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Petroleiro em chamas no Estreito de Ormuz à noite, mísseis no céu e telas de pregão em vermelho — colagem foto-real dos temas do dia.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Café com Mercado — quarta, 08/07/2026

12:00 BRT

EUA atacam o Irã, o cessar-fogo acaba e o petróleo salta ~6%; a aversão a risco e os juros longos em alta ofuscam a ata do FOMC, a primeira sob Warsh, com o Brasil abrindo no vermelho e o dólar firme.

Overview

O cessar-fogo durou pouco. Na noite de terça, os EUA atacaram mais de 80 alvos no Irã, em resposta a ataques da Guarda Revolucionária a três navios comerciais no Estreito de Ormuz. O Tesouro americano revogou a licença que permitia a venda de petróleo iraniano. Trump declarou a trégua "acabada" e Teerã prometeu resposta "esmagadora". O Brent saltou cerca de 6%, para perto de US$78, e o WTI foi a US$75. O resultado foi aversão a risco generalizada: Europa em queda de 2% (DAX -2,1%, CAC -2,0%), futuros americanos no vermelho com a energia na ponta e a tecnologia ainda apanhando, e Kospi -5,3% sob a mesma realização nos chips de ontem. A reviravolta está no canal de inflação: como o choque do petróleo reacende os preços, a proteção clássica não funcionou. O ouro caiu ~2,4%, para cerca de US$4.060; o Treasury de 10 anos rompeu 4,5% (~4,56%) e o de 30 anos passou de 5%; o dólar firmou (DXY ~101). O mercado agora precifica alta de juros nos EUA, não corte.

O Brasil abre na mesma direção do mundo, sem contramão hoje. O Ibovespa vem de 172.020 pontos na terça (-0,25%) e recua na abertura; o dólar firma em ~R$5,16 e os DIs disparam, com o juro longo em alta. A Petrobras é a beneficiária local do petróleo; a Vale pressiona. O catalisador do dia é a ata do FOMC (15h), a primeira sob Warsh, que o mercado lê para medir a fundura da divisão interna sobre altas. No radar das decisões pendentes: o tarifaço americano (Seção 301, 25%), com desfecho até 15/7; o IPCA de junho na sexta; o Copom de 4-5/8; e o Fed de 29/7. A Selic segue em 14,25%.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O pano de fundo doméstico ainda é de desinflação, mas o choque do petróleo trabalha contra. O IGP-DI de junho veio a -0,79% (deflação), e o Focus de segunda cortou o IPCA 2026 para 5,30%, o primeiro recuo em dezesseis semanas, com Selic terminal de 14,00%, câmbio a R$5,20 e PIB perto de 2%. A leitura das mesas hoje é que gasolina e derivados podem reintroduzir pressão inflacionária justamente quando os índices amoleciam. O IPC-S saiu de manhã e o fluxo cambial semanal sai às 14h30, mas o teste que importa é o IPCA cheio de junho, na sexta.

Política

O tarifaço domina o eixo externo. Washington tem até 15/7 para decidir sobre a tarifa de 25% (Seção 301), com a ameaça paralela de 50% ligada ao caso Bolsonaro. Estudam-se isenções para carne, café, frutas, minerais e terras raras, aeronaves e fertilizantes. Flávio Bolsonaro participou da audiência do USTR em Washington e pediu a Trump adiar a medida para depois da eleição. O governo Lula classificou o gesto como "traição à pátria" e promete reciprocidade. No Congresso, a Câmara deve empurrar para depois do recesso o projeto que eleva o teto do MEI de R$81 mil para R$140 mil.

