Janela de 1º a 31 de agosto de 2026, com atualizações até 14/09 · fechamento em 14/09
O Copom cortou a Selic para 14,00% em 5 de agosto, por unanimidade, no quarto corte consecutivo de 25 pontos-base. No mesmo mês, a ata do Federal Reserve registrou que muitos participantes veem aperto como provavelmente necessário, o Banco Central Europeu preparou a alta que entregaria em 10 de setembro, e o Banco do Japão sinalizou que subiria também. O Brasil passou agosto correndo o ciclo na direção oposta à do G10.
A causa do descolamento é identificável e tem nome: energia. O Brent fechou julho a US$ 90,12, caiu a US$ 79,96 no dia 4 de agosto com a expectativa de acordo com o Irã, voltou a US$ 93 no fim do mês com o embargo dos Emirados, e em setembro saltou para US$ 108 depois que os houthis tomaram Perim e a Arábia Saudita fechou o oleoduto Leste-Oeste. Para os importadores líquidos do hemisfério norte, isso é choque de custo com risco de segunda ordem. Para o Brasil, que exporta petróleo e viu a bandeira tarifária cair com o bônus de Itaipu, o mesmo mês produziu deflação de 0,32%.
O resultado é um país com a inflação de doze meses na mínima de quatro anos e o Copom com espaço para cortar de novo, dentro de um mundo que reprecificou juro real para cima. O teste de outubro é se essa combinação sobrevive ao Fed em alta, ao Brent acima de US$ 100 e à eleição.
| Indicador | Fim jun (04/07) | Fim jul (31/07) | Fim ago (31/08) | Δ agosto | 11–14/set |
|---|---|---|---|---|---|
| Política monetária | |||||
| Selic vigente | 14,25% | 14,25% | 14,00% | −25 p.b. | 14,00% |
| Fed funds (teto) | 3,75% | 3,75% | 3,75% | = | 3,75% |
| Expectativas — Boletim Focus | |||||
| Selic fim 2026 (mediana) | 14,00% | 13,75% | 13,75% | = | 13,75% |
| Selic fim 2026 (média) | — | 13,78% | 13,67% | −11 p.b. | 13,58% |
| Selic fim 2027 | 12,00% | 12,00% | 12,00% | = | 12,00% |
| IPCA 2026 | 5,30% | 5,03% | 5,01% | −0,02 | 4,90% |
| IPCA 2027 | 4,18% | 4,22% | 4,28% | +0,06 | 4,30% |
| PIB 2026 | 1,99% | 1,99% | 1,92% | −0,07 | 1,89% |
| USD/BRL fim 2026 | 5,20 | 5,20 | 5,20 | = | 5,20 |
| Inflação corrente | |||||
| IPCA m/m (mês de ref.) | +0,58% (mai) | +0,07% (jul) | −0,32% (ago) | deflação | — |
| IPCA 12 meses | 4,72% | 4,44% | 4,22% | −0,22 p.p. | 4,22% |
| Juros | |||||
| DI Jan/27 | 14,035% | 13,810% | 13,615% | −19,5 p.b. | — |
| DI Jan/29 | — | 14,130% | 14,175% | +4,5 p.b. | — |
| Treasury 10 anos | ~4,42% | 4,75% | 4,73% | −2 p.b. | 5,00% |
| Câmbio, commodities e bolsa | |||||
| USD/BRL (PTAX venda) | 5,1766 | 5,0773 | 5,1816 | +2,1% | 5,1258 |
| DXY | 101,28 | ~99,8 | 100,23 | +0,5% | 99,1 |
| Brent (US$/b) | 72,92 | 90,12 | 90,49 | +0,4% | 104,61 |
| Ouro (US$/oz) | 4.014 | 4.046,84 | 4.431,82 | +9,5% | 4.385,61 |
| Ibovespa | 173.205 | 177.999 | 177.419 | −0,33% | 187.207 |
| Fiscal | |||||
| DBGG (% PIB, mês de ref.) | 81,1 (mai) | 81,9 (jun) | 82,5 (jul) | +0,6 p.p. | — |
A média do Focus caiu 11 pontos-base em agosto enquanto a mediana ficou parada em 13,75% pela sétima edição seguida. Essa divergência entre as duas medidas de tendência central é o dado mais informativo do mês: o consenso se moveu por baixo da mediana, o que antecipa a queda dela.
