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Colagem foto-real com pregão ao anoitecer, wafer de memória, petroleiro saindo do Estreito de Ormuz e a bandeira do Brasil sobre cédulas ao vento.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Café com Mercado — quarta, 24/06/2026

17:20 BRT

A Micron encerra o debate do superciclo de IA com um balanço muito acima do esperado; o Brasil interrompe dois dias na contramão e cede com o tombo do petróleo; e a ata do Copom abre a disputa entre pausa e mais um corte, com o dólar na máxima de um ano.

Overview

O susto da rotação contra a inteligência artificial, que evaporou cerca de US$1,3 trilhão das bolsas de Nova York na segunda e na terça, perdeu força nesta quarta. Wall Street ensaiou um repique tímido e seletivo, com S&P 500 e Nasdaq no azul de fração de ponto e o Dow de lado, todo o mercado parado à espera do balanço da Micron, divulgado após o fechamento. O número encerrou o debate: receita de US$41,5 bilhões contra consenso perto de US$35 bilhões, e lucro de US$25,11 por ação ante projeção própria de US$19,15. A leitura é direta: o ciclo de memória e IA segue de pé. Na Ásia, a Coreia já havia feito recuperação em V (Kospi +3,3%, Samsung perto de +10% com rumor de recompra) depois das duas paradas automáticas da véspera. O contraponto veio do petróleo, que voltou a cair: o Brent rompeu US$75, menor patamar desde fevereiro, com a normalização do tráfego em Ormuz e a desescalada entre Estados Unidos e Irã.

O dólar segue no comando. O DXY renovou máxima de um ano (~101,7), sustentado por um Fed mais duro sob Kevin Warsh, cujo balanço de riscos de 17 de junho já não traz corte em 2026. O Brasil descolou da maré externa por dois pregões, mas devolveu parte nesta quarta: o Ibovespa recuou 0,21%, para perto de 170,9 mil pontos, puxado pela Petrobras na esteira do petróleo, enquanto o real voltou a rondar R$5,20. As decisões pendentes concentram o debate. A ata do Copom reabriu a disputa entre pausa em 14,25% e mais um corte em agosto. O PCE americano sai amanhã. E o país recebe, também amanhã, o IPCA-15 e o Relatório de Política Monetária com a coletiva de Galípolo.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

A agenda doméstica foi leve. A Confiança do Consumidor da FGV ficou praticamente estável, recuando 0,1 ponto, a 88,7. O grosso vem amanhã, com o IPCA-15 de junho (consenso perto de +0,46%) e o Relatório de Política Monetária. No mercado de juros, as taxas reais seguem altas, com as NTN-Bs longas pagando acima de IPCA + 8,5%, e o Tesouro chegou a cancelar leilão — sinal amarelo de demanda fraca mesmo com prêmio gordo. A combinação de fiscal frouxo e juro longo americano em alta sustenta o prêmio na ponta longa.

Política

No IOF, segue valendo a decisão de Alexandre de Moraes que validou a alta do imposto e suspendeu apenas a cobrança sobre o risco sacado, sem fato novo hoje; o plenário do STF ainda referenda o entendimento. Na frente externa, o tarifaço americano de 25% aguarda a reunião de 6 de julho, e Lula espera a ligação de Trump para abrir a negociação. O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, abriu agenda na China em fórum de finanças verdes. O caso Banco Master/BRB ganhou novo capítulo: o BRB afastou três funcionários após a "Operação Parasitas" da Polícia Civil do DF, sobre descontos não autorizados em contas de aposentados.

Mercado

O Ibovespa vinha na contramão do mundo. Bateu o Nasdaq por dois pregões seguidos, blindado pela exposição quase nula a semicondutores e pelo alívio do petróleo, mas a força renovada do dólar cobrou seu preço nesta quarta. É na leitura do Copom que as casas mais se afastam, e há divergência clara sobre o próximo passo da Selic. O placar do mercado está dividido ao meio: o levantamento Broadcast aponta dezesseis instituições vendo o fim do ciclo em 14,25% e outras dezesseis apostando em mais um corte de 0,25 ponto em agosto. A XP lê o "plano de voo" da ata — assimetria altista e inflação na meta só em 2028 — como sinal de pausa em agosto. O BTG classifica o comunicado de "leniente e heterodoxo", por dilatar o horizonte relevante até 2028 para justificar o afrouxamento, e enxerga perda de credibilidade do Banco Central. A Genial vai além: Roberto Motta lê a ata como escolha deliberada de "acomodar uma inflação mais alta", projeta IPCA perto de 5,5% e chama de jogo perigoso fazê-lo num país de memória inflacionária.

