Dossiê Macro Semanal · 16 a 23 de outubro de 2026

Dúvida sobre o retorno da IA derruba bolsas e Treasuries, Irã sustenta o petróleo e o segundo turno chega empatado

A queda do Nasdaq na quinta levou os juros americanos para baixo e quase apagou a chance de alta do Fed em outubro, o Brent foi ao maior nível desde maio com a escalada no Golfo, e no Brasil o Datafolha mostra empate nos votos válidos a dois dias da votação, com o IPCA-15 abaixo do esperado.

A semana mudou de natureza na quinta-feira, 22 de outubro, quando a desconfiança sobre o retorno dos gastos em inteligência artificial derrubou o Nasdaq e a Meta, levou ouro, prata e cobre junto e fez os Treasuries cederem em juros apesar de a inflação americana continuar alta. O mercado deixou de precificar um Fed pressionado pelo CPI e passou a precificar crescimento mais fraco: a probabilidade de alta em 28 de outubro foi a quase nada, e a de dezembro ficou entre dois terços e quatro quintos conforme a fonte. Para a alocação, isso desloca o debate da data da próxima alta para a sustentação dos lucros de tecnologia, que seguram os índices americanos.

O petróleo andou em direção oposta ao resto dos ativos de risco. O Brent fechou a quinta no maior nível desde o início de maio, depois de ataques dos houthis a alvos sauditas, da preparação de saídas ordenadas em embaixadas do Golfo e da reportagem do New York Times sobre planos americanos e israelenses de atacar o Irã depois das eleições legislativas de 3 de novembro. Como o choque vem de oferta, ele mantém a inflação de energia elevada mesmo com o crescimento esfriando, e é isso que impede os bancos centrais de acompanharem a queda dos juros longos com cortes.

No Brasil, o preço dos ativos concentrou-se na eleição. O Datafolha de 22 de outubro registrou empate nos votos válidos e a Quaest deu vantagem de um ponto para Flávio Bolsonaro, o que contrasta com o fluxo cambial da semana seguinte ao primeiro turno, o maior da série do Banco Central, e indica um mercado posicionado para a vitória de Flávio. Um resultado a favor de Lula, que o especialista da StoneX Leonel Mattos descreve como não precificado, tende a produzir reversão em câmbio e bolsa, enquanto uma vitória de Flávio deve render ganho adicional menor. O IPCA-15 de outubro, abaixo do consenso, reforça o corte de um quarto de ponto no Copom de 3 e 4 de novembro, e a curva pré quase não se moveu na semana.

O DIFF da semana

IndicadorSemana anteriorEsta semanaVariação
Focus: edição de 19/10 (dados de 16/10) contra a edição de 12/10 (dados de 09/10)
Selic fim de 202613,25%13,25%=
Selic fim de 202712,00%12,00%=
IPCA 20265,2245%5,2190%▼ 0,006 p.p.
IPCA 20274,30%4,3206%▲ 0,02 p.p.
PIB 20261,8466%1,8301%▼ 0,02 p.p.
PIB 20271,40%1,3246%▼ 0,08 p.p.
USD/BRL fim de 20265,15355,1320▼ 0,02
USD/BRL fim de 20275,265,2213▼ 0,04
Política monetária e inflação corrente (taxas vigentes)
Selic13,75%13,75%=
IPCA-15 de outubro (m/m)0,70% (set)0,32%*▼ 0,38 p.p.
Fed funds3,75–4,00%3,75–4,00%= (FOMC 28/10)
BCE, depósito2,50%2,50%= (decisão 29/10)
BoE3,75%3,75%= (05/11, alta >90%)
BoJ1,25%1,25%= (decisão 30/10)
CPI Reino Unido, set (a/a)3,1% (ago)3,5%▲ 0,4 p.p.
Juros (fechamentos; Tesouro dos EUA e MOF oficiais, Europa por fontes de mercado)
UST 2 anos4,77%4,65%▼ 12 p.b.
UST 10 anos5,10%4,96%▼ 14 p.b.
UST 30 anos5,43%5,29%▼ 14 p.b.
Bund 10 anos (23/10)3,46%3,35%▼ ~11 p.b.
JGB 10 anos2,958%2,914%▼ 4 p.b.
Gilt 10 anos (23/10)n/d5,36%▼ 3,8 p.b.
OAT 10 anos (23/10)4,79% (derivada)5,02%▲ ver nota
BTP 10 anos (23/10)n/d4,58%▲ 7 p.b.
Curva e câmbio no Brasil
ETTJ pré 1 ano (ANBIMA)12,8966%12,8909%≈ −0,6 p.b.
ETTJ pré 5 anos12,9602%12,9244%▼ 3,6 p.b.
ETTJ pré 10 anos12,9787%12,9498%▼ 2,9 p.b.
NTN-B 2035 (taxa indicativa)6,8493%6,7779%▼ 7,1 p.b.
NTN-F 01/01/202713,2469%13,2643%▲ 1,7 p.b.
DI Jan/2713,517%n/vn/v
PTAX venda5,05215,0383▼ 0,014
Ibovespa204.324204.120▼ 0,1%
Dólar, commodities e bolsas americanas (quinta 22/10 contra a base do snapshot)
DXY101,97101,61▼ 0,4%
EUR/USD1,12221,1213≈
USD/JPY~158,2156,83▼ 0,9%
Brent (fechamento)109,86113,17▲ 3,0%
WTI (fechamento)101,4199,47▼ 1,9%
Ouro4.1814.060▼ 2,9%
Minério de ferro90,5790,73 (baixa confiança)≈
Soja (cents/bushel)1.2601.253▼ 0,6%
S&P 5007.7447.663▼ 1,0%

