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Colagem foto-real ao amanhecer — balcão americano vazio com cartaz de vaga, banqueiro central de costas no púlpito, gráfico em queda, petroleiro e bandeira do Brasil ao fundo.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Café com Mercado — quinta, 02/07/2026

10:45 BRT

O payroll de junho vem fraco e revira a aposta de alta do Fed; dólar e juros cedem, e o Brasil ganha fôlego às vésperas do feriado americano.

Overview

O catalisador-mãe do dia chegou e decepcionou. O payroll de junho veio com 57 mil vagas, ante cerca de 115 mil esperadas, e ainda trouxe uma revisão para baixo de 74 mil em abril e maio somados. O desemprego caiu a 4,2%, mas por encolhimento da participação, não por força da demanda. O dado cai sobre um mercado que passara junho inteiro discutindo se o Fed de Kevin Warsh iria subir juros. Somado a um ADP fraco (98 mil) e a um ISM industrial em que os preços despencaram (73,0, de 82,1), o número empurra os juros dos Treasuries e o dólar para baixo e devolve fôlego à aposta de corte. A exceção fica nos semicondutores: as fabricantes de memória asiáticas apanharam forte (Kioxia -10%, Samsung e SK Hynix -7%) depois que um relato sobre queda no custo de inferência da OpenAI arranhou a narrativa de escassez de chips da Nvidia.

O Brasil entra no pregão com alívio, para variar. Um dólar mais fraco e juros americanos mais baixos afrouxam justamente a pressão que castigara o real e a ponta longa da curva em junho. O dado doméstico até colaborou: o PMI industrial voltou ao campo de expansão (50,8). As decisões pendentes seguem enquadrando tudo. No radar estão a primeira reunião cheia de Warsh no Fed, em 29/7, o Copom de 4-5 de agosto e o eixo tarifário com os EUA, cuja audiência é dia 6/7 e a decisão sai até 15/7. A sanção americana a dois brasileiros e três empresas por suposto vínculo com o PCC lembra que o atrito entre Brasília e Washington ainda morde no intradia.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O PMI industrial (S&P Global) de junho subiu a 50,8, de 49,1 em maio, de volta à expansão, puxado por emprego e estoques. O Focus de 29/6 manteve a Selic 2026 em 14,00%, o IPCA 2026 em 5,33% e o PIB 2026 em 1,99%, com câmbio de 5,20; o IPCA 2027 subiu pela sexta semana seguida, a 4,17%. A balança comercial segue robusta, com superávit de US$ 7,64 bilhões até a terceira semana de junho. A produção industrial (PIM-PF) de maio ainda não saiu; o último dado é de abril (+0,7% na margem).

Política

Os EUA sancionaram dois cidadãos brasileiros e três empresas por suposta ligação com o PCC, o que pressionou o câmbio e os juros futuros na véspera. O tarifaço da Seção 301 (25%) encerrou o prazo de comentários escritos em 1/7. A audiência do USTR é dia 6/7 e a decisão final sai até 15/7. São 85 inscritos, ao menos 13 falarão a favor das taxas, e Flávio Bolsonaro se registrou para depor. Na corrida eleitoral, a AtlasIntel/Bloomberg (26-30/6) mostrou Lula 48,8% x Flávio 42,3% no primeiro turno, com Lula vencendo todos os cenários de segundo turno. O BC de Galípolo manteve a curva mais serena.