A segunda divergência é sobre o Fed. O BTG revisou o cenário e agora projeta três altas de juros nos Estados Unidos em 2026; a Genial puxa para o lado oposto, acha que o mercado superestima o aperto e resume o dia apontando o DXY como o que "manda em tudo", a caminho de 105 caso o aperto se confirme. Sobre o índice, a leitura também racha. A XP vê o descolamento do Brasil atraindo de volta o fluxo estrangeiro, com a Petrobras como porta de entrada; o Itaú BBA reconhece a bolsa barata, mas pondera que o gringo não vê urgência — o saldo estrangeiro está negativo em R$4,3 bilhões em junho. Na ponta técnica, a Genial enxerga um fundo duplo, com proteção abaixo de 167,6 mil e confirmação só na superação de 174,2 mil. Sobre a IA, o BTG põe a Micron no centro do dia, enquanto a Genial lembra que o evento da semana é mesmo o PCE.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Brava (BRAV3): a CVM suspendeu a OPA da Ecopetrol por tratamento desigual entre acionistas; a B3 cancelou o leilão previsto para 25/6 e a colombiana tem até 30 dias para recorrer.
  • Ambipar (AMBP3): o Chapter 11 em Houston virou disputa bilionária, com Bradesco, BB, Caixa e Sumitomo contestando o plano que prioriza os detentores de bonds; a empresa avalia deixar a recuperação judicial e adiou o balanço.
  • Braskem (BRKM5): sob novo controle da IG4 Capital, dividido com a Petrobras, corre para fechar a reestruturação da dívida ainda em junho.
  • Copasa (CSMG3): privatização concluída — a Equatorial pagou R$5,5 bilhões por 30% da companhia.
  • Azzas 2154 (AZZA3): a família Hering contratou o BR Partners para tentar recomprar a marca Hering, em meio à briga entre os sócios.
  • Bradesco (BBDC4): aprovou R$3,5 bilhões em juros sobre capital próprio.

🌎 Global

Dados econômicos

O balanço da Micron foi o dado do dia e veio como divisor de águas para a tese de IA. A receita de US$41,5 bilhões e o lucro de US$25,11 por ação superaram com folga o consenso (cerca de US$35 bilhões e US$20,72) e a própria projeção da companhia, num trimestre impulsionado pela demanda de memória de alta largura de banda. A ação acumulava perdas expressivas na ressaca da rotação — o índice de semicondutores caiu cerca de 8% na véspera — antes de o número virar o humor no pós-mercado. A agenda americana, de resto, foi leve; o prato principal, o PCE de maio (consenso de 0,3% no mês), fica para amanhã.

Política

O Fed sob Warsh consolidou o viés duro: o balanço de riscos de 17 de junho retirou o corte de 2026 e nove dos dezenove dirigentes já sinalizam ao menos uma alta. O mercado futuro embute cerca de 36% de chance de aperto em julho e perto de 50% em setembro; o BTG foi além e passou a projetar três altas no ano. No Japão, o resumo de opiniões do BoJ reforçou o viés de alta, mas o iene seguiu colado à mínima desde 1986, perto de ¥161,6. Na China, o PBoC manteve as taxas de referência e sinalizou espaço para afrouxar adiante.

Geopolítica e commodities

A desescalada entre Estados Unidos e Irã dominou as commodities. Petroleiros voltaram a transitar por Ormuz e o Senado americano aprovou, por 50 a 48, resolução para limitar uma guerra com Teerã. O Brent caiu para baixo de US$75 e o WTI rondou US$70, devolvendo o prêmio de guerra. O dólar forte e o juro real alto pesaram sobre os metais: o ouro recuou cerca de 3%, para perto de US$3.990, a prata perdeu os US$60 e o minério ficou abaixo de US$100 a tonelada. O Bitcoin escorregou para a mínima de duas semanas, ao redor de US$62,5 mil. Para o Brasil, o efeito do petróleo é ambíguo: derruba a Petrobras e a arrecadação, mas o diesel mais barato alivia a inflação de curto prazo — embora, como observou a Genial citando a Apollo, gasolina barata também signifique mais renda e, no limite, mais inflação nos Estados Unidos.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • Já divulgada: Confiança do Consumidor (FGV/IBRE), a 88,7.
  • Amanhã, 9hIPCA-15 de junho (IBGE).
  • Amanhã — Relatório de Política Monetária e coletiva de Gabriel Galípolo (BCB).

Global:

  • Após o fechamento de hoje — balanço da Micron (já divulgado; catalisador-mãe do superciclo de IA) e testes de estresse dos bancos (Fed).
  • Amanhã, 9h30 (NY)PCE de maio, pedidos de seguro-desemprego e PIB final do 1º trimestre (EUA).
  • Próximas datas-chave: payroll dos EUA (início de julho) e reunião tarifária Brasil-EUA (6/7).

Fontes: morning calls transcritos — XP, BTG Pactual (com Matheus Spiess), Genial (Villegas e Motta) e Pablo Spyer; InfoMoney, Money Times, Exame, CNN Brasil, Bloomberg Línea; SEC/Micron, CNBC e TradingKey.