O CPI americano de setembro reabriu a chance de alta do Fed em outubro, a liquidação de tecnologia atingiu a Ásia, o petróleo subiu com os ataques a navios e as pesquisas do segundo turno mostraram vantagem menor para Flávio Bolsonaro; o Focus já embute Selic de 13,25%.
A semana foi decidida pelo CPI americano de 14 de outubro, que veio acima do esperado em um mês de gasolina disparada e devolveu ao mercado a possibilidade de uma alta do Fed já em outubro. O dado coincidiu com uma liquidação de ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial que atingiu Coreia e Japão com mais força que qualquer outro mercado do painel, e com a escalada dos ataques a navios em Ormuz, que levou o petróleo para perto de US$ 110. Os rendimentos dos Treasuries recuaram em vez de subir, e o Trading Economics atribui a queda à fuga para segurança, e não a uma reprecificação da política monetária.
No Brasil, a semana devolveu parte do ganho que o primeiro turno havia trazido. O Datafolha de 15 de outubro mostrou vantagem de Flávio Bolsonaro menor que a da pesquisa da semana anterior, a bolsa recuou do recorde, o dólar voltou para cima de R$ 5 e a curva pré subiu em todos os vértices. O Focus, que ainda captava o humor pós-eleitoral, cortou a Selic de fim de ano para 13,25% e elevou o IPCA de 2026 depois da surpresa de setembro, e as casas que opinaram se dividem entre quem lê a queda da curva como espaço para cortar e quem vê a inflação de serviços como razão para ir devagar.
Ficam em aberto a velocidade do Fed e a do Copom. Goldman, JPMorgan, Morgan Stanley e Citi apostam em dezembro como mês da próxima alta americana, e o mercado oscilou entre pouco mais de 20% e perto de 50% de chance para outubro em um único dia; a reunião é em 28 de outubro, três dias depois do segundo turno brasileiro. O Copom decide em 3 e 4 de novembro com a eleição resolvida, de modo que a pesquisa da semana que vem pesa mais para a curva do que qualquer dado de atividade.
| Indicador | Semana anterior | Esta semana | Variação |
|---|---|---|---|
| Focus: coleta de 09/10 (edição da semana) contra a coleta de 02/10 | |||
| Selic fim de 2026 | 13,50% | 13,25% | ▼ 0,25 p.p. |
| Selic fim de 2027 | 12,00% | 12,00% | = |
| IPCA 2026 | 5,01% | 5,22% | ▲ 0,21 p.p. |
| IPCA 2027 | 4,30% | 4,30% | = |
| PIB 2026 | 1,85% | 1,85% | ≈ |
| PIB 2027 | 1,40% | 1,40% | = |
| USD/BRL fim de 2026 | 5,20 | 5,15 | ▼ 0,05 |
| USD/BRL fim de 2027 | 5,28 | 5,26 | ▼ 0,02 |
| IGP-M 2026 | 5,27% | 5,27% | ≈ |
| IGP-M 2027 | 4,11% | 4,11% | ≈ |
| Política monetária e inflação corrente | |||
| Selic vigente | 13,75% | 13,75% | = |
| IPCA 12 meses (set; sem divulgação nova) | 4,58% | 4,58% | = |
| Fed funds | 3,75–4,00% | 3,75–4,00% | = |
| BCE, depósito | 2,50% | 2,50% | = |
| BoE, Bank Rate | 3,75% | 3,75% | = |
| BoJ, taxa | 1,25% | 1,25% | = |
| CPI EUA, 12 meses (ago → set) | 3,4% | 3,7% | ▲ 0,3 p.p. |
| Núcleo do CPI EUA, 12 meses (ago → set) | 2,4% | 2,6% | ▲ 0,2 p.p. |
| Juros soberanos: UST pelo Tesouro, fechamento 09/10 → 15/10 (16/10 ainda não publicado); demais aproximados (ver Caveats) | |||
| UST 2 anos | 4,80% | 4,77% | ▼ 3 p.b. |
