Dossiê Macro Mensal · Outubro de 2026

Lula reeleito na virada, Ibovespa −14% em um pregão e o Focus de volta a 13,50%: outubro desfez o rali e o ciclo

Janela de 1º a 31 de outubro de 2026, com atualizações até 03/11 · fechamento em 03/11, véspera da decisão do Copom

Lula foi reeleito em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, depois de ter perdido o primeiro turno por 47,03% a 45,16%. O mercado tinha precificado o resultado oposto: entre 5 e 9 de outubro o Ibovespa subiu de 186.340 para 209.067 pontos, a PTAX caiu de 5,22 para 4,97 e o vértice de dez anos da curva pré recuou de 14,11% para 12,90%. Em 26 de outubro o índice caiu 13,88%, para 176.608 pontos, com circuit breaker às 9h57, o primeiro desde março de 2020; a PTAX fechou em 5,5007 e o DI Jan/29 subiu 265 pontos-base, para 15,25%. O Tesouro cancelou os leilões de prefixados e NTN-B e recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em NTN-F.

O Boletim Focus registrou a inversão em uma semana. No corte de 23 de outubro a mediana da Selic de fim de 2026 estava em 13,25%, a de 2027 em 11,75% e a de 2028 em 10,00%; no corte de 30 de outubro passaram a 13,50%, 12,50% e 11,00%. O IPCA de 2027 subiu de 4,34% para 4,76%, o câmbio de 2026 de 5,05 para 5,34, e o PIB de 2027 caiu de 1,31% para 1,20%. O Itaú, em 30 de outubro, passou a projetar Selic parada em 13,75% até o fim de 2027, IPCA de 6,1% em 2027 e PIB de 0,5%; a XP, em 3 de novembro, adotou os mesmos 13,75% até o fim de 2027. Das catorze casas com call para a reunião de 4 de novembro, oito esperam pausa e seis esperam corte de 25 pontos-base.

Fora do Brasil, o Fed manteve o Fed funds em 3,75–4,00% em 28 de outubro, por 10 votos a 2, com Cook e Hammack votando por alta; o Treasury de dez anos caiu de 5,29% para 4,94% no mês enquanto o Brent subiu de US$ 103,53 para US$ 117,64 no contrato de dezembro, com ataques recordes a navios em Ormuz e os houthis no controle de Bab el-Mandeb. O BCE manteve 2,50% por unanimidade e Lagarde anunciou que deixa a presidência em fevereiro de 2027. O IPCA de setembro veio a +0,82%, com a inflação de doze meses em 4,58%, acima do teto, e o IPCA-15 de outubro a +0,32%.

Nota de edição. Esta rodada fechou em 3 de novembro, terça-feira, um dia depois da primeira segunda do mês e na véspera da decisão da 282ª reunião do Copom, que não está coberta. A edição de setembro fechou em 1º de outubro; o DIFF compara o fechamento de 30/09 com o de 30/10 (31/10 foi sábado) e mostra a leitura de 23/10, último pregão antes do segundo turno, porque o mês teve duas metades. Os dados de 03/11 aparecem como intradiários quando indicado.

O DIFF do mês

IndicadorFim set (30/09)23/10 (pré-2º turno)Fim out (30/10)Δ outubro
Política monetária
Selic vigente13,75%13,75%13,75%= (Copom decide 04/11)
Fed funds (teto)4,00%4,00%4,00%= (10–2 em 28/10)
BCE (depósito) / BoJ2,50% / 1,25%2,50% / 1,25%2,50% / 1,25%= / =
Expectativas — Boletim Focus (cortes de 25/09, 23/10 e 30/10)
Selic fim 2026 (mediana / média)13,50% / 13,47%13,25% / 13,31%13,50% / 13,54%= / +7 p.b.
Selic fim 2027 / 202812,00% / 10,50%11,75% / 10,00%12,50% / 11,00%+50 / +50 p.b.
IPCA 2026 / 20274,99% / 4,31%5,19% / 4,34%5,22% / 4,76%+0,23 / +0,45 p.p.
PIB 2026 / 20271,86% / 1,41%1,80% / 1,31%1,76% / 1,20%−0,10 / −0,21 p.p.
USD/BRL fim 2026 / 20275,20 / 5,285,05 / 5,155,34 / 5,40+0,14 / +0,12
Inflação corrente
IPCA m/m (último divulgado)−0,32% (ago)+0,82% (set)+0,82% (set)+1,14 p.p.
IPCA-15 m/m+0,70% (set)+0,32% (out)+0,32% (out)−0,38 p.p.
Inflação 12 meses (IPCA → IPCA-15)4,47% (IPCA-15 set)4,62% (IPCA-15 out)4,58% (IPCA set)acima do teto de 4,5%
Juros
DI Jan/2713,555%13,475%13,723% (26/10)+17 p.b. (até 26/10)
DI Jan/2913,790%12,595%15,250% (26/10)+146 p.b. (até 26/10)
Pré 2 anos / 10 anos (ETTJ Anbima)13,74% / 14,11%12,71% / 12,90%14,94% / 15,38%+120 / +127 p.b.
NTN-B 10 anos (ETTJ, cupom real)7,49%6,63%7,81%+32 p.b.
Treasury 2 anos / 10 anos4,88% / 5,29%4,69% / 5,00%4,56% / 4,94%−32 / −35 p.b.
Bund 10a / JGB 10a / Gilt 10a3,49% / 3,10% / 5,40%—3,33% / 2,77% / 5,27%−16 / −33 / −13 p.b.
Câmbio, commodities e bolsa
USD/BRL (PTAX venda)5,18095,03775,4212+4,6% (03/11: 5,4935)
DXY (Yahoo, fechamento)101,45101,81101,88+0,4%
Brent (US$/b, 1º vencimento)103,53116,72117,64+13,6% (03/11: ~103)
Ouro (US$/oz, futuro)4.186,74.007,93.898,9−6,9%
Minério 62% (US$/t, SGX)~96,9 (28/09)—~90 (27/10, mín. de 2 anos)≈ −6%
Ibovespa186.340205.083167.922−9,88% (máx. 209.067 em 09/10)
S&P 500 / Nasdaq7.651 / 26.861—7.580 / 25.437−0,9% / −5,3%
Fiscal
DBGG (% PIB, mês de ref.)82,86 (ago)—82,93 (set)+0,07 p.p.
Primário gov. central no ano−R$ 94,9 bi (jan–ago)—−R$ 90,2 bi (jan–set)+R$ 4,8 bi em set

