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Colagem foto-real: wafer de silício reacendendo em luz azul e telas de pregão em alta à esquerda; à direita o Capitólio ao amanhecer com bandeiras de Brasil e EUA, um navio de contêineres e uma torre de petróleo cedendo.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Café com Mercado — segunda, 06/07/2026

10:20 BRT

Os chips reagem e reanimam a Ásia enquanto a OPEP+ empurra o petróleo para baixo e alivia a inflação; no Brasil o dia gira em torno da audiência do tarifaço em Washington e de um novo debate sobre a Selic depois que o BTG migrou para 13,75%.

Overview

O trade de inteligência artificial revidou. Depois de semanas de rotação para fora da IA e dos semicondutores, os chips lideraram uma retomada forte no overnight. A Ásia disparou: a Coreia subiu 5,76% — a Samsung avançou com relatos de conversas para fabricar chips sob medida para a Anthropic —, o Nikkei ganhou 1,47% (a Kioxia abriu em queda de 12% e virou para +7%), Hong Kong subiu 1,28% e Xangai 1,15%. Os futuros americanos acompanham: o Nasdaq-100 avança cerca de 1,1% e o S&P 0,4%, com o Dow de lado. A leitura é que a correção recente foi rotacional, não estrutural: a Hon Hai, fornecedora da Nvidia, reportou vendas acima do esperado. No petróleo, a OPEP+ aprovou uma alta de 188 mil barris por dia a partir de agosto, e com o fluxo por Ormuz normalizado o Brent cedeu para baixo de US$72 — um alívio para a inflação global.

O Brasil pega carona nesse humor melhor, mas o eixo do dia é local. A audiência pública do USTR em Washington sobre a tarifa de 25% começa hoje, com depoimento de Flávio Bolsonaro ao longo da manhã. O Focus trouxe um alívio marginal — a inflação de 2026 cedeu para 5,30% —, mas manteve a Selic do fim do ano em 14,00%, e é justamente aí que as casas divergem: o BTG cortou seu cenário para 13,75%. No radar das decisões pendentes seguem o Copom de 4 e 5 de agosto, com Galípolo em "vigilância" e sem sinalização, o Fed duro de Kevin Warsh e o defeso eleitoral que a partir desta semana congela novos programas do governo.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O Focus divulgado hoje trouxe um leve recuo na inflação. A mediana do IPCA de 2026 caiu de 5,33% para 5,30%, e a de 2027 ficou em 4,18%. A Selic projetada para o fim do ano seguiu em 14,00%, o PIB em 1,99% e o câmbio em R$5,20. O quadro conversa com a prévia: o IPCA-15 de junho já havia desacelerado para 0,41%, ante 0,62% em maio, acumulando 4,80% em doze meses, ainda pressionado por alimentação, habitação e pela energia elétrica sob bandeira amarela. Do lado da atividade, a produção industrial de maio decepcionou, com queda de 0,2% frente à expectativa de alta. A balança comercial de junho teve superávit de US$9,76 bilhões, abaixo do esperado, e fecha o semestre em US$42,4 bilhões. Não há IPCA cheio nem Copom nesta semana; o próximo é em 4 e 5 de agosto.

Política

O eixo Brasília-Washington domina. A audiência do USTR sobre a tarifa de 25% corre hoje e segue amanhã, com dezenas de inscritos, a maioria contra a medida. Flávio Bolsonaro depõe ao longo da manhã para "defender empresas brasileiras", enquanto o grupo de pecuaristas R-CALF apoia a tarifa. As isenções já alcançam mais de 1.600 linhas tarifárias, incluindo aeronaves civis. Depois de ouvir os depoimentos, o governo americano decide os próximos passos. Galípolo mantém a postura de vigilância, sem sinal de corte. No tabuleiro eleitoral, a Atlas/Bloomberg manteve Lula em 48,8% contra 42,3% de Flávio no segundo turno.

Mercado

Na sexta o Ibovespa fechou em alta de 0,74%, aos 174.070 pontos, com ganho de 0,45% na semana e de 8% no ano, em pregão de liquidez fina pelo feriado americano; o índice segue acima dos 174 mil e sobre a média de 200 dias. O dólar recuou 0,76%, a R$5,16. Os vértices longos da curva de juros, que haviam aberto cerca de 16 pontos-base na quinta com o ruído fiscal, corrigiram na sexta, com o DI de 2035 perto de 14,4%. A partir de hoje várias ações passam a negociar ex-dividendos, o que pesa tecnicamente no índice.