Atualização posterior ao fechamento: o Copom de 15-16/09 cortou a Selic para 13,75%, com vigência em 17/09, confirmado na série 432 do BCB. O consenso do corte se realizou; a divergência que segue aberta é o passo de novembro.
O Brasil entrou em 2026 com a Selic em 15,00% e cortou cinco vezes até setembro. No mesmo intervalo, o Fed ficou parado na banda de 3,50–3,75%, o BCE subiu duas vezes e o Banco do Japão saiu de 0,75% para 1,00%. O gráfico abaixo é a tese do mês em uma imagem: os ciclos apontam para lados opostos, e a causa comum é a mesma — o preço da energia, que para o hemisfério norte é custo importado e para o Brasil é receita de exportação e conta de luz mais barata.
A 280ª reunião do Copom levou a Selic de 14,25% a 14,00% com sete votos, e o comunicado condicionou a magnitude do ciclo a novas informações, num ambiente descrito como de riscos mais elevados que o usual e assimetria altista. A ata de 11 de agosto trouxe o cenário de referência com IPCA de 5,1% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028 — este último é o horizonte relevante, e é nele que a decisão se apoia. A frase que sustenta o argumento da pausa está na mesma ata: expectativas desancoradas exigem restrição maior e por mais tempo, e o Comitê promete reagir com firmeza a efeitos de segunda ordem de choques de oferta.
O IPCA de agosto fechou em −0,32%, a deflação mensal mais intensa desde agosto de 2022, e levou o acumulado de doze meses a 4,22%, a menor leitura desde fevereiro. A composição explica por que o número não encerrou a discussão. Habitação caiu 1,87% com energia elétrica em −4,55%, efeito do bônus de Itaipu e da bandeira verde; transportes caíram 0,86% com gasolina, etanol e diesel recuando juntos; administrados caíram 1,25%. Esses três blocos são preço administrado ou preço de energia, e o efeito Itaipu reverte em setembro.
O que a deflação não alcançou foi o núcleo. A média dos núcleos ficou em 4,30% em doze meses, com o anualizado de três meses cedendo de 4,5% para 4,0%, enquanto os serviços intensivos em trabalho seguiram em 7,18% e os serviços subjacentes em 4,98%. A difusão subiu de 49,6% para 54,4% justamente porque a queda foi concentrada em poucos itens — mais da metade da cesta continuou subindo. A leitura conjunta é de cabeçalho transitório, núcleo em melhora lenta e serviços resistentes.
data/ipca.json: de cada 100 preços coletados pelo IBGE, quantos subiram no mês. Não mede o tamanho da alta, e sim em quantos itens ela aparece. A linha mensal voltou de 49,6% em julho a 54,38% em agosto — a deflação do índice veio de poucos itens de peso, com mais da metade da cesta ainda subindo. A média móvel de três meses, em 52,5%, é que está no piso. Faixa normal = média desde 2012 (61,0%) ± 1 desvio-padrão. Espelha o gráfico IPCA-06 do painel AZ.data/ipca.json. Quando os núcleos rodam abaixo da linha do cheio, a alta vem de itens voláteis; quando rodam acima, a pressão é de fundo. Em agosto a média dos núcleos ficou em 4,30%, acima do cheio de 4,22%. Banda e cores conforme o painel AZ (gráfico IPCA-04); meta contínua de 3,0% com banda de 1,5% a 4,5%. Fonte: IBGE, consolidado no painel.A curva de juros registrou o mês em duas partes. Ao longo de agosto o vértice de um ano cedeu enquanto o miolo subiu: o DI Jan/27 caiu 19,5 pontos-base e o Jan/29 subiu 4,5, com o Jan/31 somando 9 — a ponta curta acompanhou a Selic e o miolo passou a carregar prêmio fiscal e eleitoral. Em setembro o movimento foi outro: a curva inteira desceu com o trade eleitoral, e o vértice de dez anos, que estava em 14,73% no fim de agosto, fechou a 14,38% em 17 de setembro.