| UST 5 anos | 5,02% | 4,91% | ▼ 11 p.b. |
| UST 10 anos | 5,24% | 5,10% | ▼ 14 p.b. |
| UST 30 anos | 5,60% | 5,43% | ▼ 17 p.b. |
| Bund 10 anos (Trading Economics, intradiário) | ≈3,53% | 3,46% | ▼ 7 p.b. |
| JGB 10 anos (Trading Economics) | 3,042% | ≈2,94% | ▼ ≈10 p.b. |
| Gilt 10 anos (Trading Economics) | 5,426% | 5,38% | ▼ ≈5 p.b. |
| OAT 10 anos (Trading Economics) | ≈4,84% | 4,79% | ▼ 5 p.b. |
| BTP 10 anos (Trading Economics) | 4,597% | 4,50% | ▼ ≈10 p.b. |
| Curva brasileira (ANBIMA; ETTJ 09/10 → 15/10; títulos 08/10 → 15/10) | |||
| ETTJ pré, 1 ano | 12,58% | 12,90% | ▲ 31,7 p.b. |
| ETTJ pré, 2 anos | 12,31% | 12,72% | ▲ 41,1 p.b. |
| ETTJ pré, 5 anos | 12,49% | 12,96% | ▲ 47,0 p.b. |
| ETTJ pré, 10 anos | 12,52% | 12,98% | ▲ 46,4 p.b. |
| NTN-F 01/01/2027 (base 08/10) | 13,235% | 13,247% | ▲ 1,2 p.b. |
| NTN-B 15/05/2035 (base 08/10) | 6,758% | 6,849% | ▲ 9,2 p.b. |
| DI Jan/27 (DI1F27, InfoMoney, 15/10) | 13,517%; sem base comparável da semana anterior | ||
| Câmbio, commodities e bolsas: 09/10 (painel) contra 16/10 14h BRT (INTRADIÁRIO), salvo indicação | |||
| DXY (base derivada da variação) | ≈102,2 | 101,97 | ▼ 0,2% |
| EUR/USD (base derivada) | ≈1,1213 | 1,1222 | ▲ 0,1% |
| USD/JPY (base derivada) | ≈158,0 | ≈158,2 | ▲ 0,1% |
| USD/CNY (base derivada) | ≈6,702 | ≈6,676 | ▼ 0,4% |
| USD/BRL | 5,0177 | 5,0772 | ▲ 1,2% |
| Brent | 104,72 | 109,62 | ▲ 4,7% |
| WTI | 91,85 | 98,65 | ▲ 7,4% |
| Henry Hub | 3,220 | 3,138 | ▼ 2,6% |
| Ouro (US$/oz) | 4.216 | 4.179 | ▼ 0,9% |
| Prata (US$/oz) | 60,67 | 57,34 | ▼ 5,5% |
| Cobre (US$/lb) | 6,643 | 6,570 | ▼ 1,1% |
| Minério (TIO=F) | 90,68 | 90,57 | ≈ |
| Soja (US$ cents/bu) | 1.292 | 1.260 | ▼ 2,5% |
| Café (US$ cents/lb) | 286,95 | 306,85 | ▲ 6,9% |
| Ibovespa (fechamento 09/10 → 15/10) | 209.067 | 204.324 | ▼ 2,3% |
| S&P 500 (09/10 → 16/10 intradiário) | 7.811,5 | 7.684,6 | ▼ 1,6% |
| Nasdaq (fechamento 09/10 → 15/10) | 27.366 | 26.713 | ▼ 2,4% |
As pesquisas de segundo turno da janela colocam Flávio Bolsonaro à frente, mas a margem diminuiu ao longo da semana. O AtlasIntel/Bloomberg, com campo até 8 de outubro, trazia a maior vantagem entre elas, e o Datafolha de 15 de outubro levou o diferencial para dentro da margem de erro, nos votos válidos 51% a 49%. A Quaest de 14 de outubro já mostrava distância curta, e a BTG/Nexus, citada pela InfoMoney sem números, descreveu empate técnico.
O mercado reagiu a essa convergência. O Ibovespa recuou do recorde de 9 de outubro e fechou a quinta-feira abaixo de 205 mil pontos, queda que a imprensa atribuiu à pesquisa e às vendas do varejo, e o dólar voltou para R$ 5,09. O gráfico de bolsas mostra que a perda brasileira foi menor que a das bolsas asiáticas de tecnologia e próxima à das bolsas americanas, o que sugere que o movimento teve componente local e componente global.
A curva pré subiu em todos os vértices entre 9 e 15 de outubro, mais nos prazos longos que nos curtos, como mostra o gráfico da ETTJ, e devolveu parte da queda do primeiro turno sem voltar ao nível anterior à eleição. A NTN-B de 2035 subiu bem menos que a pré de dez anos, o que indica que o ajuste foi mais de inflação implícita que de juro real.