Três pares de números resumem o mês. O pré de dez anos caiu 121 p.b. até 23 de outubro e subiu 248 p.b. nos cinco pregões seguintes; o Treasury de dez anos caiu 35 p.b. no mês inteiro. A mediana do Focus para a Selic de 2027 foi de 12,00% a 11,75% e depois a 12,50%, e a de 2028 de 10,50% a 10,00% e depois a 11,00%. O Ibovespa subiu 12,2% até 9 de outubro e fechou o mês 9,9% abaixo de onde começou. O câmbio, que tinha ignorado o Fed em setembro, foi o canal pelo qual a eleição entrou nas projeções de inflação.

O mês em duas metades: até 23 de outubro, e depois

O primeiro turno de 4 de outubro deu a Flávio Bolsonaro 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, com abstenção de 21,08%, a maior desde 1998. No pregão seguinte o Ibovespa subiu 7,7% e a PTAX caiu 4,6%, de 5,2238 para 4,9859; o fluxo estrangeiro na B3 foi de cerca de R$ 10 bilhões em um único dia, e o saldo do ano para o investidor estrangeiro, lido do painel, foi de R$ 33,6 bilhões em 29 de setembro para R$ 52,8 bilhões em 22 de outubro. O índice tocou 209.067 pontos em 9 de outubro, máxima histórica, e oscilou entre 204 mil e 208 mil até o segundo turno. Os mercados de previsão davam entre 76% e 89% de probabilidade a Flávio; as pesquisas de 1º de outubro mostravam empate técnico.

O segundo turno de 25 de outubro inverteu o resultado: Lula 51,79% (64,26 milhões de votos) contra Flávio 48,21% (59,83 milhões), com abstenção de 19,2%. A reação de 26 de outubro foi a maior queda diária do Ibovespa desde março de 2020, −13,88%, para 176.608 pontos, com volume de R$ 76,9 bilhões; MGLU3 caiu 58%, BBAS3 29% e o índice de small caps 26,9%. O dólar à vista fechou a R$ 5,403 depois de tocar 5,605, e a PTAX saiu de 5,0377 para 5,5007, alta de 9,2% em um dia. O CDS de cinco anos subiu 26%, para 151,6 pontos. O estrangeiro vendeu R$ 2,85 bilhões em 26 de outubro e R$ 7,6 bilhões em três dias; o saldo do ano caiu para R$ 42,1 bilhões em 29 de outubro. Na semana, o Ibovespa caiu 18,12% e o dólar subiu 9,04%, a maior alta semanal desde outubro de 2008. O mês fechou com o índice em 167.922 pontos, −9,88%, pior resultado mensal desde junho de 2022.

Ibovespa e PTAX em outubro: a ida e a volta dados ao vivo
Ibovespa (pontos, eixo esquerdo) lido ao vivo de data/acoes_ibov.json, com snapshot de 03/11 embutido; PTAX de venda (R$/US$, eixo direito) com valores fixos da API Olinda do BCB, apurados em 03/11. Pregões de 30/09 a 30/10/2026; 12/10 (feriado) omitido. As duas séries vêm de origens diferentes e o selo "ao vivo" cobre só o Ibovespa.

O Tesouro Nacional cancelou os leilões de prefixados e NTN-B de 26 de outubro e recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em NTN-F; em 27 de outubro cancelou também o leilão de LFT. Galípolo, em 27 de outubro, negou ser cotado para a Fazenda, afirmou que o mandato vai até o fim de 2028 e disse que o BC só intervém no câmbio em caso de disfuncionalidade. Jair Bolsonaro contestou o resultado e pediu anulação; Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos. Deputados do PT passaram a cobrar corte de juros na semana do Copom, e Lula poderá indicar seis dos nove diretores do BC até 2027, com duas diretorias vagas desde setembro.

A curva pré refez em um pregão o que levou três meses

A ETTJ da Anbima registra a trajetória completa. O vértice de dez anos saiu de 14,11% em 30 de setembro para 12,90% em 23 de outubro e para 15,13% em 26 de outubro, fechando o mês em 15,38%; o de dois anos foi de 13,74% a 12,71% e a 14,94%. A curva, que em 23 de outubro era plana entre um e dez anos, em torno de 12,7–12,9%, fechou o mês positivamente inclinada, com 106 p.b. entre o vértice de um ano (14,32%) e o de dez. Nos DIs, o Jan/29 saiu de 12,595% em 23 de outubro para 15,250% em 26 de outubro, e o Jan/31 de 12,575% para 15,240%; o Jan/27, mais preso à Selic, foi de 13,475% para 13,723%. A Bloomberg Línea registrou que a curva passou a embutir Selic próxima de 15% no fim de 2027. O cupom real de dez anos subiu de 6,63% para 7,81% em cinco pregões, e as opções de Copom na B3 passaram de 17,5% de probabilidade de manutenção em 23 de outubro para 66,5% em 28 de outubro e 72,5% em 3 de novembro.

Curva pré em quatro datas: fim de setembro, véspera do 2º turno, o dia seguinte e fim de outubro dados ao vivo
ETTJ Anbima, vértices de 1, 2, 5 e 10 anos (Svensson, % a.a., 252 du), em 30/09, 23/10, 26/10 e 30/10/2026. Série data/br_ettj.json do painel, com snapshot de 03/11 embutido.