data/br_ettj.json). Entre julho e agosto a curta cedeu e o miolo abriu; em setembro a curva inteira desceu. Fonte: ANBIMA.Seis casas mudaram de lado entre agosto e a primeira quinzena de setembro, todas na mesma direção. O Bradesco foi de 13,75% a 13,25% em 7 de agosto, condicionado a câmbio estável; o Citi cortou de 14,25% a 13,75% em 14 de agosto; a XP abandonou a hipótese de pausa em 27 de agosto, depois do IPCA-15 negativo, e foi a 13,25%; o Safra desceu de 13,50% a 13,25% em 10 de setembro; o ASA, que estava em 14,00% em 11 de agosto, foi a 13,25% em 14 de setembro; o C6 foi de 14,00% a 13,75%. Contra a maré, a Kinea passou a defender a interrupção do ciclo em 1º de setembro.
data/nao-api/previsoes-macro.json), sempre a revisão mais recente de cada casa dentro da janela de frescor de 30 dias. A mediana do Focus entra como régua. Casas cuja última revisão pública caiu fora da janela aparecem em tom apagado e não entram na leitura de consenso. Fonte: consolidação AZ sobre publicações das casas; Focus via API Olinda.A mediana do Focus não se moveu em nenhuma das sete edições do período, mas a média caiu de 13,78% para 13,58%, e a leitura restrita aos últimos cinco dias úteis em 14 de setembro já estava em 13,56%. A projeção de IPCA para 2026 caiu em seis das sete edições, de 5,12% em 24 de julho a 4,90%. A de 2027 subiu em cinco, de 4,22% a 4,30%.
Esse par de movimentos opostos é o argumento central da ala da pausa. A desancoragem não desapareceu — ela migrou do ano corrente para o horizonte relevante, que é exatamente onde o Copom diz que olha.
| Casa (última revisão) | Selic 26 | IPCA 26 | PIB 26 | Selic 27 | Viés |
|---|---|---|---|---|---|
| Mediana Focus (11/09) | 13,75% | 4,90% | 1,89% | 12,00% | referência |
| Safra (10–11/09) | 13,25% | 4,8% | 1,9% | 11,00% | o mais dovish dos bancões |
| XP (27/08 e 04/09) | 13,25% | 5,0% | 1,7% | 11,50% | virou dovish em 27/08 |
| ASA (14/09) | 13,25% | — | — | — | virou (era 14% em 11/08) |
| Polo Capital (14/09) | 13,50% | 5,2% | — | 11,50% | intermediário |
| Santander (21/08) | 13,75% | 4,9% | 1,8% | 12,75% | corte em set., depois pausa |
| Banco do Brasil (02/09) | 13,75% | — | — | — | neutro |
| Goldman BR (14/09) | 13,75% | — | — | — | sem compromisso adiante |
| C6 / MB Associados (14/09) | 13,75% | — | — | — | pausa após setembro |
| Kinea (01/09) | interromper | — | — | — | hawkish; neutra até outubro |
| Itaú (14/09) | pausa ou −25 | — | — | — | cauteloso |
| Daycoval (08/09) | — | — | ~1,0% | — | o mais pessimista em atividade |
| BTG (06/08 Selic) | 13,75% | — | 1,9% (08/09) | — | fora da janela em Selic |
| Bradesco DEPEC (07/08) | 13,25% | 5,0% | — | — | fora da janela |
| Citi (14/08) | 13,75% | — | — | 12,75% | fora da janela |
| Genial (05/08) | 13,75% | 5,0% | 2,0% | — | fora da janela |
Linhas em tom apagado têm última revisão pública anterior a 15/08 e ficam fora da janela de frescor de 30 dias. Elas aparecem para registro, não como foto do consenso atual. Sem publicação localizada no período, e por isso ausentes da tabela: Inter, HSBC BR, BofA BR, BNP Paribas BR, Legacy, SPX, Adam e JGP — a cota de busca da rodada esgotou antes de cobri-las, o que é diferente de dizer que não publicaram.