* IPCA-15 de outubro conforme a Money Times (23/10); o número do IBGE não foi aberto. n/d: sem base comparável. n/v: não verificado. O Bund e a OAT têm bases derivadas e divergentes entre fontes; o detalhe está nos Caveats.

Brasil

Inflação, Focus e juros

O IPCA-15 de outubro, divulgado nesta sexta, ficou em 0,32% na leitura da Money Times, contra 0,44% esperado, e a economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawauti, interpreta o resultado como espaço para novos cortes da Selic. A leitura faz sentido junto com o Focus: a mediana manteve a Selic de fim de 2026 e de 2027 onde estava, de modo que o mercado ainda trabalha com o corte de novembro e uma pausa depois, e a surpresa baixista da inflação de curto prazo reduz o risco de que o Copom precise interromper a sequência antes do previsto.

As revisões do Focus ficaram em atividade e câmbio, conforme a tabela do DIFF. O PIB caiu nos dois anos, com o corte maior em 2027, o que combina com a sequência de dados fracos de agosto que o dossiê anterior registrou. O câmbio projetado para o fim do ano segue acima do PTAX da semana, e a distância entre os dois indica que os projetores ainda não incorporaram o real mais forte vindo do fluxo eleitoral; se o resultado do segundo turno confirmar o cenário de alternância, a direção natural da revisão é para baixo.

A curva pré andou de lado entre 15 e 22 de outubro, com os vértices de 5 e 10 anos cedendo poucos pontos-base e o de 2 anos subindo, como mostra o gráfico da estrutura a termo. A NTN-B 2035 recuou mais, cerca de 7 pontos-base, o que sugere que a queda dos juros reais americanos e a inflação corrente mais branda pesaram mais que o risco fiscal. Para quem carrega prefixados, a assimetria da semana que vem está no resultado da urna e na reação do DI, já que o movimento posicional pós-primeiro turno deixou pouco prêmio a ser capturado em caso de vitória de Flávio.

Curva pré (ETTJ ANBIMA): semana a semanafechamento de 22/10
Linha tracejada: 15/10. Linha azul: 22/10 (último dia disponível). Vértices de 1, 2, 5 e 10 anos. Fonte: ANBIMA (ETTJ, ms261022.txt e CZ-down) e painel AZ (br_ettj.json). Unidade: % ao ano.