O Focus com coleta até 9 de outubro, divulgado na semana do feriado, cortou a Selic de fim de 2026 para 13,25% e fixou a mediana de um corte no Copom de novembro, ao mesmo tempo em que o IPCA do ano subiu mais que em qualquer coleta recente. A ASA observa que a queda das projeções de médio prazo para a inflação “parece refletir o resultado da eleição de primeiro turno”, e que quem atualizou nos últimos cinco dias já aponta 11,75% para a Selic de 2027, abaixo da mediana geral.
As casas divergem sobre o que fazer com a surpresa de setembro. O Inter, que já estava em 13,25% para o fim do ano, diz que o Copom “tem condições de acomodar os choques de oferta no curto prazo” e condiciona uma Selic bem mais baixa em 2027 ao fiscal do próximo governo, e a Capital Economics projeta corte em novembro e considera um segundo em dezembro “cada vez mais provável” depois do desempenho de Flávio no primeiro turno. Do outro lado, o Goldman mantém a Selic em 13,75% no fim de 2026, sem corte, o PicPay vê só mais um corte antes da retomada em 2027, a Nomad fala em “espaço limitado” para novos cortes e a Aware lê o IPCA como argumento para ritmo mais gradual ou pausa.
previsoes-macro.json, última atualização 01/10), BCB (API Olinda) e imprensa (Seu Dinheiro, BPMoney, Rankia). Unidade: % ao ano.| Casa | Selic fim de 2026 | IPCA 2026 | Data da projeção |
|---|---|---|---|
| Focus (mediana) | 13,25% | 5,22% | coleta 09/10 |
| ASA | 13,25% | – | 15/09 |
| BofA | 13,25% | 5,00% | 14/09 |
| Bradesco | 13,25% | 4,90% | 18/09 |
| Inter | 13,25% | – | 09/10 |
| Safra | 13,25% | 4,80% | 17/09 |
| XP | 13,25% | 5,00% | 14/09 |
| PicPay | 13,50% | – | 09/10 |
| Santander | 13,50% | 5,00% | 25/09 |
| BB, Citi, JPMorgan | 13,75% | – | 15/09 |
| BTG | 13,75% | 5,20% | 15/09 |
| Genial | 13,75% | 5,00% (de 05/08) | 15/09 |
| Goldman | 13,75% | 5,20% | 07/10 |
| Itaú | 13,75% (27/09) | 5,10% | IPCA: 09/10 |
Os dados de atividade de agosto confirmam a desaceleração. O varejo restrito ficou muito abaixo do consenso, os serviços recuaram e o IBC-Br, divulgado hoje, avançou em linha com a mediana, de modo que os indicadores da tabela apontam um terceiro trimestre fraco depois da queda da indústria divulgada em 2 de outubro.
| Indicador de agosto/2026 | Resultado | Referência | Divulgação |
|---|---|---|---|
| Vendas no varejo restrito (PMC), m/m | +0,1% | consenso +0,7% | 15/10 |
| Volume de serviços (PMS), m/m | −0,1% | julho estável | 14/10 |
| IBC-Br, m/m | +0,3% | mediana Reuters +0,3% | 16/10 |
| Produção industrial (PIM-PF), m/m | −0,6% | +0,8% no ano | 02/10 |
No lado dos preços, a leitura do Itaú BBA é que os serviços subjacentes, em média móvel de três meses anualizada, aceleraram para 6%, e a casa mantém o IPCA do ano em 5,1%, abaixo do Focus. A ASA atribui a diferença entre o IPCA de setembro e a própria projeção principalmente aos combustíveis, “com alta mais forte da gasolina”, enquanto o PicPay destaca que a média dos núcleos acelerou de forma relevante.
O fiscal entra pelo lado do Goldman, que esperava a vantagem de Flávio entre dois e três pontos e projeta dívida bruta de 83,5% do PIB neste ano e 87% no próximo. A casa avisa que “quem assumir a Presidência encontrará uma economia de baixo crescimento”, e é esse o argumento que liga o prêmio de risco da curva ao resultado de 25 de outubro, mais do que qualquer número isolado de inflação.
br_ettj.json). Unidade: % ao ano, base 252.O CPI de setembro reabriu a discussão sobre outubro. A inflação cheia veio acima do consenso por causa da gasolina, e o núcleo também surpreendeu para cima, ainda que em nível bem inferior ao do índice cheio. O mercado de futuros saiu de uma probabilidade em torno de um quinto para cerca da metade, segundo o CME FedWatch e o investingLive, antes de recuar depois que Kevin Warsh disse, em Bangkok, que não pré-julga reuniões.
