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Chip de memória rachado com brilho vermelho, gráficos em queda e um petroleiro em chamas ao entardecer — a rotação para fora dos semicondutores e o susto no Golfo.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Café com Mercado — terça, 07/07/2026

11:00 BRT

Samsung lucra recorde e cai, a Ásia derrete e a rotação para fora dos chips volta ao radar; o petróleo sobe com novos ataques no Golfo e o Focus mostra a inflação brasileira recuando, com o tarifaço americano no segundo dia de audiência.

Overview

Wall Street chegou perto da máxima na segunda, mas a Ásia rompeu com o otimismo na madrugada. O gatilho foi paradoxal. A Samsung reportou lucro operacional recorde, perto de 89 trilhões de wons no segundo trimestre, quase vinte vezes o de um ano antes, e a ação caiu cerca de 8%. Valeu o roteiro do "sobe no boato, cai no fato": o papel já acumulava alta de aproximadamente 150% no ano, e o mercado leu o número como pico de ciclo da memória. O Kospi cedeu 4,9% e acionou o circuit breaker. Taiwan perdeu 2,3% e o Japão, 2,1%. O pregão asiático teria queimado cerca de US$ 700 bilhões em valor de mercado, e os futuros americanos acompanham, com o Nasdaq-100 em queda de 1%. Ganha corpo a tese de que a rotação para fora dos chips voltou. No mesmo compasso, o petróleo subiu: o Irã disparou mísseis contra navios comerciais no Golfo, e o Brent voltou a US$ 72,7. A reação foi contida, diante da oferta ampla da OPEP+. Os juros longos seguem pressionados, com a Treasury de dez anos em 4,50%, e a ata do Fed, na quarta, concentra as atenções lá fora.

O Brasil anda no próprio eixo. O Ibovespa recuou 0,93% na segunda, aos 172.447 pontos, mas o futuro opera em leve alta nesta manhã. O dólar à vista, a R$ 5,13, está no menor nível desde meados de junho. O Focus trouxe alívio na inflação: a projeção de IPCA de 2026 caiu pela primeira vez em dezesseis semanas, para 5,30%, com a mediana da Selic terminal ainda em 14,00%. As decisões pendentes dominam o radar. O Copom de 4 e 5 de agosto define se ainda cabe um último corte. O Fed decide em 29 de julho. E o tarifaço americano entra no segundo dia de audiência no USTR, com desfecho previsto até 15 de julho.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IGP-DI recuou 0,79% em junho, deflação mais intensa que a esperada e segunda leitura negativa seguida. O movimento veio de combustíveis e resinas mais baratos, na esteira da queda do petróleo. No ano, o índice acumula alta de apenas 3%. O Focus desta semana reforçou o tom mais leve: além do corte na projeção de IPCA para 5,30% em 2026, manteve o câmbio em R$ 5,20 e o PIB perto de 2%. O principal dado doméstico da semana é o IPCA cheio de junho, que sai na sexta-feira, com expectativa de alta em torno de 0,31% no mês.

Política

A audiência da Seção 301 no USTR entrou no segundo dia em Washington. Flávio Bolsonaro discursou por cerca de cinco minutos e pediu a suspensão da tarifa de 25% e a abertura de negociação bilateral. Do lado corporativo americano, Coca-Cola, eBay e Tesla pediram que Trump recue da sobretaxa a produtos brasileiros. O governo dos Estados Unidos deve decidir até 15 de julho. No campo fiscal, o defeso eleitoral já limita a criação de novos programas do Executivo neste ano de eleição.