Eleição, fiscal e câmbio

As duas pesquisas mais recentes mostram o segundo turno fechando: o Datafolha de 22 de outubro registrou empate nos votos válidos, depois de vantagem de Flávio Bolsonaro nas duas pesquisas anteriores do instituto, e a Quaest de 21 de outubro trouxe queda da rejeição de Lula, que o próprio instituto trata como empate técnico. Thiago Salomão, do Market Makers, havia dito em 19 de outubro que o debate de domingo foi um não evento e que quem está à frente mantém a vantagem; a série posterior mostra que a vantagem encolheu. As pesquisas finais de Quaest e Datafolha saem neste sábado, e é nelas que o mercado vai buscar o último sinal antes da urna.

PesquisaCampoFlávioLulaObservação
Datafolha (divulg. 22/10)20 a 22/1050%50%votos válidos; margem de 2 p.p.
Datafolha (15/10)–51%49%votos válidos
Datafolha (08/10)–52%48%votos válidos
Quaest (divulg. 21/10)17 a 20/1045%44%votos totais; rejeição de Lula 53% → 47%

No fiscal, as entrevistas da semana convergem em que o ajuste de 2027 independe do vencedor. Matheus Spiess, estrategista da Empiricus, afirmou no Giro do Mercado que o ajuste é inevitável mesmo com Lula reeleito, embora a expectativa do mercado sobre a dimensão necessária tenha diminuído, e que uma vitória de Flávio seria mais favorável ao ajuste sem que nenhum dos dois tenha proposta concreta. Leonel Mattos, da StoneX, acrescentou que as medidas anunciadas pelo governo, do teto do MEI ao fim da escala 6×1 e ao Pix de R$ 5.000, pesam no orçamento de 2027 sem fonte de financiamento definida, e que o investidor olha mais para os quatro anos do mandato que para essas medidas isoladas.

Sobre o câmbio, a transcrição da entrevista de Mattos traz que a semana seguinte ao primeiro turno teve a maior entrada líquida pela conta financeira desde o início da série em 2008, parcialmente compensada por importadores que anteciparam compras com o dólar abaixo de R$ 5. Ele projeta valorização adicional do real e da bolsa com a vitória de Flávio, em intensidade menor, e reversão com a de Lula. A balança comercial dá sustentação ao fluxo, com superávit na terceira semana de outubro, e o Ibovespa terminou a semana praticamente na base, conforme o DIFF, sem confirmação do fechamento oficial de sexta.

O que as casas revisaram

A varredura desta rodada não localizou revisões de projeção de bancos e gestoras brasileiras datadas depois de 15 de outubro; o índice de busca devolveu comentários de mercado sem projeção numérica e resumos do Focus. A única atualização com data nova no mapa de projeções é a do Santander, que elevou o IPCA de 2026 para 5,2% em 9 de outubro, e as demais posições permanecem as últimas datadas conhecidas. Isso deve ser lido como lacuna de cobertura, não como ausência de revisões, e a próxima rodada deve repetir a busca casa a casa nos sites primários.

Mapa de projeções: Selic e IPCA de fim de 2026, por casa
Barra laranja: mediana do Focus (edição de 19/10, dados de 16/10). Cada casa aparece com a projeção mais recente que a pesquisa localizou; a data está no tooltip. Só Focus, Inter, PicPay, Goldman, Itaú e Santander (IPCA) têm data de outubro. Casa sem IPCA 2026 localizado aparece só com a barra da Selic. Fonte: painel AZ (previsoes-macro.json, última atualização 01/10), BCB (API Olinda) e imprensa. Unidade: % ao ano.
CasaSelic fim de 2026IPCA 2026Data da projeção
Focus (mediana)13,25%5,22%dados de 16/10
ASA13,25%–15/09
BofA13,25%5,00%14/09
Bradesco13,25%4,90%18/09
Inter13,25%–09/10
Safra13,25%4,80%17/09
XP13,25%5,00%14/09
PicPay13,50%–09/10
Santander13,50%5,20%Selic 25/09; IPCA 09/10
BB, Citi, JPMorgan13,75%–15/09
BTG13,75%5,20%15/09
Genial13,75%5,00% (de 05/08)15/09
Goldman13,75%5,20%07/10
Itaú13,75% (27/09)5,10%IPCA: 09/10
Evolução do Focus: Selic e IPCA de fim de 2026
Mediana do Focus por coleta semanal, 07/08 a 16/10 (onze coletas). Fonte: BCB (API Olinda, ExpectativasMercadoAnuais). Unidade: % ao ano.