O FOMC de 29 de julho manteve a banda em 3,50–3,75% por nove votos a três, com Hammack, Kashkari e Logan pedindo alta — nenhum governador dissentiu. A ata de 19 de agosto registrou que muitos participantes avaliam que aperto será provavelmente necessário se a inflação não recuar, e os dissidentes argumentaram que subir em julho evitaria uma sequência mais cara depois. O discurso de Warsh em Jackson Hole, em 28 de agosto, abandonou o forward guidance, reafirmou o PCE de 2% como meta fixa e trouxe o diagnóstico que virou gatilho: PCE em 3,7% em doze meses e 4,1% anualizado em seis, 54% da cesta subindo acima de 3%, condições financeiras que ele não descreveria como restritivas, e a frase de que o Fed tem trabalho a fazer se a inflação subjacente não convergir com clareza e velocidade.
A probabilidade implícita de alta em 16 de setembro acompanhou o petróleo com defasagem curta. Estava em 44% em 7 de agosto, com o Brent perto de US$ 80; foi a 66% em 31 de agosto, depois de Jackson Hole e com o Brent de volta aos US$ 90; caiu a 48% em 3 de setembro quando Waller admitiu pausa; e fechou entre 86% e 90% depois do CPI de agosto, com o Brent já acima de US$ 100.
Entre 17 de agosto e 14 de setembro, Goldman, JPMorgan, Citi, Deutsche, UBS, ING, Capital Economics, Pantheon e HSBC migraram de manutenção para alta. O Goldman virou duas vezes: em 17 de agosto chamou a alta de setembro de muito improvável, e em 11 de setembro passou a projetá-la — declarando que a mudança veio menos do cenário econômico e mais do preço de mercado. A divergência que sobrou não é sobre setembro, é sobre o que vem depois: alta única para ING, Pantheon e Goldman; ciclo de 75 pontos-base para BofA, Capital Economics e Deutsche.
O Treasury de dez anos foi de 4,75% no fim de julho a 4,73% no fim de agosto e 5,00% em 14 de setembro, maior nível desde 2007; o de trinta anos passou de 5,25% em 20 de agosto e chegou a 5,36%. O spread de dois para dez anos comprimiu de +47 para +33 pontos-base. O Tesouro americano dobrou as recompras de longo prazo para pelo menos US$ 4 bilhões em 20 de agosto, no mesmo dia em que a dívida passou de US$ 40 trilhões.
O governo central registrou superávit de R$ 10,8 bilhões em julho, contra déficit de R$ 59,1 bilhões em julho de 2025, mas a base de comparação está contaminada por precatórios e o acumulado de doze meses segue negativo em R$ 71,6 bilhões, 0,55% do PIB. A dívida bruta subiu a 82,5% do PIB, de 81,9% em junho, e a líquida a 69,1%. O Prisma de agosto piorou o déficit projetado do governo central de 2026 e colocou a dívida bruta em 83,0% neste ano e 86,8% em 2027; o BTG elevou sua projeção de 2026 a 82,3%.
data/fiscal-classicos.json), série mensal do Banco Central. Fonte: BCB.O PLOA de 2027, enviado em 31 de agosto, projeta primário de R$ 18,6 bilhões, 0,1% do PIB, e só alcança a meta de 0,5% com deduções de R$ 64,7 bilhões. No Macro Day do BTG, o secretário Durigan sustentou que o impulso fiscal de 2024 a 2026 é levemente negativo. Mansueto Almeida respondeu com a aritmética que organiza a discussão: PIB acumulado de cerca de 11% em quatro anos contra gasto federal real de mais 21%, juro real da NTN-B saindo de 5,3% no início de 2024 para 7,5% a 8% desde o fim daquele ano, e dívida bruta projetada entre 87% e 88% do PIB no ano que vem.
O PIB do segundo trimestre cresceu 0,5% na margem e 2,0% em doze meses, com agropecuária em +2,8%, indústria em +0,1% e serviços em +0,2%. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias caiu 0,4% no trimestre — primeira contração do ciclo — enquanto a formação bruta de capital fixo subiu 1,2%. O IBC-Br de junho caiu 0,6% na margem, o varejo restrito acumulou a quarta queda mensal seguida em julho, e a indústria segue com média móvel de três meses em −0,8%.