O Beige Book de 14 de outubro descreve atividade em expansão modesta em nove dos doze distritos, com a indústria sustentando o conjunto, puxada por data centers, e com petróleo e diesel citados em todos os distritos como fonte de pressão de preços. Vários distritos relataram contenção de contratações, e a IA aparece como fator nessa decisão; o texto abandonou a avaliação geral de atividade que costuma abrir o relatório.
Os dados duros da semana descrevem uma economia que não esfria. As vendas no varejo de setembro superaram o consenso, ajudadas pelos postos de gasolina, mas o grupo de controle ficou perto de estável, a produção industrial avançou e o Empire State teve a melhor leitura em quase cinco anos, enquanto o Philly Fed recuou, mas segue em território expansionista. O pedido de seguro-desemprego continua abaixo de 200 mil e o GDPNow do terceiro trimestre aponta crescimento de 3,6%.
A confiança do consumidor é o contraponto. A leitura preliminar de Michigan para outubro ficou em 46,3, segundo o investingLive, com expectativa de inflação de 4,7% em um ano, e é a combinação de renda alta sustentando o consumo e renda baixa pressionada que o Beige Book descreve com palavras próprias.
Entre os dirigentes, Waller afirmou em 8 de outubro que mais altas são necessárias, mas que o ritmo pode ser flexível e não exige reuniões consecutivas, o que torna uma pausa em outubro compatível com a trajetória de alta. A decisão é em 28 de outubro e o período de silêncio começa em 17 de outubro, de modo que as falas desta sexta são as últimas antes da reunião; a ata da reunião de setembro já havia indicado que a maioria vê mais uma alta até dezembro.
Os rendimentos dos Treasuries caíram ao longo da semana, com o recuo concentrado na quinta-feira, e o movimento foi maior nos prazos longos que nos curtos, como mostra o gráfico de juros. O Trading Economics liga a queda de quinta à liquidação global de ações e à dúvida sobre os investimentos em IA, e o 10 anos havia tocado sua máxima da semana em 14 de outubro, antes do CPI ser digerido. O dado oficial do Tesouro de 16 de outubro ainda não estava publicado quando esta edição foi fechada.
Na zona do euro, a inflação preliminar de setembro, de 3,8%, e as accounts do BCE de 8 de outubro, que falam em riscos altistas e em todas as opções abertas, sustentam a expectativa de que a taxa de depósito suba de novo nos próximos meses, embora a reunião de 29 de outubro seja vista como de manutenção. Falas de Lagarde na semana não foram verificadas, e o resultado de busca com título parecido é de 2022 e foi descartado.
A atividade perde força enquanto a inflação sobe. A produção industrial da zona do euro recuou em agosto, depois da alta forte da produção alemã divulgada na semana anterior, e o ZEW de 20 de outubro será o primeiro termômetro de outubro. A inflação final de setembro na Alemanha e na França confirmou o choque de energia, que na França ainda tem alta anual acima de 20%.
No Reino Unido, o Banco da Inglaterra decidiu em 16 de setembro, por seis votos a três, manter a taxa, e o mercado espera alta em 5 de novembro; os gilts fecharam a semana perto da mínima de três semanas, e o emprego de 20 de outubro e o CPI de 21 de outubro são os últimos dados antes da decisão.
Na China, os dados de setembro mostram contraste entre comércio externo e preços internos. As exportações vieram muito acima do consenso e o superávit comercial foi elevado, segundo o Trading Economics, enquanto o CPI ficou abaixo do esperado, o que sugere que a demanda doméstica continua o ponto fraco. Os números de comércio e de PPI vêm de uma única fonte secundária e não foram confirmados no NBS ou na alfândega.
O PIB do terceiro trimestre sai em 19 de outubro, junto com produção industrial, varejo, investimento e preços de imóveis, e o consenso espera ritmo pouco acima do segundo trimestre. A LPR sai em 20 de outubro e, segundo o Trading Economics, não se altera desde maio de 2025, de modo que o estímulo que o BNP esperava para o fim de setembro ou início de outubro não apareceu nas taxas.
No Japão, Ueda disse no FMI, em 16 de outubro, que o BoJ continuará subindo juros e que “não podemos permitir que a inflação suba mais”, e a decisão de 30 de outubro tem a alta de dezembro como cenário em consideração. A liquidação da tecnologia concentrou o dano nas bolsas asiáticas: o Nikkei perdeu 6,7% até 15 de outubro e o Kospi 13% em três pregões, e a AP registrou a queda do Kospi já em 13 de outubro.