Global, por região

Estados Unidos e Fed

O Fed está em blackout desde 17 de outubro e o mercado precifica manutenção na reunião de 28 de outubro, uma mudança grande em relação à semana anterior, quando o CPI de setembro havia levado a chance de alta para perto da metade e ela agora está em um dígito baixo ou pouco mais, conforme a fonte. O gatilho foi a fala do presidente Kevin Warsh em Bangkok, em 16 de outubro, em que disse não prejulgar reuniões e que o mundo tem se conformado de modo geral às expectativas do comitê, o que o Trading Economics leu como sinal moderado. Hammack, de Cleveland, defendeu no dia anterior mais altas com flexibilidade de ritmo, de modo que a ala dura segue ativa, mas sem o respaldo do dado.

Os dados da semana apontam para um consumidor ainda firme: pedidos de seguro-desemprego abaixo do esperado e sentimento final da Universidade de Michigan acima do consenso, conforme a tabela abaixo. Os PMIs preliminares de outubro saíram nesta sexta e a rodada só conseguiu o consenso, de modo que o dossiê não os comenta. Combinado com um CPI de setembro ainda alto, esse quadro explica por que os bancos mantêm alta em dezembro como caso-base mesmo depois da queda dos juros longos.

Dado dos EUAResultadoEsperadoData
Pedidos de seguro-desemprego (mil)19420022/10
Michigan, sentimento final de outubro48,046,323/10
CPI de setembro (a/a, publicado em 14/10)3,7%3,6%14/10

Os Treasuries concentraram a mudança de humor. O 10 anos terminou a semana em torno de 4,96%, mínima de cerca de um mês, com queda de 14 pontos-base, e a fonte de mercado atribui o movimento a venda em ações de IA e busca de segurança, sem causa única. No Bank of America, Michael Hartnett encerrou o sinal de venda do Bull & Bear e reduziu a posição vendida em Treasuries longos, o que aponta na mesma direção. A curva inteira caiu em bloco, como mostra o gráfico de variação dos juros, e portanto o movimento é de nível, não de inclinação.

No lado das ações, a quinta concentrou a perda: o Nasdaq caiu 2,6% e fechou abaixo da média de 100 dias, com a Meta recuando cerca de 7% pelos planos de gasto. Rodrigo Privorotsky, da Goldman Sachs, descreve o movimento como rotação e não liquidação, com perdas em tecnologia e ganhos em small caps, enquanto Hartnett recomenda não comprar tecnologia agora e só rever em meados de novembro. A concentração dos índices em poucas empresas faz com que a mesma notícia mova o S&P inteiro, e o Dow, com ganho na semana, mostra a divergência entre blocos.

Europa e Reino Unido

O BCE decide em 29 de outubro sem novas projeções de staff, que só chegam em dezembro. O mercado dá 92% de chance de manutenção na reunião e precifica pouco menos de duas altas de um quarto de ponto até o fim do ano, e o ZEW alemão de outubro veio mais fraco que o consenso nas expectativas, o que reforça a leitura de que a autoridade monetária espera dados de atividade e energia antes de agir. Não foi localizada fala de Lagarde na janela.

A pressão de preços reapareceu no Reino Unido: o CPI de setembro superou o consenso, com serviços e núcleo acima do previsto e combustíveis em forte alta anual, conforme o DIFF. A Reuters, via LSEG, coloca mais de 90% de probabilidade na primeira alta do Banco da Inglaterra em mais de três anos, em 5 de novembro, e o Gilt de 10 anos, acima de 5,3%, torna o Reino Unido a economia desenvolvida onde a política monetária mais claramente corre atrás da inflação.

A França é o ponto de estresse da região. A OAT de 10 anos, em 5,02%, está no maior nível desde 2002, com a fonte de mercado apontando impasse orçamentário, déficit, protestos e risco de rebaixamento pela Moody's, enquanto o Bund recuou, de modo que o spread contra a Alemanha se alargou. O BTP também subiu na semana. O prêmio exigido pela dívida francesa e italiana responde hoje a risco fiscal e não a ciclo monetário, e a base da OAT é derivada e diverge entre fontes, por isso a variação não entra no gráfico.