Focus: o consenso foi a 13,25% e voltou a 13,50% em uma semana

A mediana do Focus para a Selic de 2026 caiu de 13,50% para 13,25% no corte de 9 de outubro, logo depois do primeiro turno, e lá ficou até 29 de outubro; no corte de 30 de outubro, com as respostas colhidas depois do segundo turno, voltou a 13,50%, com a média em 13,54%, acima da mediana pela primeira vez desde julho. A Selic de 2027 fez o movimento maior: 12,00% até 22 de outubro, 11,75% em 23 de outubro, 12,50% em 30 de outubro. A de 2028 foi de 10,50% a 10,00% e a 11,00%. O IPCA de 2026 subiu de 5,02% para 5,22% no corte de 9 de outubro, depois do IPCA de setembro, e fechou o mês em 5,22%; o de 2027 ficou entre 4,30% e 4,34% o mês inteiro e saltou para 4,76% no último corte, com a média em 4,78%. O câmbio de 2026 caiu de 5,20 para 5,05 até 23 de outubro e subiu para 5,34 em 30 de outubro; o de 2027, para 5,40. O PIB de 2027 caiu em todas as semanas, de 1,41% para 1,20%, com a média em 1,14%. Entre as Top 5 de médio prazo, em 30 de outubro, a Selic de 2026 estava em 13,75%, a de 2027 em 12,50%, o IPCA de 2027 em 4,83% e o câmbio de 2026 em 5,39.

Focus, Selic de fim de 2026 e de 2027: medianas e médias semanais dados ao vivo
Medianas e médias das expectativas anuais (baseCalculo 0), cortes de sexta-feira de 25/09 a 30/10/2026. Medianas lidas ao vivo de data/nao-api/previsoes-macro.json (casa focus, série que esta rodada alimenta); médias embutidas da apuração de 03/11 na API Olinda do BCB. Fonte: BCB/Olinda.

Mapa das casas: a pausa virou base, e 2027 é o novo campo de batalha

Catorze casas publicaram call para a reunião de 3 e 4 de novembro com data dentro da janela. Oito esperam manutenção em 13,75%: Itaú (30/10, "esperamos que o comitê comunique a escolha unânime de interromper o ciclo de queda dos juros"), XP (03/11, depois de ter defendido corte em 27/10), BTG (02/11; Mansueto em 29/10: "possivelmente o ciclo de corte acabou"), Safra (30/10), Goldman (30/10, com 30% de chance de corte), HSBC (02/11), C6 (09/10 e 02/11) e JP Morgan (30/10). Seis esperam corte de 25 p.b., para 13,50%: Bradesco (03/11), Genial (30/10), Inter (02/11, seguido de pausa), ASA (26/10, admitindo que "manutenção é mais provável"), Daycoval (02/11) e, por último registro explícito em 2 de outubro, o Santander, que em 19 de outubro falou apenas em "flexibilização gradual". A pesquisa Reuters de 28/10 a 02/11 teve 33 de 48 respostas por pausa; a do Broadcast de 03/11, 39 cortes contra 36 manutenções em 75 casas. Nenhuma casa núcleo defende 50 p.b.

Nas projeções de fim de ano, a revisão mais dura foi a do Itaú em 30 de outubro: Selic em 13,75% no fim de 2026 e "estável em 13,75% ao longo de 2027 (ante 12,50%)", IPCA de 5,2% em 2026 e 6,1% em 2027 (de 4,6%), PIB de 1,6% e 0,5%, câmbio de 5,40 e 5,60. O banco escreveu que o modelo replicado do BC só converge a 3% com Selic em 13,75% até o fim de 2028, e citou "expectativas de inflação, que já se encontram desancoradas". A XP, no Esquenta de 3 de novembro, adotou "a taxa Selic em 13,75% até o final de 2027" e manteve PIB de 1,0% em 2027 "com riscos claramente assimétricos para baixo"; Megale disse que as projeções "subiram mais do que a inércia inflacionária de 2028 sugeriria" e falou em "potencial deterioração na credibilidade da política econômica". A ASA, em 26 de outubro, pôs a Selic em 13,5% no fim de 2026 e em 13% no fim de 2027, IPCA de 5,1% em 2026, PIB zero em 2027 e dívida bruta de 88,5% do PIB em 2027. O HSBC, em 2 de novembro, projetou 13,75% e 12,50%, IPCA de 5,1% e 5,0%, PIB de 1,6% e 0,6%. O C6 passou a 13,75% em 2026 e 2027. O Inter, "um dos mais otimistas" até setembro, subiu a Selic de 2026 de 13,25% para 13,50% e o IPCA de 2027 de 3,9% para 5%.

CasaSelic 26IPCA 26PIB 26USD 26Selic 27IPCA 27PIB 27RevisãoCall 04/11 e viés
Referência
Mediana Focus (30/10)13,505,221,765,3412,504,761,2030/10Selic28 11,00; IPCA28 4,00; USD27 5,40
Mediana Focus (23/10)13,255,191,805,0511,754,341,3123/10último corte pré-2º turno
Publicaram projeção de fim de ano depois do 2º turno
Itaú (Guillen)13,755,2 ▲1,6 ▼5,40 ▲13,75 ▲6,1 ▲0,5 ▼30/10pausa; hawkish; USD27 5,60
XP (Megale)13,75 ▲—1,7 (19/10)—13,75 ▲—1,003/11pausa (de corte em 27/10); hawkish
ASA (Padulla)13,50 ▲5,1——13,00 ▲—0,026/10−25 p.b., "manutenção mais provável"; hawkish
HSBC BR13,755,11,6—12,505,00,602/11pausa até mar/27; hawkish
C6 Bank (Salles)13,75———13,75——02/11pausa; hawkish
Inter (R. Vitória)13,50 ▲————5,0 ▲—02/11−25 p.b. e pausa; virou hawkish
Só a call de 04/11 ou publicação pré-2º turno
Banco do Brasil (Painel Macro)13,25 ▼—1,8—11,75——06/10pré-eleição, sem reafirmação; dovish
Santander (Caruso)————12,50——19/10"flexibilização gradual"; neutro
Genial (Camargo)—5,2—————13/10 e 30/10−25 p.b.; "nebulosidade fiscal pede CDI"
BTG, Bradesco, Safra, Goldman, JP Morgan, Daycoval———————29/10–03/11só a call: pausa (BTG, Safra, Goldman, JPM) / −25 (Bradesco, Daycoval)
Citi, BofA, BNP, Empiricus, Kinea, Polonão verificado na janela (ver caveats)
Selic de fim de 2027 por casa: quem publicou depois da eleição está acima do Focus dados ao vivo
Última observação de cada casa para a Selic de fim de 2027 com data entre 04/10 e 03/11, lida de data/nao-api/previsoes-macro.json (série que esta rodada alimenta), com snapshot embutido. Barras cinza (*): publicações anteriores ao 2º turno (Santander, 19/10; Banco do Brasil, 06/10). Azure: mediana Focus de 30/10.