Nenhum banco central emergente do painel decidiu na janela, o que torna a próxima semana densa: Indonésia em 21 de outubro; Turquia, Filipinas e Coreia em 22 de outubro; Chile em 27; Tailândia em 28; e Colômbia em 30. A semana anterior havia trazido a surpresa do Peru, que manteve a taxa em 7 de outubro contra a expectativa de alta, e a alta do RBI, a primeira desde 2023. A inflação argentina de setembro, divulgada em 13 de outubro, ficou em 1,9% no mês.
O FMI revisou ligeiramente para cima o crescimento global de 2026 no WEO de 13 de outubro, com inflação global ainda alta, e o GFSR descreve riscos “firmemente para baixo”, nas palavras de Tenreyro, com três gatilhos: correção das avaliações de IA, salto dos rendimentos soberanos e ciberataques. A semana não trouxe publicação verificada de BIS, OCDE, Banco Mundial ou IIF.
| FMI, WEO de 13/10 | 2026 | 2027 |
|---|---|---|
| Mundo | 3,1% (+0,1 p.p.) | 3,4% |
| Economias avançadas | 2,1% | 1,8% |
| Emergentes | 3,7% | 4,4% |
| EUA | 2,3% | n/d |
| Zona do euro | 1,1% | 1,2% |
| Reino Unido | 1,3% | 1,2% |
| Japão | 0,7% | n/d |
| China | 4,5% | 4,0% |
| Índia | 7,0% | n/d |
| Inflação global | 4,7% | 4,1% |
O ponto de acordo entre as casas é que dezembro, e não outubro, é o mês mais provável da próxima alta do Fed. O Goldman moveu a data de outubro para dezembro e admite que talvez não sejam necessárias outras depois dela; o JPMorgan prevê uma alta em dezembro seguida de pausa, tratando a inflação como choque de oferta; o Morgan Stanley soma a dezembro uma segunda alta em março de 2027; e o Citi, que não via alta alguma, passou a prever 25 p.b. em dezembro, a mudança de casa mais relevante da semana. Todas essas posições chegaram por agregadores e imprensa, sem o texto original, e a maior parte é anterior ao CPI.
A briga está no número de altas e em outubro. O BofA e o TD, em notas de setembro, esperavam altas em outubro e depois, e nenhuma revisão posterior ao CPI foi localizada; do outro lado, o Goldman Asset Management e a Franklin Templeton veem a barra alta para um movimento em outubro. Na tabela de 17 de setembro da Reuters, Barclays, Deutsche, Nomura, HSBC, UBS e BNP também apontavam dezembro, com taxa terminal entre 4,00% e 4,25%, mas essa tabela é anterior ao dado.
Em duration, as casas discordam do tamanho do risco. Hartnett, no Flow Show de 2 de outubro (o de 16 de outubro não foi localizado), defende acumular Treasuries longos de qualidade e não perseguir ações, e a Capital Economics, em nota de 12 de outubro, continua esperando que os rendimentos caiam mais, sem data. Ivascyn, da PIMCO, disse ao FT que o 10 anos pode passar de 6% e que um nível de 5,5% ou mais pode derrubar ações e crédito, ao contrário do que Seidner dizia em agosto, quando chamava os rendimentos de ponto de entrada atrativo.
Em ações, o ponto de divergência é a qualidade do rali. Wilson, do Morgan Stanley, descreveu em 2 de outubro um índice que esconde um mercado fraco, com mais da metade das ações do Russell 3000 em queda superior a 20% desde junho, e desenhou um cenário de recuo até 7.100 pontos no S&P 500. Nenhuma revisão de alvo de índice posterior ao CPI foi encontrada, e Deutsche, Nomura, HSBC, UBS, Apollo, BlackRock e Bridgewater ficaram sem varredura útil.
O petróleo foi a principal alta da semana entre os ativos grandes, e o WTI superou o Brent em variação percentual, o que o Trading Economics atribui a frete menor, sem confirmação independente. Os drivers foram físicos: o estoque de petróleo dos EUA caiu na semana encerrada em 9 de outubro na maior retirada desde fevereiro, a IEA estimou que os estoques observados caíram 10 milhões de barris em setembro e seus membros se comprometeram em 15 de outubro a liberar o saldo de 100 milhões de barris da ação de março.
| Estoques semanais da EIA (semana encerrada em 09/10) | Variação |
|---|---|
| Petróleo bruto | −8,56 milhões de barris (maior queda desde fevereiro; esperado −0,3) |
| Gasolina | +3,52 milhões de barris |
| Destilados | −2,53 milhões de barris |
| Cushing | +1,86 milhão de barris |
As agências revisam a demanda para baixo, e o contraste com a alta do preço mostra que o movimento é de oferta. A IEA vê contração da demanda mundial em 2026, a OPEP cortou a alta esperada para este ano e elevou a de 2027, e a média do Dated Brent em setembro, segundo a IEA, ficou acima da cotação de futuros da semana, o que descreve um mercado físico mais apertado que o de papel.
