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Colagem foto-real de fim de semestre: skyline financeiro ao amanhecer, parede de dólares dominando a cena e bandeira do Brasil com cédulas de real curvadas ao vento, pregão em vermelho ao fundo.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Café com Mercado — terça, 30/06/2026

14:10 BRT

O semestre fecha sob o giro do Fed rumo a juros mais altos e o dólar forte que daí decorre; o Caged veio em linha, o fiscal volta a pesar sobre o Ibovespa e as casas divergem entre corte da Selic em agosto e cautela.

Overview

O primeiro semestre fecha com Wall Street perto das máximas. Na segunda-feira, o S&P 500 subiu 1,18%, o Nasdaq avançou 2,07% e o Dow rompeu os 52 mil pontos pela primeira vez, com a entrada da Alphabet no índice. A tecnologia se recuperou da pior semana em meses. Mas o centro de gravidade saiu da geopolítica e voltou para o Fed. Sob o novo comando de Kevin Warsh, o banco central americano manteve os juros em 3,50%-3,75% em 17 de junho e passou a embutir no seu mapa de projeções não cortes, e sim altas ainda em 2026. O mercado, que começou o ano apostando em dois a três cortes, agora precifica até duas altas. O gatilho foi o PCE de maio, que acelerou a 4,1%, maior nível desde 2023, empurrado pelo petróleo da guerra no Irã. A leitura ganhou reforço com a abertura de vagas acima do esperado e com o dólar firme no exterior: o DXY supera 101 e o iene caiu ao menor nível em quarenta anos.

O Brasil entra na contramão. O dólar forte é o canal de transmissão que mais preocupa as casas, porque reabre o debate fiscal e o risco sobre a trajetória da Selic. As contas de maio mostraram déficit primário de R$56,1 bilhões no setor público consolidado e dívida bruta em 81,1% do PIB, o maior nível em cinco anos, o que tirou o Ibovespa da máxima histórica de 173.295 pontos. O Caged veio em linha, perto de 131 mil vagas, sem esfriar nem esquentar a aposta para o Copom de fim de julho. No radar imediato: o payroll de junho, antecipado para quinta pelo feriado nos Estados Unidos, a nova pesquisa Atlas na quarta e a audiência do USTR sobre o tarifaço em 6 de julho.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O destaque do dia é fiscal. O setor público consolidado registrou déficit primário de R$56,1 bilhões em maio, ante cerca de R$53 bilhões esperados e R$33 bilhões no mesmo mês de 2025. A dívida bruta avançou para 81,1% do PIB, o maior patamar desde 2021. A arrecadação segue resiliente, mas o gasto real cresceu 13% em cinco meses, muito acima do limite de 2,5% do arcabouço, com as despesas discricionárias de ano eleitoral e os benefícios previdenciários no centro da pressão. O Caged de maio, divulgado pela manhã, veio em linha: saldo de cerca de 131 mil vagas formais, perto do consenso, com Serviços à frente (70 mil) e acumulado de 1,05 milhão no ano. O número não muda a leitura de mercado de trabalho ainda apertado. O Boletim Focus trouxe sinal mais ameno na inflação: o IPCA de 2026 ficou estável em 5,33% e interrompeu quinze semanas seguidas de alta. Para 2027, porém, a mediana subiu pela sexta vez, a 4,17%, ainda acima do teto. A Selic terminal de 2026 seguiu em 14,00% e o IGP-M de junho recuou 0,50%.

Política

O tarifaço americano volta ao calendário. O USTR propõe tarifas sobre produtos brasileiros, de até 25%, com exceções para carne, café, frutas, suco de laranja e terras-raras. Os comentários por escrito vão até 1º de julho, a audiência pública está marcada para 6 de julho e a definição legal cai em 15 de julho. No tabuleiro eleitoral, a pesquisa BTG/Nexus mostrou segundo turno apertado, com Lula à frente de Flávio Bolsonaro por margem que encolheu nas últimas rodadas. A nova sondagem da Atlas sai na quarta. O governo lançou o Desenrola Adimplentes e ampliou o teto do MEI, medidas lidas como custo fiscal com intenção eleitoral. Na frente externa, a cúpula do Mercosul recolocou em foco o acordo com a União Europeia.