China e Ásia

A China divulgou em 19 de outubro um PIB do terceiro trimestre ligeiramente acima do consenso e um varejo de setembro no ritmo mais forte desde março, enquanto o investimento em ativos fixos segue em queda no acumulado do ano e o imobiliário continua pior, com vendas de área e novas obras ainda recuando. O consumo melhora, portanto, e o investimento não encontra piso. A produção industrial de setembro não foi localizada.

China (NBS, 19/10)ResultadoReferência
PIB do 3T (a/a)4,5%consenso 4,4%; 2T 4,3%
Varejo de setembro (a/a)+1,1%agosto +0,4%
Investimento fixo, acumulado em 9 meses−7,2%estável contra agosto
Investimento imobiliário, 9 meses−20,6%novas obras −24,9%
LPR 1 ano / 5 anos (20/10)3,0% / 3,5%17º mês sem mudança

O PBoC manteve o LPR em 20 de outubro e Pan Gongsheng disse que o banco vai reformar a precificação dos benchmarks de crédito para reduzir a dependência do LPR, com analistas citando a possibilidade de o repo reverso de um dia virar a taxa principal. Para o investidor, isso sinaliza política monetária mais operacional do que de corte de juros, e o yuan ficou estável perto de 6,66 por dólar.

No Japão, o BoJ decide em 30 de outubro e o mercado dá quase certa a manutenção, com a aposta de alta concentrada em dezembro depois do CPI núcleo de Tóquio de setembro, o maior desde novembro de 2025. Os JGBs de 10 e de 30 anos recuaram na semana, como mostra o gráfico de juros. As bolsas pagaram a conta da tecnologia: Nikkei, Hang Seng e Kospi caíram desde 16 de outubro, depois de a semana anterior ter derrubado o Kospi em mais de 14%.

Emergentes

A cobertura de bancos centrais emergentes desta rodada ficou sem verificação: as buscas por Banxico, Peru, Chile, Colômbia, Turquia e Indonésia devolveram manchetes sem data confirmada, e nenhuma decisão foi aceita como da semana. O dado de câmbio disponível mostra divergência dentro do grupo, com o real forte pelo fluxo eleitoral, perto de R$ 5,03 por dólar no intradiário de sexta, e o peso mexicano mais fraco em cerca de 1,2% frente à base. Para alocação, isso reforça que o real é hoje o emergente mais dependente de um único evento.

Variação semanal dos juros longos, em pontos-base
Barras fortes: fonte oficial (Tesouro dos EUA, 15/10 → 22/10; Ministério das Finanças do Japão, 16/10 → 22/10). Barras claras: fontes mistas e aproximadas (Bund pela base derivada do snapshot; Gilt e BTP pela variação semanal reportada em 23/10, intradiário). A OAT fica fora porque a base é derivada e diverge entre fontes. Unidade: pontos-base.
Bolsas na semana, em %
Fechamento de 22/10 contra a base do snapshot: 15/10 para EUA e Brasil, 16/10 para Europa e Ásia. Ibovespa em laranja (fechamento de 22/10 do painel AZ, 204.120; o oficial da B3 não foi conferido). Fonte: Yahoo Finance (contínuos) e painel AZ. Unidade: %.

Onde o sell-side concorda e onde briga

O consenso da semana está em dezembro como mês da próxima alta do Fed: segundo a tabela da Reuters reproduzida pela capital.com em 15 de outubro, Goldman, JPMorgan, Nomura, HSBC, Barclays, Deutsche, UBS, Morgan Stanley, Macquarie, Standard Chartered e Citi esperam uma alta única, com terminal em 4,00% a 4,25%. O mercado de apostas está com esse grupo, e a queda dos juros longos reforça a posição. Nenhum relatório primário foi aberto; todas as posições abaixo vêm de imprensa e agregadores.

O Bank of America é o dissidente. Aditya Bhave manteve, em nota de 19 de outubro, a alta em 28 de outubro, deixou dezembro em aberto e vê risco de o PCE núcleo terminar o ano perto de 3,4%. Hartnett, do mesmo banco, condiciona o retorno ao risco a uma alta em outubro para recuperar credibilidade, o que coloca o banco contra o mercado e contra a maioria dos pares na janela de outubro.

