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Colagem foto-real com wafer de memória brilhando, pregão em alta, petroleiro saindo de um estreito ao amanhecer, cifrão do dólar com cédulas ao vento e a bandeira do Brasil sobre um skyline financeiro.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Café com Mercado — quinta, 25/06/2026

12:00 BRT

Micron e SK Hynix incendeiam o Nasdaq e a aposta em IA volta com força; petróleo abaixo de US$70 e dólar na máxima do ano convivem com um Fed que o mercado já vê subindo juros, enquanto o IPCA-15 mais fraco e um BC mais cauteloso reabrem o debate sobre o fim do ciclo de corte.

Overview

A aposta em inteligência artificial voltou a comandar o pregão. O balanço da Micron, divulgado após o fechamento de ontem, veio muito acima do consenso e enterrou a rotação contra a tecnologia que abrira a semana. A ação saltava cerca de 18% no pré-mercado e puxava o futuro do Nasdaq para +1,9%, com a Coreia em alta de 5% e o Japão perto disso. A SK Hynix reforçou o tema ao protocolar um IPO de quase US$30 bilhões na Nasdaq, o segundo maior já registrado. Nas commodities, o roteiro é oposto: o petróleo devolveu todo o prêmio da guerra, com o Brent abaixo de US$73 e o WTI rompendo US$70, à medida que o tráfego no Estreito de Ormuz se normalizou. O dólar opera na máxima de quinze meses, com o DXY perto de 102; o ouro perdeu os US$4.000 e o bitcoin ronda mínimas de anos.

O Brasil entra na contramão dessa maré. O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, abaixo do consenso, e reforçou o caso de desinflação mesmo com um Banco Central mais cauteloso. O Relatório de Política Monetária elevou a projeção de PIB de 2026 para 2,0% e empurrou para o início de 2028 o horizonte de convergência da inflação à meta. Na coletiva, Galípolo pediu cautela e serenidade. Volta a pergunta central: com a Selic em 14,25%, o ciclo de corte acabou ou ainda cabe mais uma redução em agosto? No radar das decisões pendentes estão o Copom de agosto, um Fed que o mercado agora vê subindo juros, a tarifa de 25% dos Estados Unidos (audiência em 6/7) e o ruído fiscal de ano eleitoral. O real roda perto de R$5,20.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IPCA-15 de junho avançou 0,41%, ante 0,62% em maio e abaixo da mediana de 0,44% das projeções. No acumulado em doze meses, a prévia desacelerou para 4,80%. A pressão veio de alimentação e habitação, com a energia elétrica entre os principais vilões. O Relatório de Política Monetária trouxe o recado de fundo do BC: revisão do PIB de 2026 de 1,6% para 2,0%, crédito mantido em 9,0% e déficit em conta corrente um pouco menor, em US$56 bilhões. A autoridade reiterou que pretende combinar pausas e retomadas nos cortes para levar a inflação à meta de 3% apenas no começo de 2028.

Política

Na coletiva pós-relatório, Galípolo reforçou um tom de cautela e serenidade, lido como um BC mais contido nos próximos passos. No front externo, o governo prepara a estreia do Brasil em panda bonds: uma emissão soberana em iuanes de até ¥5 bilhões, cerca de US$735 milhões, com Haddad e Durigan na China. A negociação da tarifa americana segue travada. A audiência da USTR está marcada para 6/7, mas o Planalto deve ignorá-la e apostar em canal direto com Trump. No Congresso, Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado após virar alvo de operação da Polícia Federal. E o mercado acompanha o racha entre Michelle e Flávio Bolsonaro, de olho no efeito sobre a corrida eleitoral.

Mercado

Ontem o Ibovespa caiu 0,44%, aos 170.506 pontos, pressionado por Vale e Petrobras. Nesta manhã recuperava cerca de 1%, na casa dos 172 mil, ajudado pelo IPCA-15 mais fraco e pela virada externa. A leitura técnica é de acomodação perto da média de 200 períodos, com o movimento de baixa perdendo força; pelo BTG, a reversão só se confirma acima de 175 mil pontos. O dólar esbarra em resistências em R$5,24 e R$5,30.