Mercado

O Ibovespa perdeu os 172 mil pontos na segunda, e a leitura técnica da Genial vê estabilização, sem força para romper para cima. O real firme e a bolsa barata convivem com um prêmio baixo para se estar em ação frente à NTN-B e à Selic alta. Há divergência clara entre as casas sobre o rumo da Selic. A XP revisou as projeções e adotou o tom mais leve: cortou a premissa de petróleo do segundo semestre de US$ 85 para US$ 75, baixou o IPCA de 2026 de 5,5% para 5,2% e mantém um último corte de 0,25 ponto em agosto, que levaria a taxa a 14% até 2027. O BTG foi mais cético. Não projeta novo corte, trata a queda de juros como condicionada ao ajuste fiscal e vê o Fed discutindo "uma ou duas altas", não quedas, o que fortalece o dólar e drena fluxo dos emergentes. A Genial ficou no meio, cautelosa: aposta que a rotação global para fora dos chips sustente os ativos locais, mas mantém o dólar como proteção. O ponto comum é o viés de alta no Fed e a expectativa de que o IPCA de sexta e o CPI americano da semana que vem definam o próximo passo.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Braskem (BRKM5) — a S&P declarou default (nota D) e a Fitch cortou para C, depois de os credores rejeitarem o plano de reestruturação. A empresa tem cerca de US$ 549 milhões em serviço de dívida a vencer em julho.
  • Brava (BRAV3) — a OPA da Ecopetrol segue suspensa pela CVM. O leilão e a liquidação, que estava marcada para hoje, foram adiados sem nova data; a Ecopetrol recorre.
  • Engie (EGIE3) — anunciou oferta primária de até R$ 10,5 bilhões para financiar a usina de Jirau, com precificação em 14 de julho e liquidação em 17 de julho.
  • Embraer (EMBR3) — entregou 65 aeronaves no segundo trimestre, melhor desempenho para o período em 16 anos, alta de 7% sobre um ano antes.
  • Azzas 2154 (AZZA3) — avalia a venda da Farm Rio, com o Morgan Stanley como assessor e valuation em torno de US$ 1 bilhão.
  • Cosan (CSAN3) — contratou o BTG para avaliar a venda de sua fatia na Rumo (RAIL3), com propostas vinculantes esperadas para meados de julho.
  • Vale (VALE3) — Daniel Stieler renunciou à presidência do conselho de administração.
  • Aegea — propõe aumento de capital de R$ 2,1 bilhões, com a Itaúsa podendo aportar até R$ 1,5 bilhão.

🌎 Global

Dados econômicos

A prévia da Samsung foi o dado que moveu o mundo. O lucro operacional ficou próximo de 89 trilhões de wons, quase vinte vezes o de um ano antes, com a memória em recuperação e demanda puxada por inteligência artificial. A reação, porém, foi de realização: a ação caiu perto de 8% e o índice de semicondutores devolveu o rali da véspera. A SK Hynix perdeu quase 7% e a Kioxia, mais de 10%. Ao fundo, o payroll fraco de junho nos Estados Unidos, de 57 mil vagas, segue no radar. Ele esfriou as apostas de alta de juros e empurrou a discussão de corte do Fed para o fim do ano.

Política

A ata do Fed de junho sai na quarta e será lida com atenção. Foi a primeira reunião sob Kevin Warsh, que manteve os juros em 3,50%-3,75% e retirou o viés de afrouxamento. O mapa de projeções passou a admitir alta, com metade do comitê vendo ao menos um aumento em 2026. O mercado ainda debate se serão uma ou duas altas, e praticamente ninguém precifica corte iminente. O índice do dólar opera na mínima de duas a três semanas.

Geopolítica e commodities

A trégua no Golfo durou pouco. O Irã voltou a atacar navios comerciais, e um metaneiro catariano pegou fogo perto de Omã, o que reacendeu o prêmio de risco no petróleo. Ainda assim, Brent e WTI subiram menos de 1%, contidos pelo corte de preços da Arábia à Ásia e pela oferta adicional da OPEP+, de 188 mil barris por dia em agosto. O ouro cedeu para cerca de US$ 4.170 a onça, em segundo dia de queda. Fora do radar tradicional, o café disparou quase 20% na segunda, maior alta diária em 26 anos, por preocupações climáticas.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 10:15 — Leilão do Tesouro (NTN-B, foco na parte longa da curva)
  • Manhã — Continuação da audiência da Seção 301 no USTR, dia 2 (catalisador político)
  • Sexta (10/7) — IPCA cheio de junho (IBGE), principal dado da semana

Global:

  • Dia — Leilão de Treasuries de 3 anos (US$ 58 bi)
  • Repercussão — Resultado da Samsung nos semicondutores
  • Próximas datas-chave: ata do Fed 8/7, CPI dos EUA 14/7, Copom 4-5/8, Fed 29/7.

Fontes: Morning calls XP, BTG e Genial; Money Times (Focus), InfoMoney (Engie), Seu Dinheiro (Braskem), Money Times (USTR), AP (Ásia/Samsung), Saxo e CNBC (petróleo).