A divergência seguinte é sobre o terminal. A Goldman admite que dezembro pode bastar, e o UBS, em nota de Dubinsky de 19 de outubro, estende o aperto para março, com o mercado precificando cerca de três altas em doze meses. Na duration, Hartnett reduziu a posição vendida em Treasuries longos, o UBS vê renda fixa atrativa em qualidade de média a longa e o Wells Fargo Investment Institute, por Cronk, sustenta que o pico de juros ainda não foi atingido, sem comprar Treasury longo.

Em ações, a Goldman fala em rotação, o UBS em aperto medido sustentado por lucros, e Hartnett em postura defensiva em tecnologia, preferindo small caps, REITs e consumo discricionário no tático e ouro, commodities e emergentes no estratégico. A queda de ouro e prata na quinta contraria a parte da tese estratégica de Hartnett no curto prazo, e a divergência só se resolve com a dinâmica do dólar e dos juros reais nas próximas semanas.

Commodities e energia

O Brent fechou a quinta no maior valor desde o início de maio, enquanto o WTI recuou na semana depois da proposta de compromisso de Catar e Paquistão na terça, de modo que o diferencial entre os dois contratos se ampliou, conforme a tabela. A fonte de mercado fala em Brent acima de 117 na sexta e o spot do FRED ficou acima do contrato contínuo, o que não foi reconciliado; o dossiê usa o contínuo e marca a ressalva. Os estoques comerciais de petróleo dos EUA caíram bem mais que o previsto na semana encerrada em 16 de outubro, segundo a EIA, e os de gasolina também recuaram.

A gasolina de varejo caiu na semana, mas o diesel subiu quase dez centavos e o óleo de aquecimento marcou recorde, o que mostra pressão nos destilados, em linha com a Rosneft estendendo reparos de refinarias atacadas pela Ucrânia e mantendo restritas as exportações russas de diesel. Esse canal é relevante para a inflação de serviços e transporte, e portanto alimenta o argumento de Bhave e Hartnett por uma alta do Fed mesmo com crescimento mais fraco.

Nos metais, a quinta foi de liquidação generalizada. O ouro perdeu o patamar de 4.000 dólares no intradiário de sexta pela primeira vez desde julho e a prata caiu mais que ele, apesar da queda dos juros reais, o que a HSBC e o investingLive descrevem como venda forçada junto com ações. O cobre recuou até a quinta, com leitura de aversão a risco. Nas agrícolas, o trigo e o milho cederam sem causa verificada, e o café subiu até a quinta e devolveu o ganho na sexta.

Commodities na semana, em %
Fechamento de quinta 22/10 (contratos contínuos do Yahoo Finance; não é o settlement oficial CME/ICE) contra o fechamento de 16/10 para Brent, WTI, ouro e trigo e contra a base do snapshot para os demais. Henry Hub e minério têm base intradiária ou baixa confiança. Unidade: %.
AtivoBaseFech. qui 22/10Sex 23/10 (intradiário)Semana
Brent (US$/bbl)109,86113,17111,47+3,0%
WTI (US$/bbl)101,4199,47102,87−1,9%
Henry Hub (US$/MMBtu)3,1382,7963,044−10,9%
TTF (€/MWh)~88,390,0493,30+2,0%
Ouro (US$/oz)4.1814.0604.015−2,9%
Prata (US$/oz)57,3454,7654,10−4,5%
Cobre (US$/lb)6,56956,36256,508−3,2%
Soja (c/bu)1.2601.2531.269−0,6%
Milho (c/bu)474,50460,50456,25−3,0%
Trigo (c/bu)660,50624,75627,00−5,4%
Café (c/lb)306,85312,45306,65+1,8%
Açúcar (c/lb)20,7620,1320,21−3,0%
Boi gordo (c/lb)228,35229,75231,30+0,6%
Minério de ferro90,5790,73n/d+0,2%

Geopolítica

No Golfo, a semana teve três movimentos: ataques dos houthis a alvos de energia e militares sauditas em 19 de outubro, a proposta de compromisso de Catar e Paquistão em 20 de outubro, sobre inspeções nucleares e juros de fundos congelados, que foi desmentida em seguida pela manchete de que relatos de acordo estavam errados, e a preparação do Departamento de Estado, em 21 de outubro, para saídas ordenadas de embaixadas. Em 22 de outubro, o New York Times reportou planos americanos e israelenses de ataques específicos ao Irã depois das eleições legislativas, e o Wall Street Journal disse que os estoques flutuantes de petróleo iraniano na Ásia secaram sob o bloqueio naval.