Entre as casas com número depois do segundo turno, a mediana para a Selic de fim de 2027 é 13,75% (Itaú, XP, C6), contra 12,50% do Focus; HSBC e ASA ficam no meio, em 12,50% e 13,00%. Em setembro, o mesmo grupo estava entre 11,00% (Bradesco, Safra) e 12,50% (Itaú, BTG, Santander, Citi). A dispersão de 2027 subiu de 150 p.b. para 200 p.b. e o centro de gravidade deslocou cerca de 125 p.b. para cima. Mansueto resumiu a leitura do bloco da pausa em 29 de outubro: "O Brasil nunca vai conseguir fazer a gestão [da dívida] com juro real de 7% a 8% ao ano"; "sem plano de controle do gasto público, ciclo de corte de juros acaba este ano". Tabelas de fim de ano pós-eleição de BTG, Bradesco, Safra, Goldman e JP Morgan não foram localizadas em fonte aberta e ficam registradas como não verificadas.

Inflação: IPCA de setembro a 0,82% e o Itaú em 6,1% para 2027

O IPCA de setembro, divulgado em 9 de outubro, subiu 0,82%, depois da deflação de 0,32% em agosto, e levou o acumulado em doze meses de 4,22% para 4,58%, acima do teto de 4,5%. Habitação subiu 2,31%, com energia elétrica a +7,42% pelo fim do bônus de Itaipu; transportes 0,89%, alimentação 0,83%, vestuário 0,71%. A média dos cinco núcleos do BC em doze meses subiu de 4,30% para 4,52%, com EX0 em 4,85% e EX3 em 4,09%; o espalhamento entre o núcleo mais alto e o mais baixo abriu de 0,57 para 0,76 ponto. O INPC subiu 0,82% (4,29% em doze meses). O IPCA-15 de outubro, em 23 de outubro, veio a +0,32%, metade do de setembro, com 4,62% em doze meses: alimentação +0,88% (tomate +24,5%), habitação −0,10% com bandeira verde, passagens aéreas −9,24%, combustíveis +1,2% com diesel a +3,70%.

Núcleos do IPCA em 12 meses: a média voltou para cima do teto em setembro dados ao vivo
Os cinco núcleos do BC, a média deles e o IPCA cheio, acumulados em 12 meses, de abril/2024 a setembro/2026. Banda de tolerância de 1,5% a 4,5% e meta de 3,0%. Série data/ipca.json do painel (nucleos.serie_12m), com snapshot de 03/11 embutido. Cores dos núcleos conforme o painel.

O Focus incorporou o IPCA de setembro em uma semana, de 5,02% para 5,22% para 2026, e incorporou a eleição em outra, de 4,34% para 4,76% para 2027. O Itaú foi mais longe: 6,1% para 2027, com câmbio a 5,60. O HSBC e o Inter puseram 5,0%; a ASA, 5,1% para 2026. A leitura comum é o repasse cambial: a PTAX subiu 7,6% entre 23 e 30 de outubro, e Salto, no Market Makers, disse que "agora que o câmbio deu essa esticada... automaticamente você já vai ter repasse". A Capital Economics estimou 0,3 p.p. de IPCA em seis meses para a depreciação observada. A inflação de serviços e o fim do bônus de energia já tinham devolvido o IPCA ao teto antes da eleição; o câmbio adiciona 2027 ao problema.

Fiscal: superávit em setembro, dívida a 82,9% e R$ 300 bilhões em promessas

O Governo Central teve superávit primário de R$ 4,839 bilhões em setembro, divulgado em 29 de outubro, contra déficit de R$ 14,4 bilhões em setembro de 2025, com receitas +13,0% reais e despesas +2,4% reais e arrecadação recorde de R$ 239,4 bilhões; no ano, o déficit é de R$ 90,2 bilhões. O setor público consolidado teve déficit de R$ 5,5 bilhões em setembro e de R$ 94,3 bilhões no ano (0,93% do PIB); em doze meses, −R$ 70,1 bilhões (0,52% do PIB), com juros nominais de R$ 1,205 trilhão (8,99% do PIB) e déficit nominal de 9,51% do PIB. A dívida bruta subiu para 82,93% do PIB (R$ 11,1 trilhões), de 82,87% em agosto, e a líquida para 69,98%. O Prisma Fiscal de outubro elevou o déficit projetado do Governo Central em 2026 de R$ 52,3 bilhões para R$ 53,0 bilhões, com dívida bruta de 83,4% em 2026 e 87,0% em 2027. A DPF fechou setembro em R$ 9,383 trilhões.

Dívida bruta do governo geral: 71,7% em dezembro de 2022, 82,9% em setembro de 2026 dados ao vivo
Série mensal do BCB, % do PIB, dez/2022 a set/2026, lida de data/fiscal-classicos.json (divida.dbgg_pct_pib), com snapshot de 03/11 embutido. Fonte: BCB (SGS 13762).