O mercado de trabalho não acompanhou. A taxa de desocupação do trimestre até julho caiu a 5,3%, a ocupação bateu recorde de 103,3 milhões e o rendimento real subiu 3,3% em doze meses. O Caged de julho gerou 58,6 mil vagas, 56% menos que um ano antes, o que sinaliza desaceleração no fluxo sem deterioração do estoque. Demanda esfriando com emprego pleno é o contraste que sustenta os dois lados da discussão do Copom.
data/visao_geral_probit_az.json), lidos ao vivo. O probit financeiro, alimentado por curva de juros e crédito, marcava 45,5% em setembro; o probit AZ, que pesa atividade corrente, marcava 4,2%. A distância entre os dois é a própria pergunta do mês — juro alto sinaliza recessão que a atividade ainda não mostra. Fonte: modelos AZ sobre séries do BCB e IBGE.O BCE subiu 25 pontos-base em 10 de setembro, por unanimidade, levando o depósito a 2,50%, e ancorou a decisão nas projeções de staff, que põem o HICP em 3,0% neste ano, 2,5% no próximo e 2,1% em 2028, com energia mantendo o cabeçalho acima da meta até o primeiro semestre de 2027. O comunicado citou explicitamente o conflito no Oriente Médio. O HICP de agosto veio a 3,3%, com energia em 14,3%.
O Japão virou canal de transmissão. O BoJ manteve 1,00% em 31 de julho por oito votos a um, Ueda sinalizou alta para a reunião de 17 e 18 de setembro, e o JGB de dez anos rompeu 3% em 1º de setembro, pela primeira vez desde 1996, com a ponta de trinta anos a 4,07%. Com o país detendo cerca de US$ 1,1 trilhão em Treasuries, o diferencial que empurrava poupança japonesa para fora se inverte, e o efeito sobre o prêmio de prazo global é lento e cumulativo.
Na Europa o prêmio soberano mudou de endereço: o spread OAT-Bund abriu de 85 para cerca de 100 pontos-base, acima do BTP-Bund, com a França cortando a projeção de crescimento e admitindo descumprir a meta de déficit. Entre os emergentes, Banxico ficou em 6,50%, Chile em 4,50%, Colômbia em 12,00%, Peru em 4,25% na décima segunda pausa, Turquia em 37% e Índia em 5,25%.
O ouro subiu 9,5% em agosto, a US$ 4.431,82, o melhor mês desde janeiro, e o cobre bateu recorde de US$ 14.453,60 por tonelada na LME em 11 de agosto, depois do banimento de concentrado na República Democrática do Congo. O EIA elevou a média projetada do Brent para 2026 a US$ 91 e adiou a normalização do Golfo para o segundo trimestre de 2027; a OPEP cortou pela quinta vez a projeção de demanda de 2026.
O real perdeu 2,1% em agosto, de 5,0773 a 5,1816, com máxima de 5,2236 no dia 14. O movimento combinou saída de estrangeiro da B3 — R$ 18,4 bilhões até 27 de agosto, com pico de R$ 23,2 bilhões em 20 de agosto — dólar globalmente firme e Treasury longo em alta. O Ibovespa encadeou onze quedas seguidas entre 4 e 18 de agosto e fechou o mês em −0,33%.
Setembro inverteu o sinal por via eleitoral. A disputa apertou nas pesquisas, com Quaest em 38 a 31 no dia 13 de agosto, Nexus em 41 a 37 no dia 23, PoderData em 38 a 35 no dia 26, e BTG/Nexus mostrando 46 a 45 no segundo turno em 8 de setembro. O Ibovespa subiu 10% em onze pregões, chegando perto de 190 mil pontos, e o real voltou a 5,12. A Verde aumentou bolsa e retirou o direcional em juros; a Kinea reduziu dólar e ficou neutra até outubro; o BTG Asset ficou comprado em dólar como proteção.
data/acoes_valuation.json), com as bandas de um desvio-padrão da própria história. Depois da alta de setembro o múltiplo foi a 10,68, z-score de +1,02 — acima da banda superior, primeira vez no ano. O prêmio de earnings yield contra a NTN-B segue positivo em 1,8 ponto, mas o de dividend yield está negativo em 1,9. Fonte: consolidação AZ sobre preços e lucros do IBOV, NTN-B via ANBIMA.Há consenso em três pontos. O primeiro é que o Copom corta para 13,75% em setembro — Focus, Santander, BB, BTG, Citi, Genial, Empiricus, Goldman, BV, MB e C6 chegam lá. O segundo é que o choque de energia é o motor da reprecificação global. O terceiro é que o prêmio de prazo, e não o crescimento, é onde o risco está sentado.