Mercado

O Ibovespa abre no vermelho, acompanhando o exterior, com o dólar firme em torno de R$5,16. Há divergência clara entre as casas sobre o Fed: o BTG migrou para três altas em doze meses (duas neste ano e uma em 2027), o BofA também vê três e o Itaú duas, enquanto o Morgan Stanley fica na contramão e não projeta alta alguma. O choque do petróleo reforça o campo mais duro. Sobre o Copom, a divergência é entre um último corte e a pausa: a XP ainda desenha um corte residual para 14% até o fim do ano (mantendo 14,25% em agosto), ao passo que o BTG trata o corte de junho como o último e projeta pausa em 14,25%. A alta do petróleo agora ameaça até esse corte residual. A Genial enquadra o dia como possível "mudança de regime" e opera na defensiva: usa o dólar como proteção (30% da carteira, comprado entre 5,05 e 5,19) e fica neutra no índice, que descreve como uma mola comprimida à espera de rompimento. Sobre a rotação, Villegas faz a ressalva de que o movimento não é sair da tecnologia, e sim trocar, dentro dela, o caro pelo barato: a Coreia dos semicondutores caiu 5,6%, enquanto o Alibaba subiu 11% em Hong Kong. Na renda fixa, o BTG reduziu prefixados e migrou para juro real curto (NTN-B 2028/2030), com destaque para a debênture da MetrôRio, elevada a AAA. A XP foge do óbvio para se expor à mineração via prestadora de serviços: elevou o preço-alvo de Priner (PRNR3) de R$22 para R$31, potencial de alta de cerca de 70%.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Braskem (BRKM5): a S&P rebaixou a nota para D (default) e a Fitch para C. A empresa negocia recuperação extrajudicial (Projeto Catalyst, mais de US$3 bi, com alongamento de cinco anos); o serviço da dívida em julho é de US$549 mi.
  • Brava (BRAV3): a CVM manteve suspensa a OPA da Ecopetrol (R$23 por ação) e levou o recurso da colombiana ao Colegiado na terça.
  • Engie (EGIE3): oferta primária de ações de até R$10,5 bi para incorporar 40% de Jirau (R$5,74 bi); precificação em 14/7 e liquidação em 17/7.
  • Azzas 2154 (AZZA3): contratou o Morgan Stanley para avaliar alternativas com a marca Farm Rio.
  • Cosan (CSAN3): negou vender sua fatia na Rumo (RAIL3) e reforçou o plano de desalavancagem.
  • Tenda (TEND3): prévia recorde no 2º tri, com VGV de lançamentos de R$1,68 bi (+54,4%).

🌎 Global

Dados econômicos

A agenda de dados fica em segundo plano. O payroll de junho já havia decepcionado (57 mil vagas, contra 115 mil esperadas), e o CPI/PPI de junho da China ainda não saiu. A próxima referência de peso é o CPI americano, dia 14/7. Um sinal veio do mercado de dívida corporativa: a Amazon captou US$25 bi em títulos de até 40 anos, mas a demanda de pico ficou bem abaixo da vista em março, indício, na leitura da Genial, de que o apetite para financiar o capex de inteligência artificial perdeu força.

Política

A ata do FOMC de junho sai hoje, às 15h, e é a primeira sob a gestão de Warsh. O mercado quer medir quantos dos pontos mais duros do dot plot pertencem a membros votantes, o que define a coalizão para uma eventual alta em setembro. O FedWatch mantém a manutenção como base para 29/7 e vê chance majoritária de ao menos uma alta até dezembro. Warsh sinaliza mudança de comunicação, contrária ao forward guidance e ao próprio dot plot, mas de forma gradual.

Geopolítica e commodities

A escalada entre EUA e Irã é o motor de tudo. Além do ataque e da revogação da licença de petróleo iraniano, Teerã ameaça alvos em bases no Bahrein e no Kuwait. O Brent ronda US$78 (+6%) e o WTI, US$75, num quadro em que a reserva estratégica americana está no menor nível desde 1983, o que limita o colchão de oferta. O ouro recuou ~2,4%, para cerca de US$4.060, com a abertura dos juros ofuscando a busca por proteção; a prata caiu abaixo de US$59 (-4,3%) e o cobre cedeu 2,5%. O Bitcoin testa o suporte de US$60 mil, perto de US$63 mil (-1% a -2%). Na contramão, Hong Kong subiu, puxado pelas techs chinesas, mesmo com a Coreia dos chips em forte queda.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 08:00 — IPC-S, primeira quadrissemana de julho (FGV).
  • 14:30 — Fluxo cambial semanal (BC).
  • Sexta (10/7) — IPCA de junho (IBGE), o principal dado da semana.

Global:

  • 15:00 — Ata do FOMC de junho, a primeira sob Warsh (Fed). Catalisador do dia.
  • Próximas datas-chave: CPI dos EUA (14/7), decisão do tarifaço (até 15/7), precificação da Engie (14/7), Copom (4-5/8) e Fed (29/7).

Fontes: morning calls transcritos de XP, BTG e Genial (8/7); CNBC, Reuters, NBC, InfoMoney, Money Times, Seu Dinheiro, Bloomberg Línea e Al Jazeera.