Mercado

O Ibovespa fechou 1/7 aos 171.688 pontos (-0,20%), e o dólar subiu a R$ 5,209 (+0,90%), pressionado pelas sanções ligadas ao PCC. É aqui que as casas divergem, e com clareza, sobre o Fed. Indo para o payroll, o BTG já havia migrado o cenário-base para três altas de juros nos EUA a partir de setembro, lendo a estreia de Warsh como estruturalmente dura: comunicado mais curto, sem sinalização futura, foco na inflação. Roberto Motta, da Genial, lê o mesmo homem ao contrário. Vê a fala de Warsh em Sintra como suave no curto prazo, com expectativas de inflação em queda, e torceu abertamente por um dado fraco para enterrar a aposta de alta. O medo dele é outro: um dólar forte que exponha o fiscal brasileiro, com a NTN-B 2037 acima de 8%, patamar "visto uma única vez na história". O Itaú passou a projetar duas altas nesta semana; o Bank of America embute três. A XP olha por cima do ruído e prefere China e emergentes no segundo semestre, apostando em dólar mais fraco, mas cortou o alvo do Ibovespa para 200 mil pontos, de 205 mil, por causa do repique dos juros reais longos. O Goldman Sachs mantém o Brasil como bolsa preferida na América Latina, a cerca de 8 vezes lucro projetado. O payroll fraco de hoje entrega ao campo dovish o ponto de curto prazo.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Braskem (BRKM5) — obteve blindagem judicial de 60 dias contra credores financeiros enquanto empurra o "Projeto Catalyst" (reestruturação extrajudicial, alongamento de mais de US$ 3 bilhões). A S&P rebaixou a nota a D (default), a Fitch a C, e o Citi abandonou a tese, cortando o alvo em 60%.
  • Brava (BRAV3) / Ecopetrol — a CVM suspendeu a OPA (R$ 23,00 por ação) por tratamento desigual a grandes acionistas; o leilão e a liquidação de 7/7 ficaram adiados. A Ecopetrol vai recorrer.
  • Azzas 2154 (AZZA3) — contratou o Morgan Stanley para avaliar a venda da Farm Rio (cerca de US$ 1 bilhão, ou R$ 5,1 bilhões, acima do valor de mercado da própria Azzas); a ação disparou de 9% a 10%. Não há decisão formal.
  • Cosan (CSAN3) — colocou a fatia na Rumo (RAIL3) à venda, com mandato do BTG e propostas vinculantes esperadas para meados de julho, entre mais de oito interessados. A Raízen (RAIZ4) vendeu a operação argentina por US$ 1,4 bilhão, e a holding deve ser dissolvida em até cinco anos.
  • Petrobras (PETR4) — reduziu o diesel em R$ 0,35 por litro após o governo retirar a subvenção de igual valor, deixando o preço às distribuidoras estável perto de R$ 3,30. O corte da gasolina segue "em estudo", segundo Magda Chambriard.

🌎 Global

Dados econômicos

O payroll de junho trouxe 57 mil vagas, ante cerca de 115 mil esperadas. O desemprego caiu a 4,2%, mas por uma queda de 0,3 ponto na participação, a 61,5%. Lazer e hospitalidade perderam 61 mil postos. O salário-hora subiu 0,3% no mês e 3,5% em doze meses. As revisões tiraram 74 mil vagas de abril e maio. O ADP de 1/7 já viera fraco, a 98 mil. O ISM industrial de 1/7 ficou em 53,3, sexto mês de expansão, mas com o índice de preços caindo a 73,0, de 82,1, sinal nítido de desinflação.

Política

Warsh, no fórum do BCE em Sintra, chamou a inflação de "alta demais" e não abriu o jogo sobre 29/7 ("teremos um bom debate quando a porta fechar"), reafirmando a independência do Fed diante da pressão de Trump por cortes. Nove dos dezoito membros do FOMC ainda projetam juro acima da faixa atual no fim do ano. O payroll fraco força uma releitura mais branda desse quadro. Na zona do euro, as prévias de inflação de junho vieram abaixo do esperado, e os traders zeraram qualquer aposta de nova alta do BCE em 2026.

Geopolítica e commodities

As conversas entre EUA e Irã em Doha (1/7) giraram em torno do Estreito de Ormuz, e uma trégua de uma semana se sustentou. A suspensão parcial de sanções ao petróleo já permitiu ao Irã exportar mais de 40 milhões de barris. O Brent ronda US$ 67,7 e o WTI, US$ 67,6, mínimas desde o fim de fevereiro. O ouro firmou acima de US$ 4.000, perto de US$ 4.068 (+0,9%), com a queda dos juros; a prata está em US$ 58,7. O iene é a outra história: o USD/JPY recuou da mínima de 40 anos (162,84) para perto de 161,5, com Tóquio migrando para intervenção "de emboscada" e o BoJ, recém-saído da alta a 1% em junho, de olho em mais.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • Agenda doméstica esvaziada. O dia é de reação da curva de juros e do câmbio à leitura do payroll.
  • Próximas: audiência do tarifaço no USTR (6/7); Copom (4-5/8).

Global:

  • 09:30 — Payroll de junho (EUA): 57 mil vagas, o catalisador-mãe, já divulgado.
  • 09:30 — Pedidos semanais de seguro-desemprego (EUA).
  • Sexta, 3/7 — Bolsas dos EUA fechadas pelo feriado da Independência, antecipado porque o 4/7 cai no sábado.
  • Próximas datas-chave: decisão do tarifaço até 15/7; reunião do Fed (Warsh) em 29/7.

Fontes: XP Morning Call, BTG Pactual Morning Call e Genial Morning Call (YouTube, 2/7); BLS; Investing; Money Times; Seu Dinheiro; CNN Brasil; TradingKey; CNBC.