O debate sobre o ajuste dominou a segunda metade do mês. A UBS calculou cerca de R$ 300 bilhões em promessas de campanha e condicionou a volta aos preços pré-eleição a um "pacote concreto com medidas quantificadas" aprovado antes do fim do ano; o Deutsche Bank apontou que o Senado passou de 47% para 63% de cadeiras à direita, o que "constrains... looser fiscal agenda". Gustavo Loyola, no Stock Pickers de 29 de outubro, previu "algum ajuste marginal nas despesas, uma tentativa de aumentar os impostos onde for possível, por exemplo, IOF", observou que "ajuste fiscal via receita não é eficiente", disse que o arcabouço "perdeu totalmente a credibilidade" e que "nós não estamos ainda numa situação de dominância fiscal"; a comparação que fez foi com o segundo governo Dilma. Bruno Funchal, no Outliers gravado antes do resultado, defendeu que "o melhor momento para fazer esse movimento é depois de um processo eleitoral" e que "você não precisa nem cortar, você só precisa dar uma travada no crescimento das despesas obrigatórias", apontando os mínimos de saúde e educação e a regra do salário mínimo. Felipe Salto propôs ajuste de 2% do PIB seguido de rediscussão da meta de inflação ("eu não posso discutir uma meta de 4%?"); Solange Srour respondeu que "eu não conheço nenhum caso de país que subiu a meta e deu certo" e que "a meta de inflação não é âncora no Brasil". O Senado aprovou a PEC do fim da escala 6x1 em meados do mês; Funchal classificou a medida como inflacionária, com pressão sobre os juros em 2027. A LDO de 2027 mantém meta de superávit de 0,5% do PIB; Durigan afirmou em 22 de outubro que a meta está mantida. O 5º relatório bimestral sai em 22 de novembro.

Atividade: desemprego em 5,2% e PIB de 2027 entre 0% e 1%

A PNAD de julho a setembro, em 30 de outubro, registrou desocupação de 5,2%, a menor para o trimestre desde 2012, com 103,6 milhões de ocupados, rendimento médio de R$ 3.790 (+3,6% em termos reais) e massa de R$ 387,5 bilhões; a informalidade ficou em 37,5%. O Caged de agosto, divulgado em 30 de setembro, mostrou saldo de 165,8 mil vagas; o de setembro sai em 4 de novembro. Os dados de produção foram na direção oposta: produção industrial de agosto −0,6% com queda em dez de quinze locais, serviços −0,1%, varejo +0,1%; o IBC-Br de agosto subiu 0,34% depois de dois meses de queda. A CNI cortou a projeção de PIB de 2026 de 2,0% para 1,6% em 28 de outubro, e o Focus levou o PIB de 2027 de 1,41% para 1,20% em cinco semanas, com o PIB de 2026 em 1,76%.

As casas foram além do Focus para 2027: Itaú 0,5%, HSBC 0,6%, ASA 0,0% ("risco de recessão"), XP 1,0% com viés de baixa. A combinação de mercado de trabalho apertado com produção em queda apareceu nas falas dos economistas: Srour falou em "recessão em 2027 com inflação acima de 5,5%" no cenário sem choque de credibilidade; Loyola disse que "os juros ainda continuarão em dois dígitos pelo menos até 2028". O FMI, no WEO de 13 de outubro, fechado antes da eleição, projetou 2,2% para o Brasil em 2026 e 1,9% em 2027, com inflação de 4,4% e 4,1%, números que ficaram acima de todas as casas locais no fim do mês.

Fed sob Warsh: pausa com dois dissidentes, e o juro longo caiu com o petróleo subindo

O FOMC manteve o Fed funds em 3,75–4,00% em 28 de outubro, por 10 votos a 2, com Lisa Cook e Beth Hammack votando por alta de 25 p.b. O comunicado passou a descrever a atividade como "expanding at a strong pace" e repetiu que "inflation remains elevated". Na coletiva, Warsh disse que a inflação "has been running above the Committee's objective for close to 6 years", que "energy and related prices have moved higher again in recent weeks", que as condições financeiras estão "tighter, but not tight" e que "I don't believe in forward guidance absent exigent circumstances"; sobre o capex de inteligência artificial, "not just robust, not just strong, but it is broadening". A ata da reunião de setembro, em 7 de outubro, registrou que "most participants assessed that another increase in the target range for the federal funds rate would likely be appropriate by year end". Os futuros passaram a precificar cerca de 85% de alta em 9 de dezembro, e o factbox da Reuters de 15 de outubro listou Goldman, JP Morgan, Morgan Stanley, Barclays, Deutsche, UBS, HSBC, Citi, Nomura e Standard Chartered com uma alta em dezembro, para 4,00–4,25%; BofA, Morgan Stanley (Gapen) e Schwab veem 4,25–4,50% até março de 2027. A PIMCO escreveu que o Fed "won't need to deliver all the hikes markets price".

Os dados sustentam os dissidentes. O CPI de setembro subiu 0,6% no mês e 3,7% em doze meses, com energia +20,4% e gasolina +9,1% no mês; o PPI subiu 1,3%, maior alta desde março de 2022. O PCE de setembro ficou em 3,6% e o núcleo em 3,1%. O PIB do terceiro trimestre cresceu 3,4% anualizado, com vendas finais a compradores privados a +4,9%; o GDPNow para o quarto trimestre está em 3,7%. O ISM de manufatura de outubro subiu a 55,5, com o índice de preços em 75,2, e o de serviços de setembro ficou em 54,9. O mercado de trabalho foi o dado fraco: payroll de setembro +29 mil, com revisão de −60 mil nos dois meses anteriores e desemprego em 4,2%; o JOLTS mostrou 7,5 milhões de vagas. O sentimento do consumidor de Michigan ficou em 48,0, segundo pior da série, com expectativa de inflação de um ano em 4,7%.