Há divergência clara entre as casas sobre quantos cortes ainda restam à Selic. O BTG fez o movimento mais forte: depois da atividade mais fraca — produção industrial negativa, Caged em desaceleração — e da queda do petróleo para perto de US$70, seu departamento econômico cortou o cenário de Selic terminal de 2026 para 13,75%, enxergando espaço para dois cortes de 0,25 ponto nas próximas reuniões. É um patamar abaixo da mediana do Focus, que ainda embute um único corte para 14,00%. Mesmo assim, o banco chama 13,75% de "muito restritivo" e mantém a renda fixa em destaque nas carteiras, citando o impulso fiscal e parafiscal de R$142 bilhões, um mercado de trabalho resiliente e a incerteza eleitoral como razões para cautela. A XP fica mais dependente dos dados: espera um IPCA de junho em desaceleração, puxado por alimentos, e vê impacto macroeconômico limitado do tarifaço, sem cravar uma nova taxa terminal. O terreno comum é o Fed. Sob Warsh, ninguém precifica corte iminente lá fora, e o mercado ainda embute possíveis altas americanas até o fim do ano.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Engie (EGIE3) — protocolou hoje na CVM uma oferta primária de 178,7 milhões de ações ON, com precificação prevista para 14 de julho, para financiar a incorporação de 40% da usina de Jirau por R$5,74 bilhões; o risco de diluição preocupa minoritários e a ação já perdeu cerca de 7% na semana.
  • Embraer (EMBR3) — melhor segundo trimestre em 16 anos: 65 aeronaves entregues, alta de 7% no ano, e 109 no semestre, com carteira de pedidos em nível recorde.
  • Braskem (BRKM5) — rebaixada pela Fitch para C e em default pela S&P; um plano de reestruturação busca alongar dívidas em cinco anos, com juros menores e caixa preservado, sob blindagem judicial de 60 dias; o Citi cortou o preço-alvo em 60%.
  • Brava (BRAV3) — a OPA da Ecopetrol segue suspensa pela CVM por tratamento desigual entre acionistas; o leilão e a liquidação de 7 de julho foram adiados sem data, e a Ecopetrol recorreu.
  • Azzas 2154 (AZZA3) — confirmou o Morgan Stanley para destravar valor da Farm Rio, numa possível venda de cerca de US$1 bilhão, acima do próprio valor de mercado da companhia; a ação chegou a subir 10%.
  • Cosan (CSAN3) — colocou à venda a fatia na Rumo (RAIL3) e contratou o BTG; as propostas vinculantes são esperadas para meados de julho, com ao menos oito interessados.

🌎 Global

Dados econômicos

Com os Estados Unidos de volta do feriado, a agenda é leve na reabertura, e o foco recai sobre recalibrar as apostas para o Fed. O dado que ainda ecoa é o payroll da semana passada: junho criou apenas 57 mil vagas, ante cerca de 113 mil esperadas, com revisões para baixo de 74 mil. O número fraco esvaziou a aposta de alta em setembro e empurrou para outubro a discussão sobre o próximo movimento do Fed. Os destaques da semana são a ata do FOMC e os comentários de Warsh.

Política

O Fed de Kevin Warsh dita o tom. Ele abandonou a orientação futura — o "corredor de espelhos" em que o banco e o mercado só olham um para o outro — e prefere que o mercado reaja aos indicadores, com a convergência da inflação à meta como prioridade agora que o mandato de emprego parece menos ameaçado. A reunião de junho manteve os juros em 3,50% a 3,75% e retirou o viés de afrouxamento, com nove dos dezoito membros vendo ao menos uma alta. O mercado ainda embute possíveis altas até o fim do ano, e ninguém precifica corte iminente.

Geopolítica e commodities

O petróleo continua cedendo, e isso é uma boa notícia para a inflação. A OPEP+ aprovou uma alta de 188 mil barris por dia para agosto e, com o fluxo por Ormuz normalizado, o Brent escorregou para baixo de US$72 e o WTI para perto de US$68. A Ucrânia voltou ao radar: Trump conversou por cerca de 90 minutos com Putin no feriado americano, em ligação divulgada no domingo, às vésperas de uma cúpula da Otan, mas sem cessar-fogo; as tratativas seguem travadas em território e garantias de segurança, com novos ataques ucranianos a instalações de energia na Rússia. O ouro se firma perto de US$4.155, amparado por juros e dólar mais baixos, enquanto o iene é o ponto de tensão: o dólar ronda os ¥162, faixa que o mercado passou a tratar como limiar de intervenção em meio à liquidez fina do pós-feriado.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 11:00 — Início da audiência pública do USTR (Seção 301) em Washington sobre o tarifaço de 25%, com depoimento de Flávio Bolsonaro ao longo da sessão; segue amanhã. É o catalisador do dia.
  • 08:25 — Boletim Focus (divulgado): IPCA 2026 a 5,30%; Selic do fim do ano mantida em 14,00%.
  • Ações passam a negociar ex-dividendos a partir de hoje.

Global:

  • Agenda leve nos EUA na reabertura pós-feriado.
  • Próximas datas-chave: ata do FOMC e comentários de Warsh na semana; Copom 4-5/8; Fed (Warsh) 29/7.

Fontes: Morning calls transcritos — XP, BTG. Notícias e dados — Boletim Focus, Money Times, USTR, Metrópoles, Seu Dinheiro, NeoFeed, The Hill, CNBC, Sunday Guardian.