Trump invocou a Seção 303 da Lei de Produção de Defesa para a produção e o refino domésticos e, em 23 de outubro, disse que os Estados Unidos poderiam tomar todo o petróleo do Irã. O investingLive menciona rumores de ataque curto e limitado no fim de semana, o que é especulação do autor e não foi confirmado. Para o mercado, o risco é de gap de preço na segunda-feira, e a queda de ouro na sexta mostra que o refúgio em metais não funcionou nesta semana.

Na Ucrânia, Zelensky encontrou Witkoff em Oslo em 20 de outubro, e Witkoff encontrou Putin em São Petersburgo no dia seguinte; o Kremlin disse que Putin aceita retomar as negociações mediadas pelos EUA no mês que vem, e Zelensky quer uma reunião trilateral em nível de equipes até o começo de novembro. Entre EUA e China não houve desenvolvimento novo verificado na janela, e a última informação confirmada é a extensão da trégua comercial por dois meses, em fins de setembro.

Podcasts e vídeos

Dos vídeos priorizados para transcrição, só o da StoneX teve a legenda lida; nas demais tentativas o YouTube devolveu HTTP 429, e os demais convidados aparecem com a tese tal como publicada pela matéria que acompanha cada episódio.

Entre os podcasts internacionais, as páginas dos episódios foram lidas só no resumo. Anas Alhajji, managing partner da Energy Outlook Advisors, e Louis-Vincent Gave, da Gavekal (cargo não confirmado na página), discutem crises no Oriente Médio e na França no MacroVoices #554 (22/10). Ali Vaez, diretor-adjunto de Oriente Médio e Norte da África do Crisis Group, afirma no Hidden Forces #503 que a janela para uma resolução diplomática durável da guerra EUA-Irã pode estar se fechando. Jim Bianco, presidente da Bianco Research, argumenta no Thoughtful Money (20/10) que a IA pode manter inflação e juros altos e que o maior risco é ela dar certo. Alex Edmans, professor da London Business School, trata de bolhas de mercado no Macro Hive #380 (16/10).

Calendário da próxima semana

Caveats

Fontes

Oficiais e dados. BCB, Focus (Olinda) · ANBIMA ms261022 · ANBIMA ETTJ · Tesouro dos EUA · MOF Japão · EIA · IBGE, calendário · IPCA-15 de setembro · Balança comercial · Calendário do Copom

Brasil, imprensa e pesquisas. Focus 19/10 · Datafolha 22/10 · Quaest 21/10 · Datas das pesquisas finais · BPMoney · BPMoney · Money Times 20/10 · Money Times 21/10 · Forbes Brasil · Itaú Private Insights · DGABC, juros · JB

Internacional. Trading Economics, UST · Trading Economics, Warsh · Trading Economics, LPR · ZEW · investingLive, Warsh e Hammack · investingLive, ZEW · Polymarket via KuCoin · Admirals, BCE · CPI do Reino Unido · CPI UK, calendário · Commerzbank, China · China Daily · Imobiliário chinês · CPI de Tóquio · FMI WEO (secundária) · EIA, estoques · Calendário de bancos centrais · Calendário, PMIs

Sell-side e cartas. UBS (Dubinsky, 19/10) · Bank of America (Hartnett via Wallstreetcn/Zhitong e Bhave via Roic) · tabela da Reuters via capital.com · Goldman via investingLive (30/09 e 13/10) · Wells Fargo Investment Institute (16/10)

Mercados e geopolítica. Yahoo Finance (API de gráficos) · FRED (fredgraph.csv) · investingLive (home e commodities, 19 a 23/10) · The Star/Reuters (Ucrânia, 22/10)

Podcasts. MacroVoices #554 · Hidden Forces #503 · Macro Hive #380 · Thoughtful Money (Bianco)