Brent e Treasury de dez anos se descolaram em outubro
Fechamentos diários de 30/09 a 30/10/2026: Brent (contrato contínuo, US$/barril, eixo esquerdo) e Treasury de 10 anos (% a.a., eixo direito). Fonte: Yahoo Finance (BZ=F) e FRED (DGS10), apurados em 03/11; 12/10 (Columbus Day) omitido. Valores fixos, sem leitura ao vivo.

O juro longo americano fez o oposto de setembro. O Treasury de dez anos, que tinha subido de 4,76% a 5,29% em setembro com o petróleo, caiu de 5,29% para 4,94% em outubro, com o Brent subindo 13,6%; o de dois anos caiu 32 p.b., para 4,56%, e o de trinta anos para 5,31%. O movimento se concentrou em duas datas: 15 de outubro (5,19% para 5,10%) e 22 de outubro (5,13% para 4,96%), na semana em que o Nasdaq começou a cair com o pedido de abertura de capital da Anthropic, cortes de capex e o que o Forward Guidance chamou de "o trade de IA implodindo". O índice MOVE caiu de 110 para 100 e o VIX subiu de 16,3 para 19,4; o Nasdaq caiu 5,3% no mês e o S&P 500 0,9%. O JP Morgan colocou o valor justo do dez anos entre 4,50% e 5,25%, e a BlackRock rebaixou ações americanas para neutro em outubro. A leitura dominante nos podcasts, de Rosenberg a Gromen, foi que o choque de energia sem repasse a salários não sustenta inflação, e que o juro longo passou a reagir mais ao risco de bolha de IA do que ao petróleo.

BCE sem Lagarde, BoJ dividido, Índia subindo e China abaixo de 50

O BCE manteve a taxa de depósito em 2,50% em 29 de outubro, por unanimidade, depois de duas altas em cinco meses, citando "the increased magnitude and duration of the energy shock" e "not pre-committing to a particular rate path". Lagarde disse que "unless there was a major development, the direction of travel is quite clear for all of us" e anunciou que deixa a presidência em fevereiro de 2027, nove meses antes do fim do mandato; Schnabel sai em janeiro para o FMI, e Knot e Hernández de Cos são os nomes mais citados. O HICP de setembro foi confirmado em 3,8%, com energia a 18,8% e núcleo em 2,5%; os dados nacionais de outubro mostraram Itália em 5,6%, Espanha 4,9%, França 3,8% e Alemanha 2,8% (CPI). O PIB da zona do euro cresceu 0,4% no terceiro trimestre, com Alemanha +0,2%, França −0,1% e Espanha +0,6%. A Fitch rebaixou a perspectiva da França para negativa em 30 de outubro, e o spread OAT-Bund abriu para cerca de 160 p.b. O Bund de dez anos caiu 16 p.b. no mês, para 3,33%.

O Banco do Japão manteve 1,25% em 30 de outubro, por 8 a 1, com Takata pedindo 1,50%, e dobrou a venda de ETFs a partir de janeiro; o JGB de dez anos caiu 33 p.b., para 2,77%, depois de ter tocado 3,115% em setembro. O Banco da Inglaterra decide em 5 de novembro, com as pesquisas apontando alta para 4,00% em um ciclo "short and precautionary", com inflação acima de 4%. Na China, o PIB do terceiro trimestre cresceu 4,5%, o varejo de setembro 1,1% e o investimento fixo acumulou −7,2% no ano; o PMI oficial de outubro caiu a 49,3, enquanto o RatingDog subiu a 52,0; a LPR ficou parada pelo 17º mês. Entre os emergentes, o RBI subiu a taxa indiana em 25 p.b., para 5,50%, primeira alta desde 2023; a Turquia cortou para 36%; a Colômbia manteve 12,25% por 4 a 3, com três votos por alta; Chile (4,50%), Peru (4,25%) e Indonésia (5,75%) mantiveram. O peso mexicano caiu 4,3% no mês, para 18,85.

O FMI publicou o WEO em 13 de outubro com crescimento global de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, inflação global de 4,7% e 4,1%, EUA em 2,3% nos dois anos, China 4,5% e 4,0%, zona do euro 1,1% e 1,2%; o petróleo médio de 2026 foi posto em US$ 95,74, alta de 41,3%. O Fiscal Monitor projetou a dívida líquida americana de 98% para 117% do PIB até 2031. O Banco Mundial, no Commodity Markets Outlook de 28 de outubro, estimou o índice de commodities em +23% em 2026, com energia na máxima de quatro anos e metais em recorde.

Commodities e geopolítica: Ormuz, gás europeu +44% e ouro na mínima de um ano

O Brent subiu de US$ 103,53 para US$ 117,64 no contrato de dezembro, máxima de seis meses, e o WTI de 90,42 para 104,12; a mínima do mês foi 100,20 em 7 de outubro. O TTF europeu subiu 43,6%, para €103,94 por MWh, com o GNL do Catar preso. Outubro teve recorde mensal de ataques a navios em Ormuz, um porta-contêineres afundado em 14 de outubro, 6.000 marinheiros retidos segundo a ONU, e os houthis no controle de Bab el-Mandeb depois de tomarem um porto-chave no Iêmen em 9 de outubro; o ataque ao aeroporto de Riad em 10 e 11 de outubro matou 13 pessoas e levou o Egito ao conflito. O oleoduto Leste-Oeste saudita operou a 5,8 milhões de barris por dia e foi atacado em 16 de outubro. A OPEP+ manteve a produção em 4 de outubro e em 1º de novembro, adiando a discussão de cotas para 2027; o MOMR cortou a demanda de 2026 para +0,2 mb/d. A EIA pôs o Brent do quarto trimestre em US$ 105, e o Goldman elevou a projeção de dezembro de 90 para 105 e a de 2027 de 80 para 88, com cauda de 140. Em 2 de novembro o Brent caiu 7% com a janela de dois dias dada pelo Irã para um acordo sobre Ormuz, e em 3 de novembro operava perto de US$ 103.

