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Colagem foto-real de mercado: pregão em tom de realização, silhueta de banqueiro central em Sintra, barril de petróleo em queda e a bandeira do Brasil.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Café com Mercado — quarta, 01/07/2026

10:15 BRT

Segundo semestre começa em realização após o melhor trimestre desde 2020; o mercado trava à espera de Warsh em Sintra e do payroll, enquanto o Brasil digere um Caged fraco, nova Atlas e o petróleo em queda com o impasse Irã-EUA.

Overview

O segundo semestre abre em clima de realização de lucros. O trimestre que terminou foi o melhor de Wall Street desde 2020: o S&P 500 subiu perto de 15% e o índice de semicondutores avançou perto de 90%. Voltou ao centro o "excepcionalismo americano", depois de um primeiro trimestre liderado por Brasil, commodities e dólar fraco. O Dow fechou terça em recorde, aos 52.319 pontos. Nesta manhã os futuros recuam, com realização nas ações de tecnologia. Os juros dos Treasuries sobem, com a 10 anos rondando 4,47%. O dólar firme leva o DXY para perto de 101,5, junto da máxima de quinze meses, e o iene marca mínima de quatro décadas, na casa de ¥162. O ADP de junho veio fraco. A Europa vai na direção oposta: a inflação cedeu a 2,8% e tirou da mesa novas altas do BCE.

O Brasil fecha junho na contramão. Foi o pior mês do Ibovespa em três anos, com saída de cerca de R$8,7 bilhões de estrangeiros, e o índice terminou a terça aos 172.024 pontos, longe do recorde do mês. Ainda assim, a curva de juros local fechou no curto prazo. Um Caged fraco e uma comunicação mais serena do Banco Central dissiparam parte do ruído fiscal. As decisões pendentes organizam o dia. O mercado discute se o Fed de Warsh vai de fato subir juros, até onde vai o dólar forte, o Copom de 4 e 5 de agosto e o eixo político, com uma nova pesquisa AtlasIntel e a audiência do tarifaço marcada para 6 de julho.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O destaque é o mercado de trabalho. O Caged de maio registrou 72.960 vagas formais líquidas, bem abaixo da mediana de cerca de 120 mil das projeções e o pior resultado para o mês desde 2020. No acumulado do ano são 767 mil vagas, também o menor saldo desde a pandemia. A leitura divide as casas. Parte vê arrefecimento pontual, ligado à escassez de mão de obra num desemprego baixo. O BTG lê desaceleração mais consistente da atividade, o que daria ao Banco Central mais espaço para cortar. Foi esse dado, somado a um IPCA-15 menos ruim que o temido, que ajudou a fechar a curva curta, hoje ancorada perto de 14%.

Política

A AtlasIntel divulgada de manhã traz Lula à frente no segundo turno, com 48,8% contra 42,3% de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o petista aparece com 46,3% ante 36,6% do adversário, que recuou quase seis pontos ante o levantamento anterior. É a pesquisa que o TSE chegou a suspender no passado. Desta vez o instituto perguntou sobre o vídeo de Michelle Bolsonaro em crítica a Flávio, sem exibi-lo, para evitar nova suspensão. No comércio exterior, corre hoje o prazo final de comentários escritos ao governo americano sobre a tarifa de 25% proposta contra produtos brasileiros. A audiência pública está marcada para 6 de julho e a decisão final para 15 de julho. No fiscal, o pano de fundo segue pesado: a despesa real sobe 13,5% no ano contra 5,5% da receita.