A briga é sobre o passo seguinte do Copom. A ala do 13,25% — Safra, XP, ASA e Bradesco — aposta na desaceleração antecipada do consumo e na deflação corrente. A ala da pausa — Kinea, Genial, BTG, Citi e Santander — aponta a piora das expectativas de 2027, o fim da escala 6x1 sem transição e o petróleo acima de US$ 100 como choques de oferta com risco de propagação, além do Fed em alta. Padovani, do BV, sintetizou a posição intermediária: corte em setembro e parada, com juro neutro nominal ao redor de 10% inatingível sem convicção fiscal.
A divergência mais conceitual é sobre o instrumento. Torsten Slok argumenta que subir juro não ataca a raiz de uma inflação que nasce na oferta de energia. O BNP sustenta que a alta é justamente o que estabelece a credibilidade da nova presidência do Fed. No BTG Macro Day, Berriel ligou o juro real alto ao choque de produtividade da inteligência artificial, com capex e emissão corporativa competindo com o Tesouro por poupança — leitura estrutural que, segundo Loyo, torna a vida dos emergentes endividados mais difícil.
O mês tem uma espinha causal única. O petróleo subiu, levou o Fed à alta e o Treasury de dez anos a 5%, o que pressionou o real e o miolo da curva brasileira; ao mesmo tempo, a queda da energia elétrica e dos combustíveis no IPCA produziu deflação corrente no Brasil e abriu espaço para o Copom cortar de novo. O mesmo choque empurrou os dois países em direções opostas porque um é importador líquido e o outro não.
O que sustenta a assimetria a favor do Brasil é temporário por construção. O efeito Itaipu reverte em setembro, a bandeira tarifária volta a amarela em dezembro pelo próprio cenário de referência do Copom, e o Brent acima de US$ 100 chega aos combustíveis com defasagem. A ala da pausa está apostando exatamente nisso.
O trade eleitoral é o que segurou os ativos brasileiros em setembro, e ele é frágil na direção contrária: foi construído sobre pesquisas que apertaram, não sobre revisão de fundamento. A dívida bruta subiu, o PLOA de 2027 só cumpre a meta via dedução, e nenhuma casa revisou projeção fiscal para melhor no período.
Cinco fatos novos a monitorar em outubro:
Oficiais Brasil — Banco Central: comunicado e ata da 280ª reunião do Copom, Boletim Focus (edições de 31/07 a 11/09), estatísticas fiscais e de crédito, séries da ETTJ via ANBIMA. IBGE: IPCA de julho e agosto, IPCA-15 de agosto, PIB do 2º trimestre, PNAD Contínua, PIM-PF, PMC e PMS. Tesouro Nacional: resultado do governo central e PLOA 2027. Ministério do Trabalho: Novo Caged. MDIC/Secex: balança comercial. API Olinda/BCB para as séries de expectativas.
Oficiais global — Federal Reserve: comunicado do FOMC de julho, ata de 19/08, Beige Book de 02/09 e o discurso de Jackson Hole de 28/08. BLS: CPI e payroll de agosto. BEA: PIB do 2º trimestre e PCE de julho. ISM, Conference Board e Universidade de Michigan. BCE: decisão de 10/09 e projeções de staff. Eurostat, BoE, BoJ, NBS China, PBoC. EIA, OPEP e USDA. CME FedWatch.
Casas brasileiras — Safra, XP, ASA, Polo Capital, Santander, Banco do Brasil, Goldman Sachs Brasil, C6, MB Associados, Kinea, Itaú, Daycoval, BTG Pactual, Bradesco DEPEC, Citi Brasil, Genial, Empiricus, BV, Verde Asset.
Sell-side global — Goldman Sachs, JPMorgan, Citi, Deutsche Bank, UBS, ING, HSBC, BofA, Pantheon Macroeconomics, Capital Economics, PIMCO, Apollo, BlackRock Investment Institute.
YouTube e podcasts — Touros e Ursos, Market Makers, Stock Pickers, AfterMarket, BTG Macro Day.
Séries ao vivo — painel AZ Invest no Vercel Blob: data/nao-api/previsoes-macro.json, data/ipca.json, data/br_ettj.json e data/fiscal-classicos.json.