Commodities, dólar e metais em outubro: energia subiu, o resto caiu
Variação percentual entre os fechamentos de 30/09 e 30/10/2026, contratos contínuos do Yahoo Finance (TTF=F, CL=F, BZ=F, SB=F, DX-Y.NYB, KC=F, HG=F, NG=F, ZS=F, GC=F, ZC=F, ZW=F, SI=F), apurados em 03/11; minério de ferro 62% Singapura aproximado (~96,9 em 28/09 → ~90 em 27/10, Trading Economics). Valores fixos, sem leitura ao vivo.

O ouro caiu 6,9%, para US$ 3.898,9, abaixo de 3.900 pela primeira vez em um ano, e a prata 18,3%; o cobre caiu 1,5%, e o minério de ferro tocou mínima de dois anos, abaixo de US$ 90, em 27 de outubro. Nos grãos, o WASDE de 9 de outubro elevou a produtividade do milho para 181,2 bushels por acre e o contrato caiu 10,6% no mês; trigo −10,7%, soja −5,5%. O açúcar subiu 9,8% e o café caiu 1,2%. O dólar ficou parado em termos de índice, DXY de 101,45 para 101,88, com o euro a 1,1163 e o iene a 157,80; a exceção foram as moedas latino-americanas, peso −4,3% e real −4,6% na PTAX.

Na geopolítica fora do Golfo, Trump anunciou um "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia em 11 de outubro, que a Ucrânia disse ter sido violado em dois dias; Putin aceitou retomar conversas trilaterais em 21 de outubro, e Witkoff falou em reunião em Abu Dhabi na semana de 9 de novembro. A trégua tarifária EUA-China, estendida por dois meses na cúpula de setembro, segue sem acordo substantivo; Trump ameaçou tarifas de 300% em 7 de outubro, e a venda de US$ 14 bilhões em armas a Taiwan segue travada. A eleição israelense de 27 de outubro foi inconclusiva. Nos Estados Unidos não houve shutdown do governo federal em outubro, com financiamento por resolução contínua até 11 de dezembro, mas o DHS entrou em lapso de financiamento na virada do mês; as eleições de meio de mandato foram em 3 de novembro.

Wall Street sobre o Brasil: 5,40 a 6,00 e o fim do ciclo

As casas globais reagiram em 26 de outubro com uma faixa estreita para o câmbio e uma faixa larga para o resto. O Morgan Stanley desenhou três fases: real testando 5,50, depois 5,60–5,70, e 6,00 no cenário pessimista, com DI Jan/29 a 14,50% e depois 15,50%, 16,50% no bear com altas de juros e intervenção do BC, Ibovespa a 130.000 pontos em meados de 2027 no pior caso e dívida bruta de 106% do PIB em 2035 se o ajuste atrasar. O Goldman pôs o real em 5,60 no cenário base, 5,40 no susto leve e 5,80 no grave. O JP Morgan rebaixou o soberano brasileiro de overweight para underweight e cortou a posição em real e juros locais para neutro, com P/L do Ibovespa de 9,7x para 8,3x e até 7x. O Citi fechou a posição comprada em real e o overweight em ações, com a observação de que "market was long... overshoot plausible"; a BCA Research passou títulos locais e crédito soberano para underweight e ações para underweight contra emergentes. O Barclays falou em 5,50 e "disorderly moves"; o ING, que esperava gap de 5–7%, para 5,20–5,25, reconheceu ter subestimado. O UBS pôs 5,40 como "primeiro nível de referência" e condicionou a volta ao P/L pré-eleição de 9,6x a um pacote quantificado aprovado antes do fim do ano. A Bloomberg Economics foi a dissonante: queda "significativa, mas temporária", com consolidação gradual.

CasaUSD/BRLJuros / SelicBolsa e alocaçãoData
Morgan Stanley5,50 → 5,60–5,70; bear 6,00Jan/29 14,50% → 15,50%; bear 16,50%−20 a −30%; bear 130.000 em meados/2726/10
Goldman Sachs5,60 base (5,40 / 5,80)pausa em 04/11 (30% de corte)—26–30/10
JP MorganOW → neutrosoberano OW → UW; HY corp UW; pausa em 04/11P/L 9,7x → 8,3x, até 7x; exportadores26–30/10
Citifechou long BRL—fechou OW em ações BR26–27/10
UBS5,40 "primeiro nível"NTN-B 2050 de 6,74% para ≥7,10%volta a 9,6x só com pacote quantificado26/10
Barclays / ING / Deutsche5,50 / 5,20–5,25 / sem alvosoberano −300 p.b. (Barclays)Congresso à direita "constrains" (Deutsche)26/10
BCA Research—LC bonds e soberano OW → UWações neutro → UW vs EM27/10
HSBC / Capital Economics—Selic estável até mar/27 / "pausa, não reversão"—02–03/11
Bloomberg Economics——queda "significativa, mas temporária"26/10

O que se discutiu: YouTube, podcasts e cartas

No YouTube brasileiro, a primeira quinzena foi o "trade eleitoral" e a segunda foi o ajuste fiscal. Entre os episódios cujas legendas foram lidas, Gustavo Loyola (Stock Pickers, 29/10) sustentou que o BC "vai sofrer pressões, mas tem que resistir", que Lula "é um operador político de primeira grandeza" e que não haverá crise iminente, mas que a trajetória é "bastante perigosa"; a Selic abaixo de 10% não acontece "nesse horizonte de 24 meses". O debate Salto × Srour (Market Makers) opôs a tese de que o BC é "sistemática e persistentemente conservador" e deveria rediscutir a meta depois de um ajuste de 2% do PIB à tese de que o juro é alto porque "a meta de inflação não é âncora no Brasil" e o BC "acomodou" choques; os dois convergem em que o fiscal é a raiz. Bruno Funchal (Outliers, gravado antes do resultado) defendeu que o ajuste é "um trade-off" entre gradual e choque, que "ajuste pelo lado da despesa é mais eficiente do que pelo lado da receita, ponto", e que o crédito privado está sob pressão sem ser sistêmico. Caio Megale (XP, 26/10) pôs a montagem da equipe econômica como primeiro foco e desenhou dois cenários: câmbio pressionado com BC interrompendo o ciclo mais cedo, ou cortes até 11–12%; uma semana depois a XP adotou o primeiro.