Mercado

Há divergência clara entre as casas sobre se o Fed realmente sobe juros, e é esse o fio que organiza o pregão. O BTG trabalha com o mercado precificando alta: pelo CME, a probabilidade de elevação em setembro está em torno de 67%, e a discussão passou a ser de quantas altas, não de cortes. A Genial vai além. Roberto Motta calcula que, aos preços atuais, quem compra aposta em pelo menos três altas e no juro americano de volta a 5%, o que chama de o grande perigo para os emergentes. A XP resiste a essa leitura. Reconhece que a alta já está em parte no preço, mas afirma que não é o seu cenário-base. No câmbio, a Genial faz do dólar forte e do real frágil o centro da recomendação e sugere dolarizar carteira, ainda que o dólar tenha até recuado ante o real, para cerca de R$5,17. Na renda fixa, a mesma casa acende alerta de disfunção: a NTN-B já paga IPCA + 8,20% e o Tesouro tem dificuldade de colocar papel mesmo assim. Na leitura técnica, descreve um Ibovespa "na UTI", em lateralização, com o Brasil já bastante precificado por dentro e por fora.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Braskem (BRKM5): a Justiça de São Paulo concedeu blindagem de 60 dias contra credores, que rejeitaram o Projeto Catalyst (reperfilamento de mais de US$3,68 bilhões) como insatisfatório. A empresa já está em default pela S&P e com nota C pela Fitch, e sofreu novo corte de recomendação hoje.
  • Brava (BRAV3): a CVM suspendeu a OPA da Ecopetrol, de R$23 por ação, por tratamento desigual entre acionistas. A colombiana vai recorrer. A liquidação estava prevista para 7 de julho.
  • Azzas 2154 (AZZA3): contratou o Morgan Stanley para avaliar a venda da Farm Rio, cujo valor estimado, de R$4,4 bi a R$5,5 bi, supera o da própria Azzas. A ação chegou a subir perto de 11%.
  • Cosan (CSAN3): contratou o BTG para estudar alternativas para a fatia na Rumo (RAIL3). O presidente afirmou que a holding deve ser dissolvida em três a cinco anos e admitiu vender participação na Raízen (RAIZ4).
  • Petrobras (PETR4): encerra hoje a subvenção de R$0,35 por litro no diesel e inicia a redução no subsídio da gasolina, retomando o preço por paridade de importação. Anunciou também um mecanismo de banda para o gás natural.

🌎 Global

Dados econômicos

O ADP de junho decepcionou, com 98 mil vagas no setor privado, ante cerca de 120 mil esperadas e com revisão para baixo em maio. É um sinal de arrefecimento antes do payroll de quinta, adiantado por causa do feriado de 4 de julho. Em sentido contrário, o JOLTS de maio mostrou 7,59 milhões de vagas em aberto, máxima em um ano e acima do consenso, sinal de um mercado de trabalho ainda apertado. Na zona do euro, a inflação ao consumidor recuou a 2,8% em junho, puxada por energia, e praticamente encerrou o ciclo de altas do BCE. Na China, o PMI industrial da Caixin ficou em 51,7, sétimo mês em expansão, sustentado pela demanda externa ligada a tecnologia, enquanto a atividade doméstica segue fraca.

Política

O dia gira em torno de Sintra. Warsh estreia no palco internacional ao lado de Lagarde, do Banco da Inglaterra e do banco central canadense, e o mercado quer pistas sobre o rumo dos juros. Em junho, o novo presidente do Fed reforçou o viés contracionista, diante de uma inflação acima da meta. Há relatos de que pretende enxugar a comunicação do banco, com menos ênfase no gráfico de pontos, mas o consenso é de que não fará isso agora, em meio ao estresse. O contraste com a Europa ficou nítido. Enquanto os Estados Unidos precificam altas, o continente precifica o fim do seu ciclo.

Geopolítica e commodities

As negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram sem acordo. Enviados americanos estão em Doha com mediadores do Catar, sem encontro direto com os iranianos, e discute-se a liberação de cerca de US$6 bilhões em ativos congelados. O tráfego pelo Estreito de Ormuz ainda roda a um terço do nível pré-guerra. O avanço, mesmo parcial, derrubou o petróleo. O Brent cai perto de 1%, a US$72, e encerra o pior trimestre desde a pandemia, com queda superior a um quarto no período. O ouro escorrega para a casa de US$3.990, abaixo dos US$4.000, no pior trimestre desde 2013, pressionado pelo dólar forte e pela perspectiva de juro real mais alto. O minério de ferro caiu cerca de 1,7% com novas restrições da União Europeia à importação de aço. O bitcoin ronda US$58,6 mil.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • Prazo final de comentários escritos ao governo americano sobre a tarifa de 25% (Seção 301).
  • Petrobras encerra a subvenção ao diesel e inicia a redução no subsídio da gasolina.

Global:

  • 11:00 — ISM industrial dos Estados Unidos (junho).
  • 14:00 — Kevin Warsh (Fed) e Christine Lagarde (BCE) no Fórum do BCE, em Sintra. Catalisador do dia.
  • Próximas datas-chave: payroll de junho (quinta, 2/7), feriado nos EUA (4/7), audiência do tarifaço (6/7) e Copom (4-5/8).

Fontes: Morning calls de XP, BTG Pactual, Genial e Pablo Spyer; CNBC, Eurostat, ADP, CNN Brasil, Gazeta do Povo, InfoMoney e Seu Dinheiro.