cerca de US$74, depois de Trump dizer que não acredita em guerra em escala plena e que o episódio "vai passar rápido". A trégua é frágil. Os Estados Unidos atingiram cerca de 90 alvos no Irã e revogaram a licença de venda do petróleo iraniano, enquanto a Guarda Revolucionária afirma ter mirado bases americanas no Bahrein e no Kuwait. A raiz do conflito é o controle do Estreito de Ormuz, por onde Teerã vinha cobrando pedágio e ameaçando navios. Nos metais, o ouro se estabiliza em torno de US$4.079 após a queda da véspera, a prata segue abaixo de US$59 e o cobre sobe 1,3%. O Bitcoin recupera fôlego e volta aos US$62 mil.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 08:00 — IPC-S, 1ª quadrissemana de julho (FGV): +0,31%, já divulgado.
  • Amanhã, 10/07 — IPCA cheio de junho (IBGE), o catalisador da semana para o Copom.

Global:

  • Dia — leilão de Treasuries de 30 anos (EUA); discursos de Williams e Logan (Fed).
  • Divulgados — CPI (+1,0%) e PPI (+4,1%) de junho na China.
  • Próximas datas-chave: IPCA cheio de junho (10/7); CPI dos EUA e precificação da Engie (14/7); decisão do tarifaço (15/7); Fed (29/7); Copom (4-5/8).

Fontes: Morning Calls transcritos — XP (youtube.com/watch?v=_rdJIz_y6ks), BTG Pactual (youtube.com/watch?v=u96mMxMO2ko). Notícias — Rio Times, InfoMoney, Seu Dinheiro, Money Times, CNBC, Reuters, Bloomberg, Agência Brasil e IBGE.