Entre os metais, a prata foi o maior recuo, com a perspectiva de juros altos pesando também sobre o ouro, que caiu menos, e o cobre oscilou entre greves no Chile e o CPI. Nos agrícolas, o WASDE de outubro elevou a produtividade e os estoques finais de milho e trigo, o que pressiona preços, enquanto o café subiu com quebra na Colômbia e risco de El Niño no Brasil, ainda que o salto de 16 de outubro não tenha explicação verificada.
commodities_returns_panorama.json).| Ativo | 09/10 | 16/10 (intradiário) | Semana | Driver verificado |
|---|---|---|---|---|
| Energia | ||||
| Brent (US$/bbl) | 104,72 | 109,62 | +4,7% | Afundamento de dois navios em Ormuz (14/10) e liberação de estoques da IEA |
| WTI (US$/bbl) | 91,85 | 98,65 | +7,4% | Retirada nos estoques de petróleo dos EUA |
| Henry Hub (US$/MMBtu) | 3,220 | 3,138 | −2,6% | Clima ameno; injeção abaixo do esperado |
| TTF (€/MWh) | n/d | ≈88,3 | ≈+7% | GNL apertado; armazenagem em torno de 74% (Trading Economics) |
| Metais | ||||
| Ouro (US$/oz) | 4.216 | 4.179 | −0,9% | Inflação quente contra demanda por segurança |
| Prata (US$/oz) | 60,67 | 57,34 | −5,5% | Perspectiva de juros altos; mínima da semana em 14/10 |
| Cobre (US$/lb) | 6,643 | 6,570 | −1,1% | Greves no Chile sustentaram até 14/10; CPI derrubou em 15/10 |
| Minério (TIO=F) | 90,68 | 90,57 | ≈ | Sem notícia verificada |
| Agrícolas | ||||
| Soja (US$ cents/bu) | 1.292 | 1.260 | −2,5% | Safra americana maior e compras chinesas lentas, apesar de 8 a 10 cargas reservadas em 15/10 |
| Milho (US$ cents/bu) | 479,75 | 474,50 | −1,1% | WASDE de outubro elevou estoques finais |
| Trigo (US$ cents/bu) | 671,00 | 660,75 | −1,5% | WASDE: estoques finais acima de setembro |
| Café (US$ cents/lb) | 286,95 | 306,85 | +6,9% | Quebra na Colômbia e risco de El Niño no Brasil; salto de 16/10 sem explicação verificada |
| Açúcar (US$ cents/lb) | 20,25 | 20,76 | +2,5% | Sem driver verificado |
| Boi gordo (US$ cents/lb) | 224,98 | 228,35 | +1,5% | Sem driver verificado |
| WASDE de outubro, safra 2026/27 (EUA) | Produção | Estoques finais | Preço médio (US$/bu) |
|---|---|---|---|
| Milho | 16.034 mi bu (set: 15.800) | 1.849 mi bu (set: 1.567) | 4,70 (set: 4,80) |
| Soja | 4.562 mi bu (set: 4.535) | 315 mi bu (set: 310) | 12,00 |
| Trigo | 1.534 mi bu (set: 1.531) | 740 mi bu (set: 717) | 6,30 (set: 6,40) |
A Reuters relatou em 14 de outubro o afundamento do porta-contêineres GFS Pride, de bandeira de Singapura, com a tripulação salva, e do graneleiro Cape Dao, com uma morte, sem atribuir os ataques a ninguém. Dois altos oficiais iranianos disseram à agência que Teerã intensifica as ações em resposta ao bloqueio americano a seus portos e às sanções de setembro, com o objetivo declarado de manter o petróleo alto e influenciar as eleições legislativas dos EUA; é relato de fontes anônimas.
Em 15 e 16 de outubro, o Trading Economics registrou mais de 40 navios cruzando o estreito em 24 horas e fretes de petroleiros do Golfo em recorde, além de relatos não confirmados de que Washington avalia aliviar sanções a navios com petróleo iraniano, russo ou venezuelano. A ING citou em 13 de outubro ataques dos houthis à Arábia Saudita como risco ao fluxo do Golfo, embora o oleoduto leste-oeste saudita já operasse restaurado desde 7 de outubro.