As calls divergentes vieram dos gestores. Leonardo Otero (Arbor, Market Makers 01/11) zerou ações brasileiras e falou em queda adicional de 30%, preferindo Microsoft, Nvidia, TSMC, Google e Amazon; Bruno Perini (Os Sócios) e a HIX compraram na queda. Aurélio Bicalho (Vinland, 15/10) tinha dito antes do segundo turno que não via tese convincente para apostar contra o dólar, com juros americanos altos e o capex de IA sustentando a moeda. Elena Landau (Risco Brasil, 02/11) apontou o risco de "baixar juros na marra". O Clube do Valor replicou o alerta do Morgan Stanley para 159 mil visualizações. A recomendação comum a XP, Canal do Holder, Otero, Moscareli e Suno foi dolarizar parte da carteira e preferir pós-fixados; a XP sugeriu NTN-B 2032 e 2035 e prefixados só até dois anos.

Nos podcasts internacionais, David Rosenberg (MacroVoices 552) argumentou que choques de energia não geram inflação sustentada sem salários; Brent Johnson (553) manteve o dólar forte no longo prazo; Luke Gromen (556) explicou por que o dano de Ormuz foi menor que o esperado, com demanda chinesa fraca e liberação coordenada de reservas. O Odd Lots tratou de por que os Treasuries "voltaram a ser arriscados" (Carolin Pflueger), da crise de dívida francesa e do trade de IA depois do pedido de abertura de capital da Anthropic (Alexander Altmann, Barclays). O Forward Guidance de 31 de outubro chamou o Fed de "sideshow enquanto o trade de IA implode". No Wealthion, Lyn Alden falou em dominância fiscal e revalorização do ouro, Larry McDonald em S&P 500 −30% em doze meses, e Jesse Felder em 150–200 p.b. de altas do Fed. Ray Dalio disse em 7 de outubro que a bolha de IA está "approaching" o estouro.

Nas cartas, a PIMCO (Cyclical Outlook de 6 de outubro, "Growth Holds, Risks Widen") manteve duração global de qualidade entre cinco e sete anos, seletividade em crédito e commodities como hedge, com r* em torno de 1,5%; a BlackRock rebaixou ações americanas para neutro e manteve emergentes em overweight, citando lucro do "S&P 493" a +29% contra +18% das sete grandes e capex dos hyperscalers de US$ 649 bilhões; Torsten Slok (Apollo) escreveu que "inflation stopped falling, now it's rising" e que o Fed funds teria de ir a 6,75% até o fim de 2027 para a inflação voltar a 2%, exercício de modelo, sem valor de projeção; o Morgan Stanley (Wilson) manteve 8.000 para o S&P 500 no fim de 2026 com suporte em 7.100–7.200, e o Goldman (Snider) pôs 8.000 e 8.700 para 2027. Cartas de Verde, Adam, SPX, JGP e Legacy não foram localizadas em fonte aberta na janela.

Síntese estratégica e leituras dissonantes

O consenso de novembro é a pausa em 13,75% com o ciclo encerrado até pelo menos março de 2027. Itaú, XP, BTG, Safra, Goldman, HSBC, C6 e JP Morgan estão nele; o Focus foi atrás, de 11,75% para 12,50% em 2027, e o mercado de opções deu 72,5% à manutenção na véspera. O bloco do corte, Bradesco, Genial, Inter, ASA e Daycoval, sustenta a posição na atividade e no IPCA-15 de outubro, mas três dos cinco admitem que a manutenção é o cenário mais provável do comitê. A dissonância relevante está em 2027, onde as casas que publicaram depois do segundo turno colocam a Selic entre 12,50% e 13,75% e o Itaú projeta IPCA de 6,1%; o Focus, em 12,50% e 4,76%, ainda não incorporou o conjunto das revisões, e a média acima da mediana indica para onde a distribuição se move.

O trade dominante foi reversão de posição: o estrangeiro comprou R$ 19 bilhões líquidos entre 29 de setembro e 22 de outubro e vendeu R$ 10,7 bilhões em cinco pregões; a curva pré, que havia fechado 120 p.b. com a expectativa de um governo de ajuste, abriu 250 p.b. com a expectativa de um governo sem ajuste. O UBS, o Deutsche e a Bloomberg Economics veem choque reversível, condicionado a um pacote fiscal quantificado e a um Congresso mais conservador; Morgan Stanley, BCA e JP Morgan veem deterioração estrutural, com dominância fiscal como cenário de cauda. Loyola e Funchal, de dentro, concordam que não há crise iminente nem risco sistêmico de crédito, e discordam sobre a chance de ajuste: Funchal vê a janela pós-eleitoral, Loyola vê "ajuste marginal" e Dilma 2.

Fora do Brasil, a dissonância é entre o Fed e o mercado de juros. Dois dissidentes, uma ata que fala em alta até o fim do ano, CPI a 3,7%, PIB a 3,4% e ISM de preços a 75 sustentam a alta de dezembro; o Treasury de dez anos caiu 35 p.b. no mês porque o Nasdaq caiu 5,3% e o risco passou a ser a bolha de IA, com Dalio, Forward Guidance e Capital Economics no mesmo lado. O petróleo subiu 13,6% sem levar o juro longo, o que inverte a correlação de setembro. Para o Brasil, isso significa que o canal externo deixou de ajudar: o DXY parado e o dez anos em queda não impediram a PTAX de ir a 5,42, e o diferencial de juros ampliado pela curva local é o que sustenta o real daqui para frente. O BCE sem Lagarde, a França com perspectiva negativa e o BoE prestes a subir completam um G10 em que só o Fed e o BCE pausaram, e por motivos diferentes.

Fatos novos a monitorar em novembro

Calendário de novembro

Caveats e limitações

Fontes

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