Mercado

O Ibovespa recuou da máxima da sexta e passou o pregão em torno de 172 mil pontos, no vermelho. O dólar firmou perto de R$5,17 e o estrangeiro segue vendedor, com saída perto de R$8 bilhões no mês. É no Copom que mora a divergência mais clara entre as casas. A Genial é a mais propensa ao corte no calendário: lembra que o Banco Central "corta 25 pontos sempre que tem espaço" e vê mais de 50% de chance de redução já em agosto. A XP também trabalha com mais um corte de 0,25 ponto neste ano, para uma Selic de 14,00%, embora reconheça que as expectativas pioraram. O BTG é o mais cético: lê o ciclo como decisão reunião a reunião e avisa que, se houver corte, será gradual, porque "a prescrição é cortar, mas a execução está difícil" com inflação adversa e câmbio pressionado. Acima de tudo paira um temor comum: o dólar globalmente forte. A Genial o aponta como o maior risco do momento, "mais importante que as eleições", em linha com a virada do Itaú para duas altas do Fed e com a tese de dólar forte do HSBC. Na renda fixa, a curva de DI cedeu um pouco após o Focus, e a XP mantém a NTN-B 2035 como vencimento preferido, perto de 8,10%.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Braskem (BRKM5) — rebaixada pela Fitch (para C) e pela S&P (para D, equivalente a default) após a tutela cautelar que congela a cobrança de credores por 60 dias; o "Projeto Catalyst" foi rejeitado pelo grupo de credores. Ainda assim, a ação subiu perto de 5% na segunda, em repique técnico.
  • Azzas 2154 (AZZA3) — contratou o Morgan Stanley para avaliar a venda da Farm Rio ou uma abertura de capital nos Estados Unidos; a marca, "joia da coroa", é avaliada acima de R$1 bilhão. A ação opera em mínimas, em meio a atrito de governança.
  • Brava (BRAV3) / Ecopetrol — a OPA foi a leilão em 25 de junho, a R$23 por ação por cerca de 25% do capital; se bem-sucedida, a Ecopetrol chega a 51% e assume o controle.
  • Cosan (CSAN3) / Rumo (RAIL3) — a Cosan contratou o BTG para avaliar a venda da fatia de cerca de 20% na Rumo e reduzir a dívida; a Ultrapar desistiu de ampliar participação na ferrovia.
  • Raízen (RAIZ4) — prejuízo de R$7,3 bilhões no 4º trimestre, receita -11,1% e Ebitda ajustado +46%; foco em desalavancagem.
  • Movida (MOVI3) — assumiu contratos de frota da Copel, em operação de cerca de R$100 milhões ao ano.

🌎 Global

Dados econômicos

A segunda-feira foi de repique em Nova York, após a pior semana de tecnologia em meses. O S&P 500 subiu 1,18%, aos 7.440 pontos; o Nasdaq ganhou 2,07%; o Dow fechou em 52.182, primeiro fechamento acima dos 52 mil, com a estreia da Alphabet no índice. Nesta terça, os índices oscilam perto dos recordes no encerramento do trimestre. A abertura de vagas de emprego (JOLTS) surpreendeu para cima, em torno de 7,6 milhões, sinal de mercado de trabalho ainda apertado. Na China, o PMI industrial oficial de junho veio em 50,3, terceiro mês em expansão, puxado pela demanda externa de tecnologia. Na Europa, a inflação cedeu na França e na Itália, e as bolsas renovaram máximas.

Política

O eixo da semana é o Fed. Sob o novo comando de Kevin Warsh, o mapa de projeções virou: o mercado saiu de dois a três cortes no início do ano para a hipótese de até duas altas em 2026, diante de um discurso mais duro de recomposição de credibilidade frente à inflação resistente. O PCE de maio a 4,1% reforçou a guinada. O juro de dez anos americano recuou para perto de 4,38%, enquanto o dólar segue firme, com o DXY acima de 101. Na Europa, Christine Lagarde sinalizou que o BCE pode elevar juros nas próximas reuniões, um tom igualmente mais duro.

Geopolítica e commodities

A trégua entre Estados Unidos e Irã perdeu força como motor de mercado. Há conversas em Doha nesta terça, embora o Catar negue uma reunião de alto nível; o Irã reafirma o controle do Estreito de Ormuz, onde o fluxo se normaliza. O petróleo devolveu o prêmio de guerra: o Brent ronda US$73 e o WTI, US$70, após queda de cerca de 30% no trimestre, a pior desde a pandemia. O ouro recuou para perto de US$3.990, abaixo dos US$4.000, no pior trimestre desde 2013. A prata caiu cerca de 20% no mês. O Bitcoin opera perto de US$59 mil, menor nível em um ano. O iene, no menor patamar em quarenta anos, mantém viva a expectativa de intervenção de Tóquio.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • Manhã — Caged de maio (MTE), divulgado: saldo perto de 131 mil vagas, em linha.
  • Dia todo — PTAX de fim de mês e rebalanceamento de carteiras no encerramento do 1º semestre.

Global:

  • Manhã (EUA) — abertura de vagas JOLTS (acima do esperado), PMI de Chicago e confiança do consumidor (Conference Board).
  • Manhã (China) — PMI industrial oficial de junho, em 50,3.
  • Próximas datas-chave: ISM industrial (1/7), payroll de junho (quinta, 2/7, catalisador), feriado nos Estados Unidos (4/7) e audiência do USTR sobre o tarifaço (6/7).

Fontes: morning calls transcritos da XP, BTG, Genial e Pablo Spyer; Caged de maio (Poder360), InfoMoney — déficit e dívida, CNBC — PCE de maio, CNN — Fed sob Warsh e CNN — conversas EUA-Irã em Doha.