Nas relações entre Estados Unidos e China nada novo foi encontrado na janela; a trégua comercial segue estendida até 10 de janeiro de 2027, e compradores chineses reservaram de oito a dez cargas de soja americana em 15 de outubro. A situação entre Rússia e Ucrânia aparece apenas em fonte única estatal iraniana e ficou sem verificação, e não houve decisão nova da OPEP+ na janela.
Entre as bolsas do painel, as europeias e a mexicana subiram, enquanto as asiáticas ligadas à tecnologia e as americanas recuaram, e o Ibovespa, em laranja, ficou no meio da distribuição. A divergência entre o DAX e o Nasdaq na mesma semana é compatível com a explicação da imprensa de que a venda se concentrou em semicondutores e IA, e não em uma reação uniforme ao CPI.
world_indices_returns_panorama.json, acoes_ibov.json); S&P e demais da sexta são intradiários.O YouTube bloqueou o download das legendas (HTTP 429 repetido no computador local), de modo que nenhum vídeo desta edição foi lido na íntegra. As teses abaixo vêm das descrições oficiais dos episódios e de matérias, e não de fala transcrita.
Podcasts internacionais: nenhum episódio de macro com convidado e cargo foi confirmado na janela. Odd Lots (15/10) trouxe Jeff Yan sobre a Hyperliquid e o Forward Guidance (13/10) discutiu Wall Street on-chain, ambos fora do tema; a Bloomberg Surveillance teve episódios diários, dois deles com os títulos “CPI and the AI Trade” (14/10) e “Inflation and Bonds Amid AI Concerns” (15/10), sem convidados listados na fonte. Real Vision, Macro Voices, Hidden Forces, Thoughtful Money, Excess Returns e Macro Hive ficaram sem varredura útil.
Sexta-feira aberta. Câmbio, commodities, S&P 500 e demais números marcados com 16/10 são intradiários, capturados às 14h BRT (17h UTC) a partir do painel AZ. A base de comparação é o fechamento de 09/10 do painel, que difere das bases intradiárias do snapshot anterior (por exemplo, Brent 104,72 contra 103,87). As bases de DXY, EUR, JPY e CNY foram derivadas das variações semanais do painel.
Ibovespa e bolsas. O Ibovespa de 16/10 não estava disponível: a série do painel repete 15/10, de modo que a variação é de 09/10 a 15/10. O Nikkei, o Hang Seng, o STI e o SSE vão até 15/10, e o Kospi e o Taiex partem de 12/10, por isso a variação do Kospi (−13,0%) cobre três pregões. Wall Street em 16/10 não tinha fechamento verificado.
Tesouro dos EUA e outros juros. Só os UST têm fechamento oficial, e vão até 15/10 porque o Tesouro ainda não havia publicado 16/10. Bund, JGB, Gilt, OAT e BTP vêm do Trading Economics, em cotação intradiária; o Bund diverge dentro da própria página (3,46% e 3,42%) e a série oficial divergiu em rodadas anteriores, por isso a variação do Bund é a informada pela fonte e a base de 3,53% é implícita.
Focus. A edição foi lida na API Olinda (último registro com data 09/10); a data exata da publicação (12 ou 13/10, por causa do feriado) não foi verificada. A edição de 16/10 só sai em 19/10. Projeções de casas são, em sua maioria, de setembro e anteriores ao primeiro turno; revisões pós-IPCA de Itaú, BTG, Bradesco, Santander, Safra, XP, Genial e das demais casas do catálogo não foram localizadas. Ausência de resultado não prova ausência de publicação.
Cobertura baixa de oficiais e casas BR. Tesouro, Fazenda, Secex semanal, FGV (IGP-10, IPC-S, confianças), CNI, PNAD, IPCA-15 de outubro e falas de Galípolo e de diretores do Copom ficaram sem varredura. O DI Jan/27 de 08/10 não foi obtido; só o de 15/10 (InfoMoney). O Datafolha, a Quaest e o AtlasIntel foram lidos em matérias do Money Times e do O Tempo, sem consulta ao registro do TSE; a BTG/Nexus só foi citada pela InfoMoney.
Dados dos EUA, Europa e China. BLS, BEA, Eurostat, ONS, NBS e Fed (exceto o Beige Book) não foram abertos diretamente: CPI, PPI, varejo, produção industrial, Empire, Philly, Michigan e inflação europeia vêm do Trading Economics e do investingLive. O varejo de setembro aparece no Trading Economics com variação anual de 6,3%, idêntica à do PPI, e foi tratado como suspeito. O núcleo de 2,6% do CPI destoa do núcleo do PCE de cerca de 3%, e a diferença não foi reconciliada. Exportações e PPI da China são de fonte única. O HICP final da zona do euro, o PMI flash de outubro e a data da reunião do BCE (28 ou 29/10) não foram verificados.