Há divergência clara entre as casas sobre o próximo passo do Copom. De um lado, Itaú BBA, BTG e Genial trabalham com pausa em agosto e Selic estacionada em 14,25% até o fim do ano; o Goldman Sachs foi além e elevou sua projeção de fim de 2026 para 14,00%, abandonando o corte. De outro, XP e Inter mantêm a porta aberta para mais uma redução de 0,25, com o Inter no extremo mais dovish ao projetar 12,75% em 2026. A disputa se estende ao Fed: o BTG revisou seu cenário para três altas de juros nos Estados Unidos a partir de setembro, alinhado ao Bank of America, enquanto boa parte do mercado ainda vê os juros parados.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Braskem (BRKM5) — iniciou mediação com credores e protocolou pedido de tutela cautelar na 2ª Vara de Falências de São Paulo para conter a pressão dos bancos; a ação já cede cerca de 30% em junho.
  • Brava (BRAV3) — o leilão da OPA da Ecopetrol, previsto para hoje, não ocorreu: a CVM suspendeu a oferta por tratamento não equitativo e a Ecopetrol vai recorrer, com 30 dias para sanar exigências.
  • Petrobras (PETR4) — o campo de Búzios bateu recorde de produção, em 1,1 milhão de barris/dia.
  • Americanas (AMER3) — a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação sobre a fraude bilionária, com duas prisões e sequestro de R$500 milhões.
  • B3 (B3SA3) — a Superintendência do Cade recomendou condenação por prática anticoncorrencial, com multa estimada perto de R$100 milhões.
  • BB Seguridade (BBSE3) — aprovou R$3,85 bilhões em dividendos.

🌎 Global

Dados econômicos

O dado do dia foi o PCE de maio nos Estados Unidos, deflator preferido do Fed. O índice cheio subiu 0,5% no mês e 4,1% em doze meses; o núcleo avançou 0,3%, com a taxa anual acelerando para 3,4%. Renda das famílias (+0,7%) e gasto real (+0,3%) vieram firmes, e a terceira leitura do PIB do primeiro trimestre foi revisada para +2,1% anualizado. Como os números não vieram piores que o temido, o dólar até aliviou um pouco após a divulgação e o real ensaiou recuperação.

Política

A primeira reunião do Fed sob Kevin Warsh consolidou um tom mais duro, e o mercado passou a precificar uma alta de juros em setembro, não um corte. O BTG e o Bank of America vão além e projetam três altas até dezembro. No campo regulatório, os seis maiores bancos americanos passaram no teste de estresse do Fed, e o Morgan Stanley já anunciou aumento de 15% no dividendo. No Japão, a ala dura do Banco do Japão defende novas altas e o iene segue perto da mínima histórica, com o dólar acima de ¥161.

Geopolítica e commodities

O petróleo é o termômetro da desescalada. Com o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã de pé e o tráfego em Ormuz normalizado, o Brent voltou aos níveis anteriores ao conflito, abaixo de US$73, e o WTI rompeu US$70 pela quarta sessão seguida. O Iraque ameaça deixar a OPEP se não puder elevar sua cota, ruído que ainda não move preços. O dólar forte e o Fed duro castigam os metais: o ouro perdeu os US$4.000 e a prata caiu cerca de 5%. Na Ásia, o Hang Seng recuou 1,4%, puxado pela Alibaba após disputa sobre uso de modelo de IA, enquanto o CSI 300 subiu 1,6%. Fora dos mercados, terremotos de magnitude 7,1 e 7,5 atingiram Caracas.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 9h — IPCA-15 de junho, IBGE (catalisador-mãe, já divulgado: +0,41%)
  • 8h / 11h — Relatório de Política Monetária e coletiva de Galípolo (Banco Central)

Global

  • 9h30 — PCE de maio e 3ª leitura do PIB do 1º trimestre, EUA (já divulgados)
  • À tarde — falas de dirigentes do Fed
  • Próximas datas-chave: payroll dos EUA na 1ª semana de julho, audiência tarifária EUA-Brasil em 6/7, próximo Copom em agosto.

Fontes: morning calls transcritos — XP, BTG, Genial, Pablo Spyer, Bloomberg Brief; notícias — IPCA-15, RPM/PIB, PCE, Ibovespa, Braskem, Brava/Ecopetrol.