Fed. As probabilidades de alta em outubro variam por fonte e por hora: 21% antes do CPI e 47% depois (investingLive), 51,5% (CME FedWatch via InvestmentNews) e 72% a 85% de manutenção (Trading Economics). Não há número do FedWatch de 15–16/10. As posições de Goldman, JPMorgan, Morgan Stanley, Citi, BofA, TD, Barclays e ING chegaram por agregadores, nenhuma por página primária, e a maioria é de setembro ou do início de outubro.
Petróleo e agências. O STEO da EIA aparece como publicado em 7 de outubro por uma fonte secundária, enquanto o snapshot anterior o datava de 1 de outubro; por isso o dossiê não o cita. IEA e OPEP vêm de matérias, não dos relatórios. A diferença entre WTI e Brent no painel e no Trading Economics (98,65 contra cerca de 100,8) não foi reconciliada. O WASDE foi lido só nos primeiros 100 mil caracteres.
Vídeos. Nenhuma legenda foi lida: o yt-dlp recebeu HTTP 429 em todas as tentativas locais. As teses de podcasts vêm de descrições oficiais. Sextouro, Spyer, Schweitzer, Bona, GuiaInvest, Suno, Outliers, O Clima na Faria Lima e CNN Money ficaram sem varredura útil (alguns IDs de canal podem estar errados).
Brasil. Rankia, Focus (14/10) · ASA, análise do Focus (13/10) · ASA, IPCA de setembro (09/10) · Bloomberg Línea, Focus (13/10) · Seu Dinheiro, Inter, Itaú BBA e Capital Economics (09/10) · BPMoney, PicPay e Nomad (09/10) · BPMoney, Aware (09/10) · BPMoney, Goldman (07/10) · BCB, API Olinda, Focus · Poder360, varejo de agosto (15/10) · Poder360, serviços de agosto (14/10) · Tribuna PR, produção industrial de agosto (02/10) · InfoMoney, IBC-Br de agosto (16/10) · InfoMoney, mercado (15/10) · ANBIMA, ETTJ · Money Times, Datafolha (08/10) · O Tempo, AtlasIntel (09/10) · Money Times, Quaest (14/10) · Money Times, Datafolha (15/10) · Forbes Brasil, Selic e eleições (06/10)
Internacional. Tesouro dos EUA, curva diária · Fed, Beige Book (14/10) · investingLive, CPI de setembro · InvestmentNews, CPI e FedWatch · investingLive, Waller (08/10) · investingLive, Beige Book · investingLive, Michigan preliminar de outubro · investingLive, Ueda (16/10) · political.org, Fed e CPI (12/10) · Trading Economics, taxa do Fed · Trading Economics, PPI · Trading Economics, varejo · Trading Economics, produção industrial · Trading Economics, Empire State · Trading Economics, Philly Fed · Trading Economics, BCE · Trading Economics, BoE · Trading Economics, balança da China · Trading Economics, LPR · Trading Economics, BoJ · Arise, inflação da zona do euro · FMI/WEO via CGTN (13/10) · FMI/WEO via Trading Economics · GFSR via Nation Thailand · Atlanta Fed, GDPNow
Sell-side e cartas. investingLive, Goldman · Mitrade, JPMorgan · Newsquawk, Morgan Stanley · Roic, Citi (14/10) · Roic, Hartnett (02/10) · investingLive, BofA · investingLive, TD · BNN Bloomberg, tabela das casas (17/09) · KuCoin, PIMCO (09/10) · Capital Economics (12/10) · investingLive, Morgan Stanley (Wilson)
Commodities e energia. IEA, Oil Market Report (out/2026) · The Star, OPEP (14/10) · USDA, WASDE de outubro · Trading Economics, Brent · Trading Economics, WTI · Trading Economics, estoques de petróleo
Séries de mercado. Painel AZ, Blob público: data/commodities_returns_panorama.json, data/world_indices_returns_panorama.json, data/acoes_ibov.json, data/br_ettj.json, data/asset_returns_panorama.json, data/fx_top_movers.json, data/nao-api/previsoes-macro.json, capturas de 16/10 às 17h UTC.
Vídeos. Os links estão na seção de